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Busca Implacável - Festival do Rio 2008

Liam Neeson ressuscita - e envelhece - cinema de ação oitentista

Érico Borgo
26.09.2008, às 12H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H40
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H40

A década de 1980 foi marcada por uma série de filmes em que o herói, geralmente um ex-militar ou comando especial, era obrigado a usar pela última vez suas habilidades de combate para salvar-se ou defender sua família. Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger consagraram o sub-gênero com Rambo e Programado Para Matar e abriram as portas para um sem-fim de clones.

Vinte anos depois, o herói de ação não é mais o mesmo. Saíram os músculos inchados e a má atuação, que faziam um sentido enorme na época, para entrar o realismo e o visual de "homem comum" de Matt Damon na série Jason Bourne, Daniel Craig em 007 ou o carequinha Jason Statham em Carga Explosiva.

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Agora, o superprodutor francês Luc Besson leva essa idéia adiante em Busca Implacável (Taken, 2008), numa espécie de amálgama de épocas.

O filme parte da premissa oitentista do ex-militar aposentado, mas coloca Liam Neeson (Batman Begins), 56 anos, no papel, algo digno dos nossos tempos. É como se Jason Bourne tivesse casado, tido uma filha, envelhecido e sossegado. E seguindo a idéia consagrada, claro, precisa reencontrar a violência que deixou no passado para buscar sua filha (Maggie Grace, a Shannon de Lost, aqui morena), sequestrada em Paris por um grupo misterioso.

A direção de Pierre Morel, diretor de fotografia de Carga Explosiva e Cão de Briga, em seu primeiro filme falado em inglês, é obviamente inspirada na já citada série Bourne, das perseguições de carros às lutas no estilo Krav Magá. Mas há toda a lógica da investigação do protagonista e a ausência de traquitanas tecnológicas que o torna algo distinto, mérito do roteiro de Besson e Robert Mark Kamen, que, veja só, também escreveram juntos toda a série Carga Explosiva.

Vale apenas discordar do tom paternalista reacionário do texto. O pai vivido por Neeson passa o início do filme todo exagerando sua superproteção: "conheço o mundo, sei como são as coisas", e não esconde seu descontentamento com a viagem que a virginal mocinha fará à Europa. Pois acontece justamente o que ele temia... o mundo é mesmo um lugar perigoso. Melhor ficar cada um na sua bolha, sem desenvolver seu próprio conjunto de habilidades para encará-lo. De qualquer maneira, um discurso menor, no qual ninguém vai prestar atenção enquanto Neeson explode uns malfeitores e esmaga suas traquéias com as mãos nuas.

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