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Crítica

A Colina Escarlate | Crítica

Nas paredes da Mansão Sharpe escorre a criatividade de Guillermo del Toro

Marcelo Forlani
13.10.2015, às 11H43
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H39
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H39

O fantástico e o sobrenatural sempre foram temas caros ao cineasta mexicano Guillermo del Toro. Por isso, não é de se espantar que entre as dezenas de projetos paralelos desenvolvidos por ele como produtor, produtor executivo, roteirista ou consultor criativo, A Colina Escarlate (Crimson Peak) tenha sido o filme escolhido pelo estúdio para ser seu próximo trabalho.

O que é difícil de acreditar é que o filme foi feito com "apenas" 70 milhões de dólares, quase um terço do que custou seu longa anterior, Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013). Se não teve de criar vários monstros e robôs gigantes, del Toro demonstra mais uma vez sua capacidade de constituir cenários sombrios e utilizar o máximo possível de efeitos práticos (sem computação gráfica).

Sua obra-prima aqui é a mansão da família Sharpe, que ele construiu inteira para poder fazer o filme. O local já foi um lindo, enorme e imponente lar de nobres ingleses. Quando o conhecemos, porém, ele continua sendo apenas enorme. Parte de seu teto desabou. A madeira já não tem a mesma força de antigamente. E ainda há uma estranha gosma vermelha que sangra por entre as rachaduras.

Em busca de dias melhores, os herdeiros Thomas (Tom Hiddleston) e Lucille Sharpe (Jessica Chastain) atravessam o Atlântico e vão até os Estados Unidos atrás de investidores para uma máquina capaz de extraír a tal gosma vermelha. Saem dali não apenas com o dinheiro, mas também com a linda e promissora escritora Edith Cushing (Mia Wasikowska), que se apaixona por Thomas. E se na sua infância ela já via fantasmas, quando chega ao seu novo lar ela passa a ter de conviver com eles.

Mistura do climão do ótimo A Espinha do Diabo com um cuidado especial de design tão grande quanto O Labirinto do Fauno, A Colina Escarlate é um banquete para os fãs do mexicano, que vão se lambuzar com cada detalhe colocado na tela. Das borboletas e mariposas e caveiras escondidas nas sombras e móveis. Coisa de quem gosta do que está fazendo.

Porém, este não é o melhor filme de del Toro. Apesar da excelente atuação de Jessica Chastain, Tom Hiddleston não mantém o mesmo nível e Wasikowska permanece a maior parte do tempo com cara de Alice que se perdeu do Sr. Coelho. Melhora apenas no final, que me lembrou O Iluminado - o que já é um baita elogio.

Sem Círculo de Fogo 2 no seu horizonte, devemos esperar ao menos que del Toro não demore tanto para anunciar seu próximo projeto. O cinema precisa de malucos como ele, que não se importam de gastar tempo e dinheiro para fazer arte.

A Colina Escarlate (2015)
Crimson Peak
A Colina Escarlate (2015)
Crimson Peak

Ano: 2015

País: EUA

Classificação: LIVRE

Direção: Guillermo del Toro, Guillermo del Toro

Roteiro: Guillermo del Toro, Matthew Robbins, Lucinda Coxon

Elenco: Charlie Hunnam, Jessica Chastain, Tom Hiddleston, Mia Wasikowska, Doug Jones, Burn Gorman, Jim Beaver, Leslie Hope, Burn Gorman, Javier Botet

Nota do Crítico
Bom

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