Imagens dos filmes Foxy Brown, Faça a Coisa Certa, Corra! e Simonal

Créditos da imagem: Divulgação

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Dia da Consciência Negra | 10 filmes para celebrar o trabalho de artistas negros

Grandes atores, diretores e personagens que colocam em primeiro plano a cultura e a história das pessoas negras

A cozinha
20.11.2020
09h00
Atualizada em
18.11.2020
17h57
Atualizada em 18.11.2020 às 17h57

Celebrado no dia da morte de Zumbi dos Palmares (1655-1695), líder do maior quilombo formado durante o período da escravidão no Brasil, o feriado da Consciência Negra é uma data para relembrarmos as raízes culturais e históricas e as lutas das pessoas negras, desde o período da escravidão até hoje. Também é um dia para reconhecermos e apreciarmos as contribuições que as pessoas fizeram para a cultura do Brasil e do mundo - embora esse exercício deva ser feito todos os dias, não só no dia 20 de dezembro.

Por isso, selecionamos dez filmes para todos gostos, grandes exemplos do trabalho de criadores e atores negros ou que celebram artistas da vida real, e que você pode encontrar na plataforma de streaming do Telecine.

Com mais de dois mil filmes no catálogo, o Telecine oferece 30 dias grátis para os novos assinantes.

Foxy Brown (1974)

Dir.: Jack Hill

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Ao lado de Shaft, este policial cômico que consagrou Pam Grier é o filme de blaxploitation mais famoso da história, e uma ótima porta de entrada para entender o apelo desses filmes setentistas sobre a cultura negra urbana americana. Por trás do escracho e das apelações, há um movimento muito claro de tirar a negritude do gueto e contextualizá-la no imaginário do sonho americano de modo geral, e, como a própria Foxy Brown diz no filme, até o vigilantismo é uma coisa tão americana quanto as tortas de maçã. A operação aqui é se empoderar por meio da apropriação (de fórmulas do cinema, de lugares de fala, da possibilidade do sexo filmado) e vem daí a energia contracultural da blaxploitation.

Faça a Coisas Certa (1989)

Dir.: Spike Lee

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O terceiro filme de Spike Lee é até hoje considerado um dos melhores trabalhos do diretor, que se consagrou ao retratar várias facetas da experiência das pessoas negras nos Estados Unidos. Aqui, Lee explora seu próprio quintal, o bairro do Brooklyn, em Nova York. Tensões raciais, especulação imobiliária e violência policial explodem em um dia de verão e calor infernal, colocando diferentes personagens diante da escolha entre a violência e a não violência, numa metáfora sobre os caminhos escolhidos por Martin Luther King Jr. e Malcolm X, dois ícones da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Mas para além do tema sério, o filme se apoia fortemente em elementos da cultura pop, em especial a música, criando uma atmosfera muito específica onde se desenrola a trama.

 

Get on Up: A História de James Brown (2014)

Dir.: Tate Taylor

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Os motivos para assistir este filme são dois grandes artistas: James Brown, o rei do soul, cuja trajetória o filme narra, e o ator Chadwick Boseman, ainda galgando a escada para o estrelato, que desembocaria no sucesso de Pantera Negra, filme que o transformou num ícone cultural da estatura de Brown. Apoiado na atuação de Boseman, o filme refaz o trajeto de seu biografado a partir de retalhos sem ordem cronológica - o velho louco nos anos 1980, o órfão de lar partido, oinventor e disseminador do funk nos anos 1960 e 1970, a promessa do gospel dos anos 1950,  o Padrinho do Soul - tudo ao mesmo tempo.

Creed: Nascido para Lutar (2015)

Dir.: Ryan Coogler

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Antes de comandar Pantera Negra, maior filme com umsuper-herói negro já feito (em termos de escala e também de bilheteria), Ryan Coogler colocou o primeiro pezinho em Hollywood com este filme, que volta ao universo do lutador Rocky Balboa para dar novo sentido às velhas imagens. Em vez de um simples remake, Coogler parte de uma premissa semelhante à original - pugilista amador aproveita uma oportunidade irrecusável para desafiar um campeão que acredita estar diante de uma luta ganha -, mas coloca um trauma familiar no centro das motivações do protagonista, filho de Apolo Creed, velho amigo de Rocky. Também merece destaque a atuação de Michael B. Jordan, que Coogler já havia dirigido no independente Fruitvale Station, filme que fez Hollywood notar seu trabalho.

Corra! (2017)

Dir.: Jordan Peele

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Transformar o racismo no “vilão” de um filme de terror pode até parecer uma premissa não muito original, mas ainda são poucas as produções que se aproveitam desse horror bem real. E é exatamente isso que Jordan Peele faz de modo muito original em Corra!, filme que se tornou sensação em 2017 ao jogar com o modo insidioso como o racismo atua, os clichês (muitas vezes racistas) de filmes de terror, muito suspense e uma pitada de humor. A trama começa simples - Chris (Daniel Kaluuya) vai passar um fim de semana no campo para conhecer a família de sua nova namorada branca - e vai se tornando cada vez mais surreal conforme as coisas avançam. O desfecho é surpreendente, mas não vamos dar spoilers!

O Ódio que Você Semeia (2018)

Dir.: George Tillman Jr.

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O filme, baseado no best-seller homônimo da escritora Angie Thomas, passou quase despercebido pelos cinemas brasileiros, mas traz temas que infelizmente continuam a parecer cada vez mais atuais. Na trama, a adolescente Starr Carter (Amandla Stenberg) presencia o assassinato de seu melhor amigo por um policial, durante uma blitz de rua. O crime e seus desdobramentos colocam em cheque a casca que a adolescente, que mora em um bairro pobre, criou para não se destacar como a garota negra entre os jovens brancos de seu colégio de elite. Além do tema urgente, outro grande destaque do filme é a atuação de Stenberg, conhecida como a Rue de Jogos Vorazes, que dá ao drama a gravidade e a presença de cena que o seu papel exige.

As Ondas (2019)

Dir.: Trey Edward Shults

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Destacado ano passado nas premiações dedicadas aos filmes que promovem a visibilidade negra, As Ondas se organiza como um díptico controverso: a primeira metade, sobre um adolescente que entra numa espiral de agressões quando não corresponde às expectativas criadas pelo pai exigente, parece fazer um compilado de estigmas da juventude negra americana, enquanto a segunda metade oferece um bálsamo plácido a título de acordo racial que reconcilie a cisão entre brancos e negros do país. É uma escolha que parte de um cineasta branco e dá pra problematizar isso de várias maneiras, mas é inegável que o diretor Trey Edward Shults bota suas energias e suas ambições narrativas neste seu terceiro longa (a casa usada no filme inclusive parece a mesma de Krisha, filme de estreia de Shults, o que já indica o que esperar do nervosíssimo vaivém de câmera de As Ondas).

Harriet (2019)

Dir.: Kasi Lemmons

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O longa reconta a história de uma importante personagem para a luta contra a escravidão nos Estados Unidos: Harriet Tubman, aqui interpretada por Cynthia Erivo, que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz pelo papel. Sob uma aura mística, e com o canto como uma presença marcante, o longa narra, em duas partes, a história da mulher que escapou da escravidão e depois ajudou centenas de outras pessoas escravizadas a fugir do mesmo destino durante a Guerra Civil norte-americana, tornando-se uma heroína lembrada ainda hoje.

Simonal (2019)

Dir.: Leonardo Domingues

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Fabrício Boliveira vive Wilson Simonal, uma das personalidades mais intrigantes da música brasileira, que teve uma ascensão meteórica de malandro carioca a astro da música popular, mas caiu em desgraça ao ser apontado como colaborador da ditadura militar. O longa segue a fórmula tradicional das cinebiografias, mas brilha pelo apelo único do cantor, sustentado pela marcante interpretação de Boliveira. A trama acompanha a conquista do sucesso e a abrupta queda que veio em seguida, fruto de seu desastrado envolvimento com o DOPS. Sem isentá-lo da culpa pela tortura de seu contador, o filme explora também as consequências que essa decisão teve para a vida do cantor.

BÔNUS: Amazing Grace (2018)

Dir.: Alan Elliot

Este aqui é um bônus, porque só entra no catálogo do Telecine no dia 26 de novembro, mas já vale anotar na listinha. O filme é o registro de um show de Aretha Franklin em uma igreja batista de Los Angeles, em 1972, filmado pelo cineasta Sydney Pollack. Mas uma tragédia de erros fez com que o filme ficasse “perdido” por mais de 40 anos. Na época, uma falha na sincronização entre o áudio e as imagens relegou os negativos a um cofre da Warner Bros. Quando já havia tecnologia capaz de resolver esse problema, uma disputa judicial entre a cantora e o produtor Alan Elliot, que havia assumido a tarefa de finalizar o filme, impediu o lançamento por mais alguns anos. Mas a espera valeu a pena: assistir à celebração gospel capitaneada pela rainha do soul é uma experiência transcendental.

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