7500

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Crítica

7500

Joseph Gordon-Levitt tenta fazer suspense-conceito levantar voo

Marcelo Hessel
01.07.2020
15h43
Atualizada em
01.07.2020
16h06
Atualizada em 01.07.2020 às 16h06

Na teoria parece promissora a proposta do suspense 7500, que coloca Joseph Gordon-Levitt no cruzamento entre duas fobias populares, a do filme de incidente de avião e a do filme claustrofóbico de isolamento e cerco. Na falta de tubarões em alto mar temos terroristas que tomam um voo entre Berlim e Paris, no qual JGL interpreta o primeiro oficial de voo, Tobias. O filme todo se passa dentro da apertada cabine de comando; quando o piloto é morto, cabe ao copiloto Tobias tentar salvar o dia.

O diretor Patrick Vollrath, estreante em longas, aproveita bem as limitações que essa ideia oferece logo de cara, para gerar um clima de insegurança e suspense. Isso está nas câmeras de vigilância do aeroporto (que abrem o filme e seguem um personagem específico, sem atribuir a ele gestos que o definam como um vilão, necessariamente) e está também na televisão da cabine do piloto, que mostra o que se passa no corredor dos comissários de bordo mas fica encoberta quando a cortina está puxada. 7500 pega emprestado esse elemento consagrados dos found footage (o alcance limitado das câmeras noturnas ou de vigilância gera desconforto e oportunidades de suspense com o extracampo) para dizer: a cabine dos pilotos pode ser impenetrável, mas da mesma forma o piloto não consegue acessar visualmente o que se passa no resto do avião.

A atuação de Gordon-Levitt é boa o suficiente para conduzir o espectador nas reações a esses gatilhos de insegurança. Ele opera um tom acima porque é como se estivéssemos mesmo num monólogo teatral, e a nossa visão frequentemente também fica obscurecida na luz baixa da cabine e no espaço apertado; quando Tobias é ferido, o ator reage de um jeito mais expansivo do que agiria, por exemplo, se a câmera mostrasse claramente o golpe e o ferimento. O protagonista encontra um equilíbrio interessante: ao mesmo tempo em que fala mecanicamente as trocas técnicas com torres de comando ou com o piloto, ele tenta adaptar esse tom focado e ponderado às cenas de tensão e ação, ao mesmo tempo em que fisicamente reage de forma expansiva para demarcar bem o que está acontecendo em cena.

É como um show de um homem só, enfim, e além de salvar o dia Joseph Gordon-Levitt precisa também conduzir 7500 sozinho por uma hora e meia. Esse esforço tem um vencimento: depois que entendemos quais são os espaços cênicos do filme, suas dinâmicas e como eles funcionam (por exemplo, o que separa a cabine e o corredor e como a ação pode ou não transitar de um para o outro), o interesse do espectador tende a diminuir. Cabe ao roteiro de Vollrath encontrar reviravoltas inesperadas que pareçam convincentes, e 7500 visivelmente se esforça nesse sentido. Muito da força do filme, porém, vinha de uma expectativa pelo perigo, e quando a violência se consuma, algo se esvai muito antes do clímax.

No fim, analisar 7500 e as "batidas" do filme - sua criação de expectativas, sua obrigação de pensar entregas de forma cronometrada sem esvaziar essas expectativas - pode ser mais interessante do que somente assistir e curtir 7500. Como no ofício do piloto Tobias, muita coisa nessa relação público-filme acontece de forma absolutamente protocolar.

 

7500 (2020)
7500
7500 (2020)
7500

Ano: 2020

País: Alemanha, Áustria, EUA

Duração: 1h 33min min

Direção: Patrick Vollrath

Roteiro: Senad Halilbasic, Patrick Vollrath

Elenco: Aylin Tezel, Omid Memar, Joseph Gordon-Levitt

Nota do Crítico
Bom

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