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Crítica

47 Ronins | Crítica

Falta coragem ao novo filme de Keanu Reeves

Thiago Romariz
30.01.2014
18h24
Atualizada em
29.06.2018
02h23
Atualizada em 29.06.2018 às 02h23

A liberdade criativa adotada por algumas adaptações por vezes define a qualidade do produto final. No caso de 47 Ronins, primeiro filme de Carl Rinsch, falta coragem para se livrar das correntes que o prendem ao clássico conto oriental. A fantasia proposta pelo longa protagonizado por Keanu Reeves é válida, mas perde sentido frente aos conceitos terrenos que tenta resgatar da fonte de inspiração.

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Desde a versão de Kenji Mizoguchi (A Vingança dos 47 Ronins, 1941) até a de Hiroshi Inagaki (Os Vingadores, 1962), o ritual suicida seppuku é o cerne da história. De acordo com a doutrina bushido, quando um samurai perde o seu mestre, não há mais motivo para viver - ou ele vive em desgraça como um ronin ou comete o suicídio. Em grande parte dos filmes que contam essa saga, o ápice é a morte; ou pelo menos a honra da vingança dos samurais.

O novo 47 Ronins tenta explorar esses conceitos, mas não os emplaca sequer uma vez. A situação piora quando força a relação entre Kai (Reeves) e Mika (Ko Shibasaki), um casal sem a menor química. A tradição dos guerreiros é exibida apenas na parte visual. Os seppukus têm um esmero gráfico louvável, por exemplo. A fotografia de John Mathieson (Gladiator e X-Men: Primeira Classe) acerta ao abusar das cores e dos tecidos brancos do xogum de Lorde Asano para dramatizar algumas cenas. Por outro lado, todas lutas do filme são inteligíveis mesmo sem usar coregrafias elaboradas.

Enquanto erra nas premissas da lenda, o filme tenta fazer do exército de Kira uma ameaça grandiosa - tanto pela quantidade de soldados, quanto pela magia da bruxa vivida por Rinko Kikuchi (Círculo de Fogo). E não há, em nenhum momento, a sensação de perigo ou ameaça aos Ronins. Os soldados aparecem sempre em pouco número e os poderes de Kikuchi não impressionam. A escala épica que a desnecessária narração inicial sugere se atém apenas às criaturas mitológicas, que são incluídas de maneira tímida. Toda a fantasia do longa é dosada e não complementa o roteiro. Assim, o que poderia ser um novo jeito de olhar os Ronins, se torna um detalhe estético.

47 Ronins não erra ao incluir monstros, piratas ou ter um elenco oriental falando inglês. As escolhas são compreensíveis para a aceitação do filme no mercado estadunidense, que muitas vezes não compra histórias em outra língua. A tentativa de balancear a linguagem japonesa com a americana, porém, resulta num meio termo sem atrativos para qualquer público.

47 Ronins | Cinemas e horários

Nota do Crítico
Regular

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