Cartaz de 10 Coisas que eu Odeio em Você

Créditos da imagem: Touchstone Pictures

Filmes

Lista

30 comédias românticas essenciais para assistir em junho

No mês dos namorados, recomendamos um filme por dia

Julia Sabbaga e Mariana Canhisares
30.06.2020
12h21

As comédias românticas costumam seguir uma estrutura bastante familiar: duas pessoas se conhecem; nasce ali uma faísca, mas algo os impede de ficarem juntos; enfrenta-se o problema; e, enfim, o beijo. Porém, mesmo com uma fórmula tão conhecida, o gênero oferece variações que podem agradar todo o tipo de gosto. Há filmes mais doces, mais clássicos, musicais, melancólicos e até tragicômicos. Seja qual for a sua preferência, fato é que existem algumas produções simplesmente memoráveis demais para ficarem de fora de qualquer lista de melhores longas.

Assim como fizemos a lista dos 31 filmes essenciais de terror em outubro, vamos indicar 30 comédias românticas durante junho. Um tema apropriado, afinal estamos no mês do Dia dos Namorados e, convenhamos, a quarentena é uma boa oportunidade para se fazer uma maratona. 

Vale lembrar que usamos um critério bem específico para separar as comédias românticas dos outros gêneros de filme. Para entrar na nossa lista, a dinâmica amorosa entre duas ou mais pessoas deve ser a força motora do filme, e não apenas um acontecimento na vida de protagonistas. Segundo este critério, não espere encontrar filmes ótimos como As Patricinhas de Beverly Hills ou A Mentira; apesar das personagens terem um arco que se encerra em um encontro romântico, nenhum dos dois filmes têm um objetivo amoroso específico.

Confira abaixo nossa lista das 30 comédias românticas essenciais:

10 Coisas que Eu Odeio em Você

Heath Ledger e Julia Stiles em 10 Coisas que eu Odeio em Você
Touchstone Pictures

1999
Direção: Gil Junger
Onde assistir? Disponível para streaming no Netflix e Telecine Play e para aluguel e compra no Google Play e iTunes Store. 

Para começar a lista das melhores comédias românticas, escolhemos uma que certamente está no topo para muita gente. 10 Coisas que eu Odeio em Você tem tudo que você pode pedir de uma comédia romântica: uma história clássica, personagens relacionáveis e carismáticos, um elenco certeiro em seu momento pré-fama, ótimas piadas e até um número musical. Baseado em A Megera Domada, de William Shakespeare, 10 Coisas que eu Odeio em Você conta a história de duas irmãs totalmente diferentes, a popular Bianca e a rebelde Kat. Quando o pai delas proíbe que Bianca saia num encontro até que Kat faça o mesmo, garotos da escola formulam um plano para que o desajustado Patrick conquiste a mais velha.

O filme que lançou as carreiras de Julia Stiles, Heath Ledger e Joseph Gordon Levitt é incrivelmente esperto e moderno, e mesmo sendo baseado em Shakespeare e lançado em 99, não há nada de ultrapassado nele. É difícil não lembrar de 10 Coisas toda vez que se faz uma lista de comédias românticas - a serenata de Patrick, o poema de Kat, o soco da Bianca e a dupla de Cameron e Michael - são perfeitos demais para esquecer.

DOENTES DE AMOR

Kumail Nanjiani e Zoe Kazan em Doentes de Amor
Doentes de Amor/Amazon Studios/Reprodução

2017
Diretor: Michael Showalter
Onde assistir? Disponível nos streamings Telecine Play e Globoplay.

Se tem uma coisa que não falta a Doentes de Amor é coração. O longa baseado na história dos roteiristas Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani começa como muitos namoros, isto é, como um lance de uma noite só que naturalmente vai ficando mais sério. No entanto, a pressão familiar para que Kumail se case com uma jovem paquistanesa põe um fim prematuro na relação. Reatar parece impossível até que Emily é internada no hospital com uma doença grave e não identificada. De repente, Kumail se vê encarando de frente o dilema entre seguir a tradição cultural do seu país ou tentar retomar seu grande amor. Tudo isso enquanto ainda tenta conquistar a confiança dos ex-sogros, que ele acaba de conhecer na sala de espera do hospital.

É difícil não se encantar com essa complicada história de amor. Com um elenco carismático e muito divertido, que inclui Zoe Kazan, Holly Hunter e Ray Romano, Doentes de Amor traz leveza a uma situação grave, sem nunca perder a chance de fazer uma piada. O mesmo vale para as barreiras culturais, que, claro, permeiam toda a narrativa. O roteiro de Nanjiani e Gordon encontra o equilíbrio perfeito entre sensibilidade e comentários afiados, inclusive quando brinca com a dinâmica do cortejo, não entre os protagonistas, mas entre Kumail e os pais de Emily. Fazendo o público rir, chorar e se apaixonar, Doentes de Amor certamente mereceu sua indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 2018 e é destaque entre os últimos lançamentos do gênero.

COM AMOR, SIMON

Nick Robinson em Com Amor, Simon
20th Century Fox/Divulgação

2018
Diretor: Greg Berlanti
Onde assistir? Disponível para aluguel e compra na iTunes, Google Play e Microsoft Store.

"Tenho pensado em por que não me assumi ainda. Talvez, porque não pareça justo que só gays tenham de se assumir. Por que ser hétero é o padrão?", escreve o protagonista de Com Amor, Simon. De fato, a experiência de jovens LGBTs com suas famílias e colegas de escola nem sempre é tranquila, mas a comédia romântica teen certamente traz um olhar sensível para representar esse momento de descoberta, sem nunca resumir a personalidade de Simon e seus amigos às suas sexualidades.

No filme, o personagem de Nick Robinson ouve a fofoca de que um colega é gay. Embora não saiba quem ele é, Simon tem um endereço de e-mail e decide mandar uma mensagem para ele, dizendo que ele não está sozinho. Um e-mail aos poucos se torna uma longa conversa, na qual ambos compartilham seus primeiros crushes, seus medos e inseguranças e dão o apoio que não sentiam fora do mundo virtual.

Com Amor, Simon é um filme que realmente dá um calorzinho no coração. Fora o romance central, o protagonista tem dilemas com os amigos da escola que, apesar de serem todos bastante compreensíveis e cabeça aberta, vivem também suas picuinhas. Há ainda o doce relacionamento dele com seus pais e o receio constante de que tudo pode mudar com a simples informação de que ele gosta de garotos. É um filme, portanto, que ainda trabalha com elementos comuns das produções adolescentes. Seu diferencial está mesmo em tratar todos os personagens, sem exceção, como pessoas complexas, que cometem erros, e não estereótipos.

O Casamento do Meu Melhor Amigo

Julia Roberts, Dermot Mulroney e Cameron Diaz em O Casamento do meu Melhor Amigo
TriStar Pictures/Divulgação

1997
Diretor: P.J. Hogan
Onde assistir? Disponível para aluguel e compra na iTunes, e Microsoft Store.

Voltando aos anos 90, Casamento do Meu Melhor Amigo marca a primeira (mas não a última, claro que não) passagem da queridinha da América Julia Roberts pela nossa lista. Uma das coisas mais legais desta comédia romântica de 1997 é que ela subverte expectativas; Roberts, a protagonista, no fim das contas, é na realidade vilã. No longa, Roberts vive Julianne, uma mulher que decide acabar com o noivado de seu melhor amigo Michael (Dermot Mulroney) com Kimberly (Cameron Diaz) porque se vê espontaneamente apaixonada por ele. O interessante de Casamento do Meu Melhor Amigo é que ele te faz mudar de lado no meio do filme, porque ele se constrói de um jeito nada maniqueísta. Apesar do público torcer por Roberts no início, é difícil não se deixar levar pelo charme de Kim e repreender as ações de Julianne, passando a entender a protagonista como a garota malvada da história. Claro que para completar uma comédia romântica perfeita ainda há um número musical inesquecível com "I Say a Little Prayer", um melhor amigo maravilhoso como George (Rupert Everett) e um final franco, pé no chão e mais que justo para todos os envolvidos. 

Ela Quer Tudo

Ela Quer Tudo
40 Acres & A Mule Filmworks/Divulgação

1986
Diretor: Spike Lee
Onde assistir? Disponível para streaming na Netflix.

Quando falamos de comédias românticas mais realistas, Ela Quer Tudo é uma das primeiras da lista. Não apenas porque a estreia de Spike Lee na direção de um longa realmente quis retratar a vida do Brooklyn em 1986, mas porque a protagonista Nola Darling (Tracy Camilla Johns) é uma mulher pé no chão e à frente de seu tempo. No longa, a personagem é sexualmente independente e empoderada, o que causa um certo desconforto em seus três parceiros. Durante a trama, Nola se envolve com homens diferentes que representam diferentes tipos - um engraçado, um engomadinho e um protetor - mas que juntos talvez fossem o pacote completo para ela. 

Como comédia romântica, Ela Quer Tudo é diferente da maioria, não apenas por ser um filme totalmente independente (Lee filmou o longa em 12 dias e não pode refilmar cenas por falta de orçamento) mas pela sua naturalidade. O longa é direto, inclusive colocando seus personagens para falar com a câmera e resumir seus problemas e complexidades. Mas o filme entra na lista de comédias românticas essenciais não apenas por seu cuidado artístico que torna o filme bonito demais de ver, mas pela graça de toda a relação entre Nola e cada um dos parceiros (um deles interpretado pelo próprio Spike Lee em uma performance hilária), e a relação dos três homens entre si, que é maravilhosa de ver.

Alguém Tem Que Ceder

Alguém tem que ceder
Warner Bros./Divulgação

2003
Direção: Nancy Meyers
Onde Assistir? Disponível para aluguel/compra no LookeGoogle Play e iTunes Store

Uma das grandes mestres quando se trata de comédias românticas é Nancy Meyers, roteirista de alguns clássicos como O Pai da Noiva, Operação Cupido e outros filmes que ainda vão aparecer na nossa lista. Mas a primeira presença de Meyers entre nossas comédias românticas essenciais é com Alguém Tem Que Ceder, um daqueles filmes doces que quebraram a barreira de produções tipicamente indicados ao Oscar e chegou na Academia, com uma indicação à Diane Keaton por sua performance como Erica Barry, uma escritora que há tempos desistiu do amor. Mas quando o solteirão Harry Sanborn (Jack Nicholson) surge inesperadamente como parceiro de sua filha (Amanda Peet), a relação acaba virando a vida dos dois de cabeça para baixo.

Alguém Tem Que Ceder não funcionaria sem as performances simplesmente perfeitas de seus dois protagonistas, Keaton (que levou o Globo de Ouro além da indicação ao Oscar) e Nicholson, que interpretam papéis escritos especificamente para eles. Mas o filme ainda brilha por seus personagens coadjuvantes, desde o médico e parceiro ideal interpretado por Keanu Reeves, a filha atuada por Peet e a irmã de Erica, Zoe, vivida pela sempre ótima Frances McDormand. Apesar do papel pequeno, McDormand lidera uma das cenas mais legais de Alguém Tem Que Ceder, quando faz um discurso sobre as injustiças de gênero em um jantar nada confortável.

Um Lugar Chamado Notting Hill

Julia Roberts e Hugh Grant em Um Lugar Chamado Notting Hill
Working Title Films/Divulgação

1999
Direção: Roger Michell
Onde Assistir? Disponível para streaming no Telecine Play e para compra e aluguel no Looke, Google Play e iTunes Store.

Nem estamos na 10ª posição e já temos duas Julia Roberts na lista. Sim - e pode acreditar, esta ainda não é sua última passagem. Mas em 1999 a atriz estrelou uma comédia romântica inglesa que rendeu um dos papéis mais legais de sua carreira, que encaixa perfeitamente com ela. Em Um Lugar Chamado Notting Hill, Roberts interpreta uma atriz americana mundialmente conhecida, Anna Scott, que pelo acaso do destino se relaciona com um sujeito qualquer, William Thacker (Hugh Grant) e acaba entrando em sua vida tipicamente inglesa. Notting Hill é ótimo por diversos motivos, e um de seus maiores é o roteiro afiado de Richard Curtis, que investe tanto em Anna quanto em William mil qualidades e defeitos.

Há uma certa esperteza em escalar a maior estrela da época no papel de Anna (Roberts, inclusive, era “a única atriz para o papel”, segundo a produção), que dá peso para qualquer cena dela, mas é a humanidade de todos personagens é o que faz Notting Hill tão bom. Os protagonistas são legais, engraçados, cometem erros, se arrependem, e tudo é relacionável e compreensível. E claro que tudo isso é embalado por uma trilha sonora memorável - com destaque para “She”, de Charles Aznavour - e retratado com maestria nas mãos do diretor Roger Michell, que no meio do filme apresenta a passagem do tempo com uma sequência icônica.

LISBELA E O PRISIONEIRO

Débora Falabella e Selton Mello em Lisbela e o Prisioneiro
Globo Filmes/Divulgação

2003
Diretor: Guel Arraes
Onde assistir? Disponível para aluguel e compra na iTunes, Google Play e Looke.

Se tem alguém que ama comédias românticas como nós é Lisbela. De tanto ir ao cinema, ela sabe cada passo que os personagens vão tomar até o tão aguardado beijo. Logo, sua divertida e caótica história de amor com o malandro Leléu não poderia ficar de fora da nossa lista.

De fato, Lisbela e o Prisioneiro é um indispensável representante do gênero no cinema nacional. Não apenas pela sua divertida metalinguagem, já que a história dos protagonistas segue a estrutura dos capítulos do seriado acompanhado pela mocinha, mas também pelo seu humor e sua representação do amor impossível aos moldes brasileiros, brincando com os costumes e o exagero como só a comédia nacional sabe fazer. As confusões, a rapidez dos diálogos, as performances de protagonistas e coadjuvantes. A combinação precisa e irreverente destes elementos torna esse longa realmente apaixonante. Como bem sugere Lisbela ao final, é um daqueles filmes que é difícil de dizer adeus depois que rolam os créditos.

PARA TODOS OS GAROTOS QUE JÁ AMEI

Lana Condor e Noah Centineo em Para Todos os Garotos que Já Amei
Para Todos os Garotos que Já Amei/Netflix/Reprodução

2018
Diretora: Susan Johnson
Onde assistir? Disponível na Netflix.

Lisbela, porém, não é a única personagem apaixonada por comédias românticas e histórias de amor emocionantes desta lista. A doce e tímida Lara Jean também não perde uma oportunidade para imaginar sua vida como um filme. Por isso, tudo é tão fofo e colorido à sua volta, mesmo quando a situação fica mais dramática com o popular Peter Kavinsky.

Para Todos os Garotos que Já Amei virou um fenômeno na Netflix e não é difícil de entender o por quê. Embora em muitos pontos o longa lembre produções adolescentes comuns, ele tem um quê de clássico. Talvez pela clara influência de John Hughes, talvez pela sua sensibilidade e doçura únicas. Ou, ainda, talvez seja o inegável romantismo no simples ato de mandar cartas de amor. Fato é que o filme transborda carisma. O romance, a relação entre as irmãs Covey. É adorável.

O Diário de Bridget Jones

O Diário de Bridget Jones
Miramax/Divulgação

2001
Diretora: Sharon Maguire
Onde assistir? Disponível para compra/aluguel no Looke.

Mais uma vez Hugh Grant figura na nossa lista (e já deixando a dica, não será a última passagem do inglês por aqui) mas desta vez ele não é o romântico e apaixonado. Em O Diário de Bridget Jones, Grant interpreta um dos interesses amorosos da protagonista, que vive uma vida conturbada por diversos motivos e dividida em uma relação de amor e ódio tanto com ele quanto com Mark Darcy (Colin Firth). 

Baseado no livro de Helen Fielding, e uma reinterpretação de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, O Diário de Bridget Jones tem tanto carisma e graça que não poderia ficar de fora. Um dos motivos para o tamanho sucesso da comédia romântica é a escolha da protagonista, Renée Zellweger, uma das decisões mais controversas da produção, já que ela é uma atriz magra e texana, escolhida para o papel de uma inglesa rechonchuda. Mas é um deleite ver o que Zellweger fez com o papel - não apenas por engordar 12 quilos e treinar um sotaque inglês muito válido - mas ela entrega uma performance irresistível (e uma interpretação dublada de “All By Myself” inesquecível nos créditos iniciais) que acabou lhe rendendo indicações em todas as grandes premiações: Oscar, BAFTA, Globo de Ouro e SAG (Sindicato de atores). Como se não bastasse tudo isso para entrar na nossa lista, O Diário de Bridget Jones também é a única trilogia de comédia romântica do milênio, e a única trilogia cinematográfica a ter todos os seus filmes dirigidos por mulheres. 

A PROPOSTA

Sandra Bullock e Ryan Reynolds em A Proposta
Touchstone Pictures/Divulgação

2009
Diretora: Anne Fletcher
Onde assistir? Disponível para streaming Netflix e Telecine Play e para aluguel e compra no iTunes e Google Play.

Antes de se encontrar no papel de Deadpool, Ryan Reynolds protagonizou uma boa cota de comédias românticas. Não há dúvidas de que títulos como Apenas Amigos e Três Vezes Amor sejam divertidos, porém nenhum deles é tão engraçado quanto A Proposta. Contracenando com Sandra Bullock, outra atriz bastante familiar com o gênero, o ator protagonizou a história de um editor infeliz que definitivamente odeia sua chefe workaholic, mas que de repente se vê coagido a casar com ela para garantir que ela possa ficar nos Estados Unidos trabalhando.

A química entre Reynolds e Bullock é palpável. Não à toa, alguns dos momentos mais hilários e fofos desta história que transforma ódio em amor, como o dueto de “It Takes Two”, esbanjam carisma pelo timing cômico e a sincronia da dupla. No entanto, é inegável que os coadjuvantes do filme roubam a cena. A performance de Betty White como a Vovó Annie e Oscar Nuñez como o faz-tudo Ramone são divertidíssimos e tornam a celebração do casamento (a princípio) de fachada ainda mais memorável. Como esquecer da cena do striptease e a coreografia de "Get Low" na floresta?

Do Que as Mulheres Gostam

Mel Gibson em Do Que As Mulheres Gostam
Paramount Pictures/Divulgação

2000
Diretora: Nancy Meyers
Onde assistir? Disponível no Amazon Prime Video

Lançado em 2000, Do Que as Mulheres Gostam tinha tudo para se tornar um filme datado, já que é sobre um mulherengo que de repente passa a ouvir os pensamentos das mulheres ao seu redor. Mas o filme liderado por Mel Gibson tem um nome ainda maior nos bastidores, Nancy Meyers. A mestre das rom-coms (que já apareceu na nossa lista com Alguém Tem Que Ceder) não deslizou nem um pouquinho, e criou um filme tão sensível que pode ganhar a simpatia de qualquer um.

O legal de Do Que as Mulheres Gostam é que Nick Marshall, descrito como um “homem de homens”, é sexista e nada profissional, mas quando passa a ouvir o que as mulheres pensam, ao invés de tirar proveito (o que ele faz sim no início, afinal, quem não faria?), ele se vê muito mais inclinado a entender a perspectiva feminina, chegando inclusive a ser afetado por ela. Claro que tudo isso é envolto por ótimas piadas, uma trilha sonora memorável e uma performance simplesmente perfeita de Mel Gibson.

De Repente 30

Jennifer Garner e Mark Ruffalo em De Repente 30
Divulgação

2004
Diretor: Gary Winick
Onde assistir? Disponível para streaming na Netflix e Amazon Prime Video e para aluguel e compra no iTunes e Looke.


Como não se apaixonar pela inocência de Jennifer Garner em De Repente 30? Vivendo uma adolescente que subitamente chega à fase adulta e entende que seu melhor amigo é o amor da sua vida, a atriz protagonizou uma das comédias românticas mais queridas dos anos 2000. Afinal, a ideia de levar os dilemas dos longas adolescentes para o universo adulto realmente trouxe uma fofura muito única à jornada dos protagonistas Jenna e Matt, além de representar perfeitamente a sensação de se estar diante de um novo amor. Não à toa, a história foi referenciada no clipe de Ariana Grande para o single “thank u, next” ao lado de outras produções icônicas, como Legalmente Loira.

Somada à performance adorável de Garner, a atuação de Mark Ruffalo como o boy next door dos sonhos não deixa outra saída a não ser torcer pelos dois. O elenco de apoio, com Judy Greer e Andy Serkis, também garante ótimos momentos, fazendo com que De Repente 30 tenha sempre um lugar nos nossos corações.

Scott Pilgrim Contra o Mundo

Michael Cera e Mary Elizabeth Winstead em Scott Pilgrim Contra o Mundo
Scott Pilgrim Contra o Mundo/Divulgação

2010
Diretor: Edgar Wright
Onde assistir? Disponível para streaming na Netflix e Prime Video, e para compra/aluguel digital no Google Play, iTunes e Looke

Não é muito comum ver Scott Pilgrim Contra o Mundo em uma lista de comédias românticas essenciais, mas também não há motivos para que ele fique de fora. Existem mil elementos que fazem com que ele seja categorizado em outros gêneros, afinal ele é também uma aventura, uma fantasia e uma comédia recheada de piadas originais. Mas no fundo, Scott Pilgrim Contra o Mundo tem uma trama semelhante a qualquer filme de garoto ama garota. Apesar do visual totalmente inspirado no universo de games e HQs, o longa é uma simples história de um rapaz que faz de tudo para acabar ao lado da menina dos seus sonhos.

A história de Scott Pilgrim, que precisa derrotar os sete ex-namorados de Ramona Flowers para conseguir ficar ela, é recheado de cenas de luta, e tem uma estética absolutamente única. A direção de Edgar Wright, como sempre, é perfeita, e o filme é repleto de personagens que, por mais caricatos que sejam, são totalmente identificáveis.

Uma Linda Mulher

Uma Linda Mulher
Disney/Divulgação

1990
Diretor: Garry Marshall
Onde assistir? Disponível para streaming no Telecine Play e para compra/aluguel no Google Play e iTunes.

Claro que a lista de comédias românticas essenciais não poderia ficar sem Uma Linda Mulher. O filme com Julia Roberts e Richard Gere pode ter envelhecido e se tornado um tanto questionável, mas toda a química do casal, e a história que é basicamente a Cinderella dos anos 90, ficou marcada para sempre no cinema.

Uma Linda Mulher é simplesmente um conto de fadas de Hollywood, recheado de cenas que ninguém consegue esquecer. O momento em que Vivian é expulsa da loja, o jantar em que ela joga o escargot pro alto (depois refeita, com o mesmo ator vivendo o garçom, em Diário da Princesa, também do diretor Garry Marshall) ou claro, a montagem das compras ao som do clássico de Roy Orbison. A relação do casal de Uma Linda Mulher pode não ter resistido ao teste do tempo, mas Vivian Woods por si só é uma protagonista inesquecível, que revelou ao mundo não apenas a risada icônica de Julia Roberts como todo o seu talento como estrela de comédias românticas. 

A Garota de Rosa-Shocking

A Garota de Rosa-Shocking
Paramount Pictures

1986
Diretor: Howard Deutch
Onde assistir? Disponível para streaming no Telecine Play e para compra/aluguel na Microsoft StoreGoogle Play e iTunes.

O mestre dos anos 80 John Hughes também não poderia escapar da nossa lista de comédias românticas, e apesar de ser aclamado por diversas histórias - desde Gatinhas e Gatões até Encontro de Amor - seu roteiro que entra na nossa seleção é A Garota de Rosa-Shocking, de 1986. No clássico, a queridinha da época, Molly Ringwald, vive uma garota cheia de personalidade, mas vê uma barreira de classe quando se apaixona por um garoto muito mais rico, e ainda lida com a paixão de seu melhor amigo por ela. 

A Garota de Rosa-Shocking apresenta os traços comuns da comédia romântica, mas é especialmente legal por causa da excentricidade da protagonista Andie e seu melhor amigo Duckie. Por mais que siga o padrão do gênero, A Garota de Rosa-Shocking conquista por ser uma homenagem discreta aos esquisitos, esbanjando trajes cheios de estilo (tirando aquele terrível vestido do baile de formatura) e cenas clássicas, como a inesquecível dança de Jon Cryer.

SIMPLESMENTE AMOR

Hugh Grant em Simplesmente Amor
Universal Pictures/Divulgação

2003
Diretor: Richard Curtis
Onde assistir? Disponível para streaming na Amazon Prime Video e para aluguel e compra na Google Play e no iTunes.

A primeira paixão, o triângulo amoroso entre melhores amigos, um romance que extrapola a barreira do idioma, um interesse platônico e um primeiro encontro entre colegas de trabalho. Como bem canta Bill Nighy, "o amor está por toda a parte" em Simplesmente Amor.

Autor de verdadeiros clássicos das comédias românticas, como o já mencionado Um Lugar Chamado Notting Hill, o roteirista e diretor Richard Curtis volta a marcar presença na nossa lista dessa vez com um filme natalino que lançou tendência em Hollywood. Reunindo um elenco impressionante, com nomes como Colin Firth, Emma Thompson, Keira Knightley e Alan Rickman, Curtis se debruçou sob diferentes histórias de amor, propondo dilemas variados e não apenas românticos. Alguns inusitados, outros muito facilmente relacionáveis.

Além de charmosas, as histórias estão repletas de momentos icônicos. Como se esquecer da cena do Hugh Grant dançando? Ou da adorável declaração de amor de Andrew Lincoln através de cartazes? Ou, ainda, da música chiclete que Nighy canta o filme todo? Embora a indústria tenha tentado recriar o carisma de Simplesmente Amor em outras produções, como Noite do Ano Novo, nenhuma chegou de verdade aos pés deste filme. É por isso que ele é um clássico, tanto no Natal, quanto no mês dos Namorados.

CASAL IMPROVÁVEL

Seth Rogen e Charlize Theron em Casal Improvável
Summit Entertainment/Divulgação

2019
Diretor: Jonathan Levine
Onde assistir? Disponível para streaming na Amazon Prime Video e para aluguel e compra na Microsoft Store, Google Play, Looke e no iTunes.

O garoto apaixonado pela sua babá é uma premissa bastante tradicional nas comédias românticas. Porém, imaginar que 20 anos depois eles podem ter uma chance, enquanto ela se lança candidata à Presidência dos Estados Unidos? Realmente, é inegável que há um ineditismo e uma criatividade muito especiais em Casal Improvável.

No entanto, a premissa é apenas a ponta do iceberg da singularidade da obra do diretor Jonathan Levine. Aqui, o experiente comediante Seth Rogen se aventura interpretando um personagem mais doce e sensível, enquanto a brilhante Charlize Theron mostra que não apenas tem um timing cômico perfeito, como prova que de fato não há nada que ela não saiba fazer. A própria escolha dos protagonistas é, por natureza, curiosa e intrigante. Com um elenco desses e um humor ora bobo, ora ácido, não há como não se divertir com o filme - sério, a personagem de Theron tentando resolver uma crise chapada é simplesmente maravilhoso.

Ironicamente, Casal Improvável também tem um quê de clássico. Como O'Shea Jackson Jr. mesmo diz, Theron é o Richard Gere e Rogen, Julia Roberts, nessa divertida releitura de Uma Linda Mulher. Por isso, é difícil não considerá-lo uma das melhores comédias lançadas nos últimos anos. Entre o clássico e o original, ela é hilária.

Nunca é Tarde para Amar

Nunca é Tarde Para Amar
Eclipse Catering/Divulgação

2007
Diretora: Amy Heckerling
Onde assistir? Indisponível nas plataformas digitais. Lançado em DVD no Brasil pela Califórnia Filmes.

As Patricinhas de Beverly Hills pode ter ficado de fora da nossa lista (porque não se encaixa em nossa definição de rom-com), mas escolhemos outra obra para honrar as divertidas histórias da diretora Amy Heckerling: Nunca é Tarde para Amar. Nesta comédia romântica, a cineasta acompanha a história de Rosie, uma mulher com 40 anos que de repente se vê apaixonada por um colega de trabalho consideravelmente mais novo. Enquanto tenta superar os tabus sociais - muitos dos quais ela mesma se impõe através da figura da Mãe Natureza -, ela ajuda sua filha pré-adolescente a entender como funcionam as coisas do amor.

Assim como o clássico teen, Nunca é Tarde para Amar é extremamente carismático. Primeiro, pelo seu elenco. A química entre o casal de protagonistas Michelle Pfeiffer e Paul Rudd é palpável e rende momentos adoráveis e muito divertidos, que exploram o melhor de cada um dos atores. De quebra, é um dos primeiros papéis de Saoirse Ronan, que já mostrava seu talento tão nova - inclusive, sua versão para "Ironic", de Alanis Morissette, é uma das melhores cenas de todo o filme. No entanto, o charme do longa está no paralelo dos dilemas de mãe e filha que, ironicamente, não são tão distantes assim. 

Dormindo Com as Outras Pessoas

Alison Brie e Jason Sudeikis em Dormindo com as Outras Pessoas
Gloria Sanchez Productions/Divulgação

2015
Diretora: Leslye Headland
Onde assistir? Disponível em streaming no Telecine Play e Globoplay.

Dormindo com as Outras Pessoas pode não ser lá tão conhecido, mas o grande sucesso de sua estreia em Cannes em 2015 não foi gratuito. Dirigido por Leslye Headland e liderado maravilhosamente por Alison Brie e Jason Sudeikis, esta comédia romântica foca em um casal de amigos nada comum, que se une pela sua incapacidade de manter um compromisso. Assim, já é bem fora da caixinha quando nossos dois protagonistas se reencontram, anos depois de terem perdido a virgindade juntos, em uma reunião de viciados em sexo. 

Enquanto Dormindo Com As Outras Pessoas não foge de falar de assuntos na lata, existe o romance nunca realmente assumido entre Lainey e Jake que é simplesmente irresistível. Seguindo aquela velha tradição de melhores amigos que não querem ser um casal (mas inevitavelmente se tornam um), o filme de Headland tem um charme moderno e único, que apesar de recente, já entrou na lista de essenciais. 

Talvez uma História de Amor

Talvez uma História de Amor
Warner Bros. Brasil

2018
Diretor: Rodrigo Bernardo
Onde assistir? Disponível para streaming no HBO Go e para compra no iTunes e Google Play.

Geralmente, os romances começam com uma intensa troca de olhares, um encontro desastrado ou aquele desentendimento com uma atração disfarçada. Porém, o brasileiro Talvez Uma História de Amor toma uma decisão interessante para narrar o caso de Virgílio e Clara. Em vez de escolher o flerte, ele começa justamente pelo término. 

Certo dia, o personagem de Mateus Solano chega em casa e vai escutar as mensagens na sua secretária eletrônica. Para a sua surpresa, uma tal de Clara anuncia o fim do namoro deles com muito pesar. No entanto, Virgílio não tem ideia de quem ela seja. Era o fim de algo que ele sequer sabia que tinha começado, e isso instiga sua curiosidade, claro.

Referenciando histórias de amor adoradas, como Sintonia de Amor e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, o diretor Rodrigo Bernardo lança Virgílio em uma divertida investigação que em última instância o leva a fazer descobertas sobre si mesmo. Tudo isso embalado por uma trilha sonora que brinca justamente com os dilemas de seu protagonista, com músicas como “Me Encontra”, do Charlie Brown Jr., e “September”, da banda Earth, Wind & Fire, basicamente perguntando a ele "você se lembra?". Em resumo, Talvez Uma História de Amor é uma graça e um belo exemplo da qualidade das comédias românticas nacionais.

Mensagem Para Você

Meg Ryan e Tom Hanks em Mensagem Para Você
Warner Bros./Divulgação

1998
Diretora: Nora Ephron
Onde assistir? Disponível para compra e aluguel no Google PlayiTunesLooke e Microsoft Store.

Demorou, mas finalmente uma das rainhas das comédias românticas, Meg Ryan, figurou na nossa lista. Mais do que isso, nosso 22º filme é dedicado a um dos maiores casais já formados no cinema: Meg Ryan e Tom Hanks, que juntos fizeram Joe Contra o Vulcão (1990), Sintonia de Amor (1993) e Mensagem Para Você, uma das melhores comédias românticas já feitas. O último, escrito e dirigido por Nora Ephron, é a adaptação de uma peça húngara, que já tinha sido levada ao cinema no filme de 1940, A Loja da Esquina

Assistir Mensagem Para Você hoje em dia é certamente uma experiência engraçada. Cheio de discussões sobre tecnologia e o avanço da internet, é hilário assistir a conexão discada dos personagens e o jeito arcaico com o qual os dois se comunicavam. De resto, todas as personalidades, piadas e até energia que cerca o namoro virtual segue bastante atual. Na história, Kathleen e Joe mantém um relacionamento anônimo na internet enquanto, na vida real, se odeiam. Mas claro que tudo é tão doce quanto parece e a química dos dois é inigualável. No filme, Meg Ryan esbanja charme enquanto Tom Hanks vive um empresário sem escrúpulos inevitavelmente adorável, e os dois formam um casal que não se vê facilmente por aí. 

COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ

Adam Sandler e Drew Barrymore em Como Se Fosse a Primeira Vez
Como Se Fosse a Primeira Vez/Columbia Pictures/Reprodução

2004
Diretor: Peter Segal
Onde assistir? Disponível para streaming na Netflix, Amazon Prime Video, Telecine Play e Globo Play, e para compra e aluguel no Google Play, Microsoft Stores, iTunes e Looke.

Enquanto alguns casais de longa data buscam maneiras de recriar aquele frio na barriga ou aquela fagulha que deu início ao seu romance, Henry e Lucy revivem essa sensação todos os dias em Como Se Fosse a Primeira Vez.

A romântica história de amor do garanhão, idolatrado por todos os seus breves casos, que se apaixona justamente pela mulher que se esquece dele todas as noites está entre os filmes mais adorados da filmografia de Adam Sandler. Talvez pelo humor bobo e irreverente do comediante e do elenco coadjuvante, com nomes como Rob Schneider e Sean Astin. Talvez pelo fato de que Drew Barrymore não poderia estar mais charmosa. Mas certamente o fator mais encantador da produção está em acompanhar a jornada de alguém disposto a reconquistar o amor da sua vida dia após dia, por mais complicada que essa tarefa possa ser. Pois é, Adam Sandler é um romântico!

O VIRGEM DE 40 ANOS

Steve Carell e Catherine Keener em O Virgem de 40 Anos
O Virgem de 40 Anos/Universal Pictures/Reprodução

2005
Diretor: Judd Apatow
Onde assistir? Disponível para streaming no Telecine Play, e para compra e aluguel no Looke, Google Play e iTunes

O Virgem de 40 Anos geralmente é lembrado por suas muitas cenas hilárias, como toda a sequência da depilação ou as numerosas tentativas falhas de Andy agir como um garanhão. Porém, o primeiro longa-metragem de Judd Apatow é, na verdade, uma comédia romântica muito fofa.

Embora seus amigos tentem ensiná-lo como falar com mulheres por meio de regras no mínimo questionáveis, Andy vai desmistificando o sexo e o fantasma dos relacionamentos por conta própria, sendo apenas ele mesmo. Por isso, quando conhece Trish, tudo simplesmente flui e eles vivem um romance invejável. Nesse processo, até mesmo seus colegas passam por um processo semelhante, com David deixando a ex finalmente para trás e Jay assumindo seu compromisso como pai.

Não bastasse essa surpreendente virada, o que torna o filme ainda mais indispensável é seu elenco. Além de Steve Carell, engraçado como sempre, parece que todo mundo fez uma participação em O Virgem de 40 Anos. Jane Lynch, Jonah Hill e Elizabeth Banks são apenas alguns exemplos, além dos coadjuvantes Paul Rudd, Seth Rogen, Romany Malco e Catherine Keener. Com toda a certeza vale a pena ser revisto.

O Amor Não Tira Férias

O Amor Não Tira Férias
Universal Pictures/Divulgação

2006
Diretora: Nancy Meyers
Onde assistir? Disponível para streaming no Prime Video e Telecine Play, e para compra/aluguel no Looke e iTunes.

Cameron Diaz? Kate Winslet? Jude Law? Jack Black? Sim, isso mesmo, O Amor Não Tira Férias já seria inesquecível só pelo seu elenco, mas ele tem muito mais elementos que o tornam uma comédia romântica essencial. Não bastasse o roteiro e direção de Nancy Meyers (olha ela aqui de novo), o filme traz um retrato bem certeiro da desilusão amorosa e relacionamentos tóxicos (simbolizado perfeitamente por aquele chefe maldito da Kate Winslet, interpretado por Ruful Sewell).

Contando a história de duas mulheres que recentemente tiveram seus corações partidos, uma inglesa (Winslet) e uma americana (Diaz), O Amor Não Tira Férias dá o pontapé na trama quando as duas decidem trocar de casas para se afastar de suas vidas por certo período. O filme faz diversas piadas com a mudança de cultura e tradições, mas também tem momentos tocantes, como quando, em um jantar, a personagem de Kate Winslet se pergunta porque tem se comportado como “a melhor amiga” ao invés da personagem principal de sua própria vida. Cheio de personagens bem diferentes, mas que buscam o amor de modo geral, O Amor Não Tira Férias é uma daquelas românticas essenciais, que enche o coração ao mesmo tempo que tira sarro de todo tipo de comportamento. 

NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA

Diane Keaton e Woody Allen em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa/Rollins-Joffe Productions/Reprodução

1977
Diretor: Woody Allen
Onde assistir? Disponível para streaming no Telecine Play e para compra e aluguel no iTunes

"Eu jamais seria sócio de algum clube que aceitasse alguém como eu como sócio". A piada que abre Annie Hall (bizarramente nomeado no Brasil Noivo Neurótico, Noiva Nervosa) é uma ótima maneira de definir a visão do egocêntrico e arrogante comediante Alvy Singer (Woody Allen) sobre relacionamentos. Um ano depois do seu término com a sonhadora Annie (Diane Keaton), ele tenta entender o que deu errado numa tentativa de autoanálise que, ironicamente, reconhece poucos dos seus erros nesse processo.

Ao retratar os vais-e-vens do relacionamento central, Annie Hall faz mais do que mergulhar nas próprias neuroses do diretor Woody Allen. Na realidade, ele representa de maneira engenhosa as fases de qualquer namoro. No primeiro encontro de Alvy e Annie, por exemplo, o filme brinca com o dito e o não-dito, isto é, as inseguranças que passam na cabeça de qualquer pessoa que tenta impressionar um novo pretendente. Mais para frente, quando ambos vão para a análise, ele contrapõe as visões completamente antagônicas do casal para um mesmo fato.

A cena da lagosta, o carisma absolutamente apaixonante de Diane Keaton, o figurino e até o tradicional jeito insuportável de Allen tornam Annie Hall uma comédia romântica fascinante. No entanto, não se pode esquecer que hoje, muito devido à repercussão do movimento Me Too, o diretor se tornou uma persona non grata em Hollywood. Afinal, ele há anos é acusado de ter abusado da filha Dylan Farrow. Ainda que seja um clássico, assistir Annie Hall passa também por um debate político válido. Fazê-lo ou não fica, portanto, ao seu critério!

Abaixo o Amor

Abaixo o Amor
Fox 2000 Pictures/Divulgação

2003
Diretor: Peyton Reed
Onde assistir? Disponível para streaming no Prime Video e Telecine Play e para compra/aluguel no Looke.

Abaixo o Amor é um dos filmes mais diferentes de nossa lista de rom-coms essenciais, e isso é porque, mais do que doce, romântica e engraçada, esta produção parece uma caricatura. Uma homenagem aos filmes clássicos de comédia protagonizados por Rock Hudson e Doris Day, Abaixo o Amor retorna aos anos 60, com toda sua atitude pré-revolução sexual, e envelopa a época com discursos e atitudes bem moderninhas. Trazendo Renée Zellweger e Ewan McGregor como personalidades totalmente opostas - ela uma mulher moderna que prega a independência feminina e ele um garanhão clássico - Abaixo o Amor tem uma graça e um estilo únicos, muito por causa da direção de Peyton Reed

Apesar de ter recebido críticas mistas em sua época de lançamento, Abaixo o Amor hoje é ainda mais interessante de assistir do que lá em 2003. As discussões moderninhas do filme e toda sua atitude feminista é quase além de seu tempo, mas nada disso rouba o brilho da história de amor principal. Espertinha e carismática, a comédia romântica pode se passar nos anos 60, mas sua trama é atemporal.

LETRA E MÚSICA

Hugh Grant e Drew Barrymore em Letra e Música
Letra e Música/Warner Bros./Reprodução

2007
Diretor: Marc Lawrence
Onde assistir? Disponível para streaming na Netflix, e para compra e aluguel no Google Play, iTunes, Looke e Microsoft Store

Hugh Grant e Drew Barrymore voltam a marcar presença na nossa lista agora no fofo Letra e Música. Escrito e dirigido por Marc Lawrence, o longa acompanha a inusitada parceria entre Alex e Sophie, ambos assombrados em alguma medida por seus passados. Ele, um músico que desconhece o sucesso desde o fim da sua banda nos anos 1980. Ela, uma escritora que nunca se permitiu tentar de verdade por causa de um caso amoroso traumático. O encontro dos dois é quase um acaso, mas que deixa bastante clara sua química enquanto compositores. No entanto, tentando escrever uma balada para a artista pop mais bem-sucedida do momento, os dois percebem que eles são mais do que um bom time e a prova está justamente na sua obra, "Way Back Into Love".

Como o título bem sugere, a música é o fio condutor da jornada dos personagens. É a representação perfeita do que foi a carreira de Alex, com o hilário clipe de “PoP! Goes My Heart” e as baladas bregas que ele eventualmente compôs, mas também uma sátira da indústria musical com a figura da cantora Cora Corman (Haley Bennett). Contudo, é a composição de Adam Schlesinger que dá o tom apaixonante da história. "Way Back Into Love" é a síntese perfeita da personalidade dos protagonistas, destacando justamente o que torna as performances de Grant e Barrymore tão marcantes: a espontaneidade de Sophie e o cavalheirismo de Alex. Mas, mais do que isso, ela é uma balada realmente boa. É impossível terminar o filme sem cantarolar o refrão.

Como Perder um Homem em 10 Dias

Como Perder um Homem em 10 Dias
Paramount Pictures/Divulgação

2003
Diretora: Donald Petrie
Onde Assistir? Disponível em streaming na Netflix e Prime Video e para compra e aluguel no Google Play, Microsoft Store e iTunes

Sabe aquela experiência de re-assistir um filme anos depois e perceber todas aquelas coisas estranhas que passavam despercebidas em sua época? Como Perder um Homem em 10 Dias é um dos grandes exemplos disso. Recheado de normas de gênero bem esquisitas e construindo uma relação simplesmente bizarra entre dois protagonistas envolvidos em uma aposta - e por isso não podem terminar - o filme seria mais aflitivo do que divertido não fosse um fator fundamental: a química entre os dois atores principais. 

Existem casais de rom-com que ficaram para a história: Meg Ryan e Tom Hanks, Julia Roberts e Richard Gere, Drew Barrymore e Adam Sandler. A dupla Kate Hudson e Matthew McConaughey, estrelas de Como Perder um Homem em 10 Dias, poderia facilmente ser adicionado à lista. O carisma de cada um deles, e do casal unido, é o que faz da comédia romântica de 2003 tão simpática e sedutora. Claro que isso não basta para fazer de Como Perder um Homem em 10 Dias uma comédia romântica essencial, mas o filme ainda tem ótimas piadas, um vestido amarelo inesquecível, um grande momento musical e um elenco coadjuvante certeiro, principalmente pela estreia da maravilhosa Kathryn Hahn no cinema. 

Harry e Sally: Feitos um Para o Outro

Harry e Sally: Feitos um Para o Outro
Castle Rock Entertainment/Divulgação

A nossa lista de comédias românticas chega ao fim com, possivelmente, a rom-com mais essencial de todas, Harry e Sally: Feitos um Para o OutroLançado em 1989, o filme retrata os diversos encontros entre os dois protagonistas, que no início se odeiam e lentamente se tornam melhores amigos, principalmente quando passam por términos em seus respectivos relacionamentos. Estabelecendo o padrão para todos os filmes sobre amizades entre homens e mulheres (Amizade Colorida, De Repente é Amor e por aí vai), Harry e Sally basicamente ditou as regras do que as rom-coms seriam a partir de então, e é possível enxergar traços desse legado na maioria dos filmes da nossa lista. 

O retrato da relação dos dois, que passa por momentos hilários e sensíveis, é resultado de uma combinação perfeita entre o roteiro de Nora Ephron (Sintonia de Amor), a direção de Rob Reiner (A Princesa Prometida), e a performance e química entre Ryan e Crystal. Como se tudo isso não bastasse, Harry e Sally ainda tem Carrie Fisher como a melhor amiga, cenas que ficaram para a história do cinema (como o orgasmo na lanchonete), uma das declarações de amor mais lindas do gênero e foi indicado a Melhor Roteiro no Oscar, levando o prêmio na mesma categoria do BAFTA de 1990. 

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.