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Crítica

1972 | Crítica

1972

Mario "Fanaticc" Abbade
23.11.2006
00h00
Atualizada em
21.11.2016
05h02
Atualizada em 21.11.2016 às 05h02

1972
Brasil, 2006
Comédia/Romance
Duração: 100 min.

Direção: José Emílio Rondeau
Roteiro: José Emílio Rondeau e Ana Maria Bahiana

Elenco: Rafael Rocha, Dandara Guerra, Bem Gil, Fábio Azevedo, Débora Lamm, Dudu Azevedo, Lúcio Mauro Filho, Louise Cardoso, Tony Tornado, Pierre dos Santos, Cláudio Gabriel

O ano ainda não acabou e chega ao mercado mais uma produção ambientada na época da ditadura militar brasileira. 1972 (2006) marca a estréia do jornalista José Emilio Rondeau como diretor de cinema. O próprio título especifica o momento exato em que a história ocorre. Mas vale dizer que os anos de chumbo só servem de pano de fundo. O filme, na verdade, é uma comédia romântica sobre o destino.

Na trama, Snoopy (Rafael Rocha) é um suburbano do Rio de Janeiro. Fanático por rock, ele sonha fazer sucesso com a sua banda, Vide Bula. Zé (Bem Gil) é seu melhor amigo e guitarrista do grupo. Eles estão à procura de um baterista. Na busca de seus caminhos, Snoopy aprofunda a relação com Tião (Tony Tornado), inicialmente um bêbado do bairro que terá um papel essencial em sua vida.

Júlia (Dandara Guerra) é moradora de Ipanema e também apaixonada por rock. Seu sonho é trabalhar como jornalista e sua ambição maior é colocar o rock na agenda cultural do Rio de Janeiro. Ao redor de Júlia estão Ciro (Fábio Azevedo), jovem corretor da Bolsa de Valores e secretamente apaixonado pela amiga, e Monique (Débora Lamm), a prima namoradeira de Júlia.

Snoopy e Júlia acabam se conhecendo na porta do cine Opera. Ambos estavam indo assistir ao filme Gimme Shelter, documentário sobre a turnê de 1969 dos Rolling Stones. Porém, devido à concentração de gente, a polícia acabou invadindo o local e a exibição foi cancelada. Sonhadores e idealistas, Júlia e Snoopy a princípio não se entendem. Mas pouco a pouco o romance pinta.

O roteiro foi escrito pelo próprio Rondeau, em colaboração com a também jornalista Ana Maria Bahiana. Em 1972, a ditadura estava no auge e a polícia realmente impediu a exibição do documentário. Ao lembrar deste fato, os dois tiveram a idéia de colocar um casal se conhecendo no dia fatídico. O filme tem como objetivo retratar a juventude da época, os shows de música jovem lotados e a imprensa alternativa que noticiava o rock. Anos que ambos os jornalistas/roteiristas vivenciaram.

As intenções eram ótimas, mas o roteiro não consegue imprimir um peso histórico. As situações acontecem sem consistência e não convencem. A forma como a ditadura é retratada é lastimável. Tudo parece muito forçado e nos remete a um Malhação passado nos anos de chumbo. Lembra muito as pífias comédias românticas adolescentes norte-americanas. A espinha dorsal é a mesma: jovens de mundos diferentes se conhecem, se apaixonam, brigam, fazem as pazes e vivem felizes para sempre. Só o que muda é o cenário.

A falta de experiência dos realizadores e da maior parte do elenco talvez seja o grande problema do filme. Rondeau apostou suas fichas em desconhecidos, pois não queria que os seus personagens tivessem a cara das costumeiras estrelas da TV. Acabou deixando-os também sem personalidade. No final, os únicos que se salvam são justamente os conhecidos Louise Cardoso, Lúcio Mauro Filho e Elizângela, em pequenos papéis.

A trilha sonora recupera músicas antigas do rock nacional da época, mas faltou verba para tocar também canções internacionais. Ficar falando o tempo todo de Rolling Stones e não ter uma musiquinha sequer para ilustrar irrita até quem não gosta de rock.

1972
1972
1972
1972

Ano: 2005

País: Brasil

Classificação: 10 anos

Duração: 100 min

Direção: Jan Bosdriesz

Nota do Crítico
Ruim

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