Carol Duarte vira protagonista no cinema italiano: “Minha personagem mais difícil”
Atriz falou ao Omelete sobre O Segredo de Eva, obra exibida no Festival do Rio 2026
Créditos da imagem: Carol Duarte em O Segredo de Eva (Reprodução)
Quem conhece Carol Duarte por seu papel revelação em A Força do Querer, ou pelo premiado filme A Vida Invisível, pode se surpreender ao saber que ela é uma força a ser reconhecida também no cinema italiano. Após atuar pela primeira vez no idioma com La Chimera (2023), ela retornou ao país para viver sua primeira protagonista italiana em O Segredo de Eva – e esta personagem veio com os seus próprios desafios.
Na trama do longa, assinado por Emanuela Rossi, Duarte vive a personagem título, descrita como “uma mulher misteriosa e bela, que vagueia pela cidade à caça de homens”. É nos filhos desses homens, no entanto, que parece morar o seu grande interesse – após cada sedução, as crianças acabam se apegando a Eva, e eventualmente desaparecem. É uma história de fantasia e tensão, que lembra um pouco Sob a Pele, o neoclássico de Jonathan Glazer estrelado por Scarlett Johansson, com um tempero mediterrâneo.
Duarte conversou com o Omelete durante o Festival do Rio 2026, onde O Segredo de Eva foi exibido. Confira o papo abaixo, abordando o caminho surpreendente da atriz no cinema italiano, a aparição recente na terceira temporada de Os Outros e projetos futuros.
OMELETE: Carol, O Segredo de Eva é o seu segundo filme na Itália. Eu queria saber, de onde vem essa afinidade com o cinema deles, essa vontade de fazer filme por lá?
DUARTE: Esse segundo convite para fazer filme na Itália partiu muito de La Chimera, que foi o primeiro filme que eu fiz lá, e também o meu primeiro filme fora do Brasil, abrindo um pouco um campo internacional para mim. Esse foi um filme que esteve em Cannes, acho que muita gente assistiu, e foi super bem na Itália também. E eu falo italiano, acho que vem um pouco daí. Quando apareceu esse segundo convite de fazer Eva, que é um filme mais de gênero – a primeira vez que eu estou num filme assim –, foi super empolgante, simplesmente por ser algo que eu nunca tinha feito. E claro, a primeira protagonista em outra língua, então teve uma responsabilidade grande para mim.
OMELETE: A Eva vem envolta em mistério, né? Ela me lembrou muito a Scarlett Johansson em Sob a Pele, esse tipo de personagem. Eu queria saber de você, como atriz, como você decifra uma personagem assim? É difícil se aproximar dela?
DUARTE: É difícil. Eva talvez tenha sido a personagem mais difícil para eu me aproximar, porque ela tem um universo muito próprio e particular... Enfim, eu não quero dar spoiler, porque eu quero que as pessoas assistam O Segredo de Eva, mas ela tem uma relação com o misterioso, com o universo, que é muito distante de mim. Então eu tive que construir ela aos pouquinhos, para chegar na Eva de maneira verdadeira, e não forçada ou estereotipada. Foi um trabalho delicado.
OMELETE: Você mencionou que ela é muito distante de você nesse sentido, da aproximação com a fantasia. Você tem alguma afinidade pelo cinema de fantasia, de suspense, ou foi uma coisa que você teve que se aproximar agora?
DUARTE: Eu tive que me aproximar agora, porque eu normalmente fico muito ansiosa [assistindo filmes de suspense e terror]! Eu tenho que estar bem para assistir, não posso estar com nenhuma preocupação, porque eles são feitos para mexer com a gente, com medo, com uma fantasia que às vezes não é tão positiva. E eu acho que a Eva foi a minha primeira personagem que não faz coisas exatamente legais – definitivamente não faz –, e que nessa construção não cabia uma defesa de personagem. O que eu precisei fazer foi fazer nas ações dela, sem julgar, mas sem me aproximar de uma ideia mais dramática de colar na personagem. Era só fazer o que estava posto ali no roteiro.
OMELETE: Um outro trabalho recente seu que o pessoal curtiu muito foi Os Outros, a série. Eu queria saber: por que você decidiu abraçar essa personagem na série, e o que foi que ela trouxe para você como atriz? Porque é uma personagem muito intensa também.
DUARTE: Eu guardo tantas coisas boas dessa temporada, porque eu fui irmã do Pedro Wagner, meu parceiro Odilon [Esteves], e todos ali, Lázaro [Ramos], Adriana [Esteves]... A gente viveu momentos maravilhosos gravando com a Luisa [Lima, diretora]. E a Patrícia é uma personagem que, quando foi oferecida para mim, era encantadora porque, por mais que ela esteja num ambiente muito difícil de sair — ela mora no campo, é pobre —, sonha muito. E ela é ousada, ela não se limita à realidade que está posta para ela. Eu acho isso encantador, acho incrível ver um personagem tentando, verdadeiramente, alguma coisa. Patrícia, por mais que a realidade dela seja difícil, conserva uma vontade de viver outras coisas, e isso foi para mim muito empolgante de fazer.
OMELETE: Legal! E agora olhando para a frente, você também tem a série Enfim Sós, que que é uma comédia, e eu acho que vai ser o seu primeiro trabalho numa sitcom. Esse território da comédia é algo que você sempre quis fazer?
DUARTE: Olha, os meus amigos mais próximos, lá em São Paulo, sabem que comecei a fazer teatro com muita comédia. Eu estudei comédia no início da minha trajetória, e os amigos que trabalharam comigo antes de fazer minha primeira novela ficaram muito chocados de eu estar indo para o drama. Então sim, era um desejo meu fazer comédia no audiovisual, mas nunca me escalavam! [Risos] Por isso que eu amei o convite para Enfim Sós, foi super empolgante – e estar com um elenco maravilhoso, Andréa Beltrão, que eu admiro tanto, uma atrizona... Foi uma maravilha.
*O Segredo de Eva foi exibido no Festival do Rio 2026. Ainda não há previsão de lançamento no circuito comercial brasileiro.
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