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Entrevista

Corrida dos Bichos fala de futuro “mais próximo do que parece”, explica elenco

Bruno Gagliasso, Isis Valverde e o diretor Fernando Meirelles desvendam conceito do filme ao Omelete

Omelete
4 min de leitura
07.08.2026, às 07H00.
Bruno Gagliasso e Isis Valverde em Corrida dos Bichos (Reprodução)

Créditos da imagem: Bruno Gagliasso e Isis Valverde em Corrida dos Bichos (Reprodução)

Desde seu anúncio, Corrida dos Bichos é um título que tem despertado o interesse do público pela premissa para lá de curiosa: em um futuro distópico do Rio de Janeiro, uma nova e violenta modalidade de jogo do bicho reina suprema.

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Essa mistura de futurismo e de um conceito incontornavelmente brasileiro pode parecer complexa, mas não é nada que o diretor Fernando Meirelles (que divide o crédito com Ernesto SolisRodrigo Pesavento) e os atores Bruno Gagliasso e Isis Valverde não possam desvendar.

O trecho a seguir, de uma entrevista realizada pelo Omelete durante uma visita ao set da produção em meados de 2024, traz tudo o que você precisa saber sobre o novo blockbuster brasileiro do Prime Video. Confira!

OMELETE: A sinopse e os trailers de Corrida dos Bichos deixam muito para a imaginação, então queria deixar o espaço aberto aqui – como vocês definiriam esse universo, o funcionamento dele, e as reflexões que ele traz?

MEIRELLES: Bom, a verdade é que estamos num futuro não muito distante, e muito provável, onde os ricos estão cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres. Tem um evento climático grave que afeta a cidade, que acaba ficando com uma população muito menor do que a que tem hoje, as ruas são meio vazias… E tudo mudou, mas o jogo do bicho continuou.

Em vez de ser com sorteio, agora são corredores, atletas da periferia. Cada um veste e representa um bicho, com máscaras que eles mesmos fazem. Eles são deixados em pontos aleatórios da cidade e têm que correr até chegar no lugar final, na chegada. Nessa corrida, se eles se encontram, podem bater, matar, vale qualquer coisa. O negócio é chegar lá, e tem que chegar porque todos eles têm familiares em risco, toda uma situação nesse sentido.

Só que eles não sabem onde eles foram deixados, então correm com um fonezinho dentro da máscara, e tem um lugar sofisticado na cidade onde os caras mais ricos apostam nos bichos que estão lá embaixo correndo. Casa bicho é seguido por um drone, por uma moto com câmera, e esses caras estão vendo tudo por cima, dizendo pros seus “apadrinhados”: "Vira à direita, vira à esquerda, lá na frente você vai cruzar com o tigre, desvia dele ou acaba com ele". Uns caras num salão super chique, basicamente jogando videogame, mas pessoas reais do outro lado, que têm que fazer isso porque é o único jeito de sobreviver.

Tem uma coisa fantasiosa, claro, mas tem uma coisa que é possível, porque a gente está se aproximando deste nível de distopia em termos de desigualdade econômica. Tem uma hora que o cara, pobre, faz qualquer coisa. Já estamos aqui, né? O cara faz 14 horas de Uber para conseguir zerar as contas, e se precisar fazer 16 faz 16. Aí a Uber dá desconto na corrida, e o cara vai lá e faz 17. A gente vai achando que é normal, mas é para uma distopia que a gente está caminhando.

GAGLIASSO: Exatamente. Esse filme, mesmo tendo esse universo da tecnologia, é muito real. Não é um filme que fala de um futuro distante, não; é um presente bem presente, sabe? E eu acho que é uma p*ta crítica certeiro. É um filme que retrata muito mais o hoje, o que o ser humano está fazendo consigo mesmo hoje, do que qualquer outra coisa.

VALVERDE: É um filme que pergunta aos personagens: pelo quê você está lutando? O que você está buscando, onde você quer chegar? A gente fala muito de desejos ali, do que você deseja para você e até onde você é capaz de ir para isso. E, obviamente, muito do mundo dos privilegiados e dos não privilegiados. Por isso a gente fala que não é uma história futura, distópica, mas muito mais presente do que a gente imagina. Usando essa distopia, essa magia que o cinema faz, a gente quer fazer você pensar. A gente quer você voltando para casa pensativo sobre o que você viu, tentando rearrumar isso dentro de você de alguma forma.

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