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A Cela | Crítica

Pesadelo virtual

Érico Borgo
01.11.2000
01h00
Atualizada em
05.11.2016
05h03
Atualizada em 05.11.2016 às 05h03

Se alguém pudesse entrar dentro de sua mente, o que essa pessoa veria?

Veria uma paisagem belíssima, edifícios futuristas, uma civilização utópica ou perversões fora de controle?

No caso de Carl Stargher (Vincent D´Onofrio) a última opção é a que vale... Stargher é um assassino-em-série com distúrbios psicológicos que o levaram a construir A Cela, uma câmara de vidro onde tortura mulheres inocentes preparando-as para um sádico ritual fetichista.

Quando o FBI encontra seu esconderijo, uma surpresa os aguarda... o assassino está em coma profundo e o agente Peter Novak (Vince Vaughn) ainda precisa localizar a última vítima, seqüestrada há poucas horas. Tudo o que o agente Novak sabe é que, de acordo com o modus-operandi de Stargher, a moça ainda está viva, tem apenas 40 horas de vida e o único que pode encontrá-la é o próprio assassino em coma.

A resposta para os problemas do FBI é a Dra.Catherine Deane (Jennifer Lopez), uma terapeuta infantil que estuda um avançado processo de cura de distúrbios neurológicos financiada por um casal bilionário cujo filho, cobaia do processo, está em coma. Resta saber se a Dra. Deane aceitará o perigoso desafio... entrar em uma mente doentia sabendo que pode não sobreviver ao processo.

A Cela é um thriller envolvente, cujo visual passeia de paisagens oníricas a cenários perturbadores, mostrados através de cortes bruscos, ângulos e movimentos de câmeras completamente inusitados, explicados facilmente quando analisamos a carreira do diretor estreante Tarsem Singh, que até então só havia dirigido comerciais de TV e videoclipes (entre eles "Loosing My Religion" do R.E.M., vencedor de um Video Music Awards da MTV).

Precisa de mais motivos para ver o filme? Os efeitos especiais são excelentes e os figurinos de Eiko Ishioka, vencedora do Oscar por Drácula de 1992 e qualquer semelhança não é mera coincidência, pois os trajes de realidade virtual são referências explícitas à armadura de carne utilizada pelo Príncipe Vlad no começo do filme. Também foi o filme que arrancou do topo das bilheterias americanas O Homem Sem Sombra (box-office 18 a 20/11)

As comparações com Matrix e Seven são inevitáveis e necessárias, dado que o primeiro reinventou o estilo dos filmes de ficção e o segundo, juntamente com O Silêncio dos Inocentes, os thrillers de suspense. A Cela é um filme obrigatório aos amantes dos gêneros.

Mas avisamos... algumas pessoas sairam no meio do filme na pré-estréia.
Que pena, perderam um filmão. :-)

Nota do Crítico
Ótimo