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Crítica

A Barraca do Beijo | Crítica

Mesclando drama e diversão, filme da Netflix fala sobre busca por identidade e tem pouco a ver com o beijo

Camila Sousa
07.06.2018
17h25
Atualizada em
08.06.2018
04h00
Atualizada em 08.06.2018 às 04h00

Existem alguns temas universais que sempre são mostrados no cinema. Entre histórias de amor, superação, comédia e terror, há a história de amadurecimento, que costuma ser retratada em filmes adolescentes. Lançado recentemente na Netflix, o filme A Barraca do Beijo pega esse tema universal e o atualiza, dosando muito bem o drama e a diversão.

O longa começa contando uma história bem simples: Lee Flynn (Joel Courtney) e Shelly Evans (Joey King) se conhecem desde que nasceram. Suas famílias são amigas e os dois compartilharam vários momentos da infância e do começo da juventude juntos. Shelly sente uma pequena atração pelo irmão mais velho de Lee, Noah (Jacob Elordi), mas sabe que a relação poderia bagunçar sua amizade, então ela não investe muito nisso. Mas então surge a tal barraca do beijo do título e a garota e o rapaz se beijam na frente de todo mundo, mesmo com os sentimentos de Lee em jogo.

Todas essas situações são bem comuns em longas para adolescentes, mas o grande mérito aqui é que o filme repete tudo isso, mas dá um peso e um significado a mais para cada coisa. Lee e Shelly são realmente amigos e não há nenhum sentimento amoroso entre os dois. Enquanto outras produções poderiam estragar essa amizade com um beijo ou uma grande revelação, isso felizmente não acontece aqui.

Aliás, embora o romance esteja presente no filme - assim como está presente na vida das pessoas - ele não é a força central. O que move toda essa história é a amizade dos protagonistas e o sentimento de quem cada um deles quer ser. Em certo momento, por exemplo, Shelly mente para seu melhor amigo e fica muito claro como ela questiona a própria decisão e sabe que aquilo pode transformá-la em uma pessoa que ela não quer ser.

Também existem discussões no lado dos meninos. Enquanto Lee é o irmão mais novo e considerado mais fraco, Noah é o famoso “fortão” da escola, que sempre acaba se metendo em brigas para resolver as situações. Em uma cena ele diz que “foi feito para ser daquele jeito”, mostrando como muitos garotos são criados para agir de forma violenta, mesmo quando não querem exatamente isso.

Todas essas lições sobre juventude e amadurecimento só são passadas da forma certa pela qualidade do elenco. Joey King, atualmente com 19 anos, interpreta uma Shelly mandona, desastrada e extremamente divertida. O mesmo acontece com Joel Courtney, que mostra uma incrível interação com ela interpretando Lee. Dos três, Jacob Elordi é um pouco mais fraco como Noah, mas também entrega momentos muito emocionantes ao lado do irmão. Mesmo quem não gosta muito de filmes adolescentes percebe de repente que está ali torcendo por eles.

Para coroar a universalidade e atemporalidade do tema de amadurecimento, A Barraca do Beijo tem dois elementos muito interessantes para o público mais velho: a presença de Molly Ringwald, a eterna Claire de O Clube dos Cinco, e a música “Don’t You (Forget About Me)” do Simple Minds, que tocou no filme de 1985 e se tornou um dos símbolos do que a juventude daquela época queria dizer. No fim das contas, ser adolescente na década de 80 ou nos dias atuais é igualmente difícil. Mas pelo menos existem filmes como A Barraca do Beijo, que retratam genuinamente uma geração e mostram que tudo vai ficar bem no final.

Nota do Crítico
Ótimo