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Carga Explosiva 3

Louis Leterrier terceiriza direção e série perde inventividade

Marcelo Hessel
11.12.2008
16h00
Atualizada em
21.09.2014
13h43
Atualizada em 21.09.2014 às 13h43

Filmes como Adrenalina, Celular e a cinessérie Carga Explosiva ganham visibilidade - ganham até fãs - porque têm a consciência de que no gênero ação basta uma premissa interessante. Não é a história em si que sustenta o resto do filme, e sim o ritmo e a intensidade com que a ação se impõe.

Não por acaso, Jason Satham está em todos esses filmes citados. O ator e lutador inglês sabe que o ponto alto da sua performance está nas cenas de luta, e quando a câmera se aproxima para o close-up, mesmo nas cenas dramáticas, Statham frequentemente fica em silêncio. É o astro ideal de filmes assim: quanto menos enrolação, melhor.

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É uma pena, portanto, que Carga Explosiva 3 tente ser mais sério do que Carga Explosiva e Carga Explosiva 2. A começar pelo plano aéreo inicial, que sobrevoa um oceano em tom austero, com música de filme de Jack Ryan. Não é atrás do Outubro Vermelho que a câmera vai, porém, e sim de um cargueiro que está levando lixo tóxico para sabe-se-onde. A trama toda - que envolve o motorista Frank Martin (Statham) e um pacote que deve ser entregue na Romênia - envolve o cargueiro.

Não fossem as caras desfiguradas pelo lixo tóxico de dois marinheiros curiosos, nem pareceria o visual semi-cartunesco que já virou marca da cinessérie. Na verdade, o tom grave e a "importância" que Carga Explosiva 3 tenta nos vender (basicamente com uma história linear de thriller político de fundo engajado) podem ser creditados não só na conta dos roteiristas Luc Besson e Robert Mark Kamen, mas também na do diretor Olivier Megaton.

Talvez seja o fato de estar chegando agora à série, o cara quer mostrar serviço, mas o fato é que Megaton não entende realmente o espírito despojado de Carga Explosiva. Ele tenta dar uma seriedade aos planos (grua de baixo para cima mesmo em interiores, como na casa de Frank) sem saber que a força dos dois filmes anteriores era justamente a auto-ironia, a piada com os limites físicos da verossimilhança do cinema de ação. Enquanto Megaton tem lá seus planos de grua "sérios", Louis Leterrier queria mais era girar a câmera 180 graus, filmar de cabeça pra baixo, etc.

Leterrier deu as coordenadas ao dirigir os dois primeiros filmes. Megaton copia algumas (sempre a donzela com a maquiagem borrada...), segue outras nas cenas de luta (perceba como a música volta ao tom auto-irônico dos filmes anteriores na cena da rosa) e nas acrobacias com o carro, mas não é o suficiente. De novo, uma questão de ritmo e intensidade. Carga Explosiva 3 é o mais truncado e moroso dos três - é preciso aguentar mais "desenvolvimento de personagem" antes que chegue a próxima cena de ação.

E tédio é o pior dos erros em filmes assim.

Quanto àquela história da homossexualidade de Frank Martin, não resta mais dúvida, ainda que ele não assuma. Na vida real, um cara marombado que conhece vinhos pode até ser hétero. Num filme de ação, só pode ser gay.

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