Filmes

Crítica

72 Horas | Crítica

O roteirista e diretor Paul Haggis se une a Russel Crowe em filme de fuga da prisão

Marcelo Forlani
23.12.2010
19h19
Atualizada em
21.09.2014
14h13
Atualizada em 21.09.2014 às 14h13

Desde a primeira cena, o roteirista e diretor Paul Haggis (Crash - No Limite) carrega seu novo filme de tensão. 72 Horas (The Next Three Days, 2010), refilmagem do francês Pour Elle, começa com uma acalorada discussão que serve para mostrar como John (Russel Crowe) e Lara (Elizabeth Banks) são unidos e apaixonados. A cena seguinte é a porrada pelas costas que vai derrubar o casal e levá-los a atos desesperados.

Acusada de assassinato, Lara é levada pela polícia enquanto John mal consegue conter o desespero de seu filho de três anos que, assustado com a invasão, só consegue chorar. Julgamentos e apelações depois, John faz de tudo para provar a inocência de sua esposa e criar, com a ajuda de seus pais, o menino enquanto continua lecionando inglês na universidade local.

72 Horas

None

72 Horas

None

72 Horas

None

Quando seu filho está cada vez mais distante, a esperança de Lara esvazia e ela se torna suicida, John parte então para uma atitude igualmente desesperada: vai criar uma forma de tirar sua esposa da prisão, ou morrer tentando.

Fãs da série de TV Prison Break vão poder fazer paralelos com a aventura dos irmãos Michael Scofield e Lincoln Burrows, mas o filme de Haggis é muito mais carregado no suspense do que na aventura. No papel do homem comum que toma atitudes extremas, Russel Crowe vai afundando seu personagem em um estado de depressão e desespero, curvando-o para dentro de si mesmo, procurando formas de agir antes que seja tarde demais.

Usando o que tem à mão, John recorre à internet para aprender a arrombar carros e abrir fechaduras, e consegue conversar com um ex-prisioneiro (Liam Neeson) que escapou inúmeras vezes da prisão e lhe dá dicas do que vai ter de enfrentar. É um caminho sem volta e é preciso estar disposto a empurrar ou até mesmo matar quem está entre o caminho que separa a prisão da liberdade, aprende. É uma missão suicida, que deve ser muito bem planejada e ter até as improvisações friamente calculadas.

A forma como John vai montando seu quebra-cabeças e passa a vê-lo se desmantelando na sua frente pode lembrar outro papel de Crowe, Uma Mente Brilhante, que, embora seja interpretado de forma igualmente envolvente, não possui a mesma profundidade. Os labirintos na mente de John são as rotas de fuga que ele precisa imaginar para conseguir alcançar seu objetivo final.

A troca da dramaticidade do início pela correria do último ato deve prender na cadeira o público esperançoso por um final feliz. Mas a questão sugestionada por Haggis, na verdade, é outra: ao ver o marido se arriscando e colocando em risco sua própria vida e a de seu filho, será que Lara voltará a amá-lo como antes?

Nota do Crítico
Bom