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Crítica

A Estrela que Não É | Crítica

A estrela que não é - Festival do Rio 2006

M"
03.10.2006, às 00H00.
Atualizada em 06.11.2016, ÀS 19H00
A estrela que não é
La stella che non c’è
Itália, 2006
Drama - 104 min

Direção e roteiro: Gianni Amelio

Elenco: Sergio Castellitto, Duan ping, Guo yong, Tang xianbi, Luo xiufeng, Wang Biao, Huang qinhao, Zhao jianyun, Catherine sng, Tai ling, Enrico vanigiani, Ma qing, Li zhenduo, Wang lin, Xu chungqing, Roberto Rossi, Hiu sun ha, Angelo costabile

A estrela que não é (La stella che non cé, 2006), do veterano diretor italiano Gianni Amelio, é uma história comovente com uma mensagem humana e política. Quase todo rodado na China, o longa é uma oportunidade para o público ocidental ter contato com a realidade do país que mais tem crescido economicamente nos últimos anos, mas que ao mesmo tempo apresenta os mesmos problemas de diversas nações do terceiro mundo.

A história começa na Itália, onde uma siderúrgica está sendo vendida para a China. Já no inicio percebemos o comentário político de Gianni. A empresa só pode ser vendida para empresários chineses. Na porta, protestos por parte dos funcionários, que perderam seus empregos. São os males da globalização. Após a conclusão do negócio, Vincenzo Buonovolonta ("boa vontade" na tradução), chefe da manutenção da indústria, se dá conta de que o alto-forno havia causado a morte de um trabalhador. Ele consegue encontrar o comprador e pede para que as máquinas sejam desmontadas devagar, para que possa consertar a peça defeituosa a tempo de ser transportada para a China. Sua maneira pouca educada de explicar o problema é determinante para que a interprete dos chineses perca o emprego. Os chineses não dão muita atenção a Vincenzo e levam as máquinas assim mesmo. Preocupado que o defeito provoque mais vítimas, Vincenzo parte para Xangai com a nova peça. Lá ele sai em busca da interprete e pede a sua ajuda. O relacionamento dos dois no começo não é muito amistoso, mas com o tempo eles desenvolvem uma amizade carinhosa.

O roteiro foi inspirado no livro de Ermanno Rea e escrito por Umberto Contarello e diretor Gianni Amelio. Tendo o relacionamento de duas pessoas com culturas bem diferentes, o cineasta Gianni sustenta sua narrativa nas pequenas cenas que acontecem em nosso dia-a-dia. Ele também aproveita para registrar com extrema perícia uma China desconhecida. Um país que apesar do milagre econômico ainda abriga condições de vida bastante díspares. Percebemos isso durante a busca obsessiva de Vincenzo pela máquina defeituosa. Ele viaja de avião, barco, ônibus e caminhão por cidades e vilarejos, em uma espécie de road movie sentimental de descobertas.

O choque visual é contrastante. De modernas metrópoles a aldeias. Prédios de muitos andares com centenas de apartamentos apinhados de gente. Fica a constatação que as favelas da China são de concreto e cimento, e que isso não significa um ambiente violento. Mesmo com poucos recursos a população divide alimento e tratam o estrangeiro com delicadeza. Percebemos que a doutrina socialista de Mao ainda possui muita força, principalmente no interior. Mas nem tudo é perfeito. Devido a uma lei que controla a quantidade de crianças que uma família pode ter, muitas acabam sendo abandonadas na rua. São cenas chocantes que observamos através do olhar de Vincenzo. E é justamente na fotografia de Luca Bigazzi que percebemos esse olhar estrangeiro. Luca mescla grandes panoramas com registro intimista dos personagens nos mais diversos ambientes e de forma muito sutil.

Encabeçando o elenco temos a interpretação comovente de Sergio Castellitto. Vemos em Vincenzo uma metáfora do homem que está à procura de si mesmo. Não é à toa que Sergio é considerado atualmente o ator mais versátil da Itália. Tai Ling faz de forma contida, mas recheada de emoção, a intérprete Liu Ha, que acompanha o italiano em sua jornada.

O final lírico e poético pode incomodar, mas é coerente. Não podemos consertar tudo na vida, mas isso não impede que tentemos. No atual mundo globalizado, o artesão perdeu a sua função. É muito mais fácil jogar a peça defeituosa fora do que consertá-la. Mas quando esse defeito é de carne e osso, o que devemos fazer?

Nota do Crítico

Ótimo
Mario "Fanaticc" Abbade

A Estrela que Não É

La stella che non c’è

2006
104 min
Drama
País: Itália
Classificação: LIVRE
Onde assistir:
Oferecido por

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