Foto de A Barraca do Beijo 2

Créditos da imagem: A Barraca do Beijo 2/Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

A Barraca do Beijo 2 | Crítica

Filme da Netflix traz discussões típicas da juventude, mas a forma de fazer isso e o carisma do elenco trazem a novidade necessária

Camila Sousa
29.07.2020
13h41

Toda geração tem seus filmes de “high school” clássicos. Qual brasileiro não foi bombardeado nos anos 80, 90 e 2000 com produções hollywoodianas em que jovens (que parecem bem mais velhos, na verdade) estão terminando o ensino médio, fazendo suas inscrições em faculdades e pensando em como serão suas vidas dali em diante? A Barraca do Beijo 2 não tenta reinventar a roda do gênero. Aliás, as discussões do filme da Netflix são bem típicas. O que torna a produção especial, na verdade, é a forma como ela aborda isso e o carisma de seu elenco.

O encerramento do primeiro filme foge um pouco do óbvio ao fazer a protagonista Elle (a ótima Joey King) começar um relacionamento à distância com Noah (Jacob Elordi, de Euphoria), quando ele vai para a faculdade. A sequência começa logo após estes eventos e a jovem faz um resumo do que aconteceu desde então, mostrando que passou um “verão dos sonhos” ao lado do amado antes de voltar para a realidade de seu último ano na escola.

Ainda que eventualmente caia em clichês ao tratar de um relacionamento à distância, A Barraca do Beijo 2 acerta quando mostra que Elle tenta tomar as decisões certas ao dar espaço para Noah e continuar sua vida sem ele: ela monta um podcast junto com o melhor amigo Lee (Joel Courtney) e começa a fazer planos para ir para a faculdade dos sonhos. O namoro com Noah é importante na vida da garota, mas já nos primeiros momentos do filme ela deixa claro que sua vida não gira em torno dele.

Claro que, se tratando de um filme adolescente, alguns lugares-comuns aparecem, a diferença é como eles são trabalhados. Elle só começa a ter dúvidas quando volta para a escola e todos questionam a saúde da relação. Assim, quando ela têm atitudes típicas da adolescência, como crises de insegurança e ciúmes, elas são mais justificadas porque houve uma construção em tela que mostra como ela saiu do ponto A para o ponto B. Isso ajuda na empatia do público com a personagem e torna sua jornada mais significativa.

Em seu cerne, A Barraca do Beijo 2 trata de escolhas, mas acerta muito bem ao mostrar que elas têm consequências, algo já feito no primeiro longa. Quando Elle, Noah, Lee e outros personagens escolhem agir de certa forma, o longa coloca o peso que aquela atitude tem nas pessoas ao redor, gerando reações boas e ruins. Ao fazer isso, a produção traz um amadurecimento de questões clássicas da juventude, de uma forma que faz muito mais sentido para a nova geração, que não se identifica tanto com os filmes adolescentes de outras décadas.

Aliás, outro ponto que também se encaixa melhor com os “jovens de hoje” é o dinamismo do roteiro. Ao invés de grandes cenas de diálogos, A Barraca do Beijo 2 aposta em sequências rápidas e com músicas ao fundo, que mostram com atitudes o que seus personagens estão pensando. Aliado à isso está o humor natural, trazido principalmente pela atriz Joey King, que parece estar verdadeiramente se divertindo e traz uma verdade importante para cada sequência que estrela. Sua química com os demais membros do elenco faz com que o público, muitas vezes, deseje fazer parte daquele grupo de amigos.

Mais uma vez utilizando um clichê (positivamente), A Barraca do Beijo 2 chega ao clímax uma competição que serve de metáfora do jovem que quer se provar e descobrir quem é, e termina deixando tramas em aberto em aberto para o já confirmado terceiro filme. Há pontos que precisam melhorar, como o desenvolvimento de personagens como Rachel (Meganne Young) e Marco (Taylor Zakhar Perez) - que parece existir apenas para uma conveniência de roteiro - e mais diversidade em suas tramas principais (o segundo filme tem uma trama interessante de um casal gay, mas há espaço para ir além), mas não há dúvidas de que a franquia ganhou seu lugar entre as produções do gênero.

Nota do Crítico
Bom