Filmes

Entrevista

Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois | Terror cearense sobre decadência da aristocracia chega aos cinemas

Exibido em dez países, filme contabiliza 18 prêmios

Rodrigo Fonseca
31.01.2017, às 10H59

Exibido em dez países, numa trajetória internacional coroada com 18 prêmios, entre os quais o de melhor filme no Festival Rojo Sangre, na Argentina, o thriller de horror Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois enfim chega ao circuito comercial brasileiro: estreia nesta quinta (2), simbolizando a vitalidade do audiovisual cearense e o diálogo nacional com as cartilhas do cinema de gênero. A direção é de Petrus Cariry, diretor de 39 anos, conhecido por cults como O Grão (2008) e Mãe e Filha (2011).

Rodado em Fortaleza e Maranguape, ao custo de R$ 1,2 milhão, o longa-metragem aposta num clima de terror psicológico e de erotismo para narrar o regresso ao lar de uma mulher presa aos desígnios de seu clã, Clarisse (Sabrina Greve, melhor atriz no Cine Ceará 2016 pelo papel). Ela vai passar um fim de semana com o pai moribundo na casa onde cresceu, um local decadente como a aristocracia nordestina, onde descobre segredos trágicos. Sua volta detona uma série de ódios e traumas, regados a sangue e sexo, num clima sufocante.

Na entrevista a seguir, Petrus aponta as conexões do longa com a tradição do terror.

Omelete: Com que tradição do horror Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois dialoga e de que maneira o roteiro trabalha com a cartilha do gênero?

Petrus Cariry: Eu sabia, desde o início do processo da feitura do roteiro, que o filme flertaria com cinema de gênero, que eu gosto bastante. Tenho um interesse pela linguagem e pelos códigos desse cinema. O filme Contos da Lua Vaga (1953), do Kenji Mizoguchi, por exemplo, trabalha com cinema de gênero de uma forma muito artística e densa. Esse filme bate em mim da mesma forma que um trabalho do John Carpenter (Halloween) ou William Friedkin (O Exorcista), que reverberam muito forte também. O roteiro de Clarisse trabalha muito com a suspensão do tempo e, consequentemente, com o acúmulo de tensões, gerando um filme do qual o público sai, no final da sessão, em estado de tensão. Eu creio ser interessante trabalhar a questão do filme de gênero, para usar e subverter alguns códigos. Existe uma parcela da cinefilia que ignora esse tipo de cinema, como se ele fosse um subproduto, o que eu acho um grande equívoco.

Omelete: De que maneira a questão da decadência em relação á aristocracia nordestina entra no projeto?

Petrus: Mais do questão da decadência da aristocracia nordestina, que é um tema bem caro ao filme, Clarisse carrega uma pequena bandeira a favor do feminismo. Temos a luta da mulher contra a opressão machista e patriarcal que permeia a sociedade. O filme se constitui ao redor de uma protagonista que orbita em torno de personagens masculinos, que exercem um poder sobre ela. Clarisse precisa se impor, libertar-se... Esse elemento está no filme de forma alegórica: Clarisse segue em frente e se liberta do passado opressor.

Omelete: Você tem um projeto novo, já rodado: O Barco. Do que se trata?

Petrus: O Barco foi rodado no Ceará, na Praia das fontes, o filme fala sobre uma comunidade de pescadores, sobre uma mulher que tem 26 filhos, o nome de cada filho corresponde a uma letra do alfabeto, ela decifra o futuro a partir dos filhos, a partir da chegada de um misterioso barco e de uma mulher que vem pelas águas, o destino dessa comunidade será drasticamente alterado. O filme será um drama com tintas fantásticas, tendo Everaldo Pontes, Rômulo Braga e Samia de Lavor no elenco.

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