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Brasileirinho

Mika Kaurismäki encantado com o chorinho brasileiro

Érico Borgo
23.08.2007
18h00
Atualizada em
21.09.2014
13h28
Atualizada em 21.09.2014 às 13h28

Depois de Moro no Brasil, o finlandês e "quase brasileiro", Mika Kaurismäki apresenta em Brasileirinho mais um documentário sobre a música do nosso país.

Desta vez, porém, foca suas lentes no chorinho, o dificílimo gênero musical, considerado o primeiro genuinamente popular/urbano típico do Brasil, que ele havia deixado de lado em seu filme anterior, mais centrado no samba. Aliás, foi justamente essa ausência que motivou a execução do documentário. Durante uma exibição de Moro no Brasil na Suiça, Kaurismäki foi confrontado por Marco Forster, fã do gênero, que questionou a exclusão do choro. Esperto, o finlandês escorregou - disse que o ritmo é tão importante que merecia um filme próprio. E Forster ofereceu-se para produzi-lo, o que acabou dando certo.

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Diferente do que fez Wim Wenders em Buena Vista Social Club, por exemplo, filme que apressados teimam em comparar a Brasileirinho, Kaurismäki não está interessado nos exoticismos brasileiros. Seu filme é sobre a música, não sobre os músicos. Não há aprofundamentos de personagem - não sabemos como vivem os que ali são retratados - mas sabemos como, e onde, tocam.

A opção é louvável, pois tira do filme a aura "for export" que fatalmente ele teria se esmiuçasse as vidas do retratados - os "brasileiros sofredores". O que se vê em Brasileirinho são apaixonados pela música e pelo estilo de vida do choro. Por outro lado, um pouco de atenção ao entorno não faria mal. Ok, o cineasta usa as belas paisagens do Rio de Janeiro como cenários para entrevistas e rodas de choro, mas faltou mostrar um pouco dos bares, das agremiações onde a música ganhou força - e segue firme. Também faltou um pouca da cultura do gênero - especialmente a da bebida, que aparece em praticamente todos os quadros, sempre nos cantinhos, ou como influência nos olhos vidrados de um dos músicos, mas jamais é abordada diretamente.

Há uma certa resistência da crítica também pela categorização como documentário, já que a grande maioria das cenas é nitidamente pré-combinada, planejada. Mas devo concordar com o próprio diretor, que explica que, sim, as rodas de choro foram montadas para o filme, o grande show ao final idem, mas que todos os depoimentos são espontâneos e não-roteirizados. Novamente, o interesse é exclusivamente a música, que permite grupos de 20, 30 pessoas tocando e improvisando juntas, e sua virtuosa execução. E nesse aspecto, o filme é impecável.