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Entrevista

Besouro Verde | Omelete Entrevista Cameron Diaz e Seth Rogen

Atriz e ator/roteirista do projeto falam sobre o processo de criação do filme

Steve Weintraub
17.02.2011
01h04
Atualizada em
15.11.2016
20h00
Atualizada em 15.11.2016 às 20h00

A adaptação das aventuras do Besouro Verde para o cinema foi bastante conturbada desde o início, quando foi anunciado que o rotundo comediante Seth Rogen estaria escrevendo e estrelaria o filme. Por muito tempo, Stephen Chow seria não apenas o ajudante Kato (papel que um dia pertenceu a Bruce Lee), mas também dirigiria o projeto, mas acabou pulando fora do Beleza Negra antes do início das filmagens. As coisas não melhoraram quando Nicolas Cage desistiu do papel de vilão, que acabou sendo ocupado por Christoph Waltz (Bastardos Inglórios). Mas enfim Michel Gondry (Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança) assumiu a direção e as câmeras começaram a rodar, com Cameron Diaz interpretando Lenore Case e Jay Chou como o novo Kato.

Agora chegou a hora da estreia e Steve Weintraub, editor do site parceiro Collider, se encontrou com Seth Rogen e Cameron Diaz e perguntou sem medo como foi ouvir tanta coisa ruim do filme antes da hora. Os dois falam também sobre os ensaios e o processo de criação ao lado de Michel Gondry, além de falar da importância de uma bela coçada de olhos.

Veja como foi:

Vou começar perguntando o seguinte: vocês já promoveram o filme várias vezes, estão promovendo hoje o dia todo. Vou começar pelo básico: sobre o que vocês dois querem falar?

Seth Rogen: Nossa, cara... Nada, na verdade.

Cameron Diaz: Podemos ficar um momento em silêncio?

SR: É! Descansar um pouco.

CD: Estávamos falando sobre como é bom esfregar o olho e apertar.

SR: Mas você não pode fazer porque está usando maquiagem.

CD: ... estou de maquiagem.

SR: Eu posso esfregar o quanto quiser...

CD: Então ele fez na minha frente.

SR: Eu fiz.

CD: Ele fez. Ele empurrou, foi tão...

SR: Foi legal.

CD: Eu fiquei só olhando e morrendo de inveja...

Vamos falar sério agora.

CD: Legal.

Eu já vi o filme duas vezes e acho muito bom. Mas o filme passou por muita falação. Rolou um lance entre os sites. As pessoas falavam sem pensar, muitas vezes negativamente. Mas o filme é muito bom. Vocês poderiam falar sobre como é estar do lado de dentro ouvindo esses rumores mas sabendo que fizeram algo bom?

CD: Gratificante!

SR: É. Foi tanto esperado quanto decepcionante em certos pontos, eu diria. Quero dizer, nós meio que sabíamos que a reação geral seria das pessoas dizendo que isso era loucura, que estávamos fazendo um filme de super-herói, que era loucura tentar fazer um filme de comédia de super-heróis e que eu estaria em um filme de super-herói? Era, de certa forma, óbvio que teriam essa reação porque havia uma pressão extra e acho que sempre que tentamos fazer algo diferente as pessoas não sabem como reagir. Eu diria que foi um pouco decepcionante ver alguns dos críticos que eu considero diferenciados caindo no mesmo tipo de pensamento que eu achei que só as pessoas mais quadradas teriam. E isso é diferente de uma interpretação literal de algo pré-existente.

E quanto a você?...

SR: Ela não liga a mínima sobre o que aparece online... Por que ela ligaria para internet?

CD: Eu não tô nem aí.

Está certo. Então... Vou mudar completamente...

SR: Essa é uma resposta menor para isso.

CD: Obrigada.

Vou mudar um pouco para o processo de ensaios. Como foi, para vocês dois, achar esse ritmo juntos pela primeira vez?

SR: É... é, foi divertido. Foi bem fácil, eu acho. É, nós nos divertimos.

CD: Foi muito legal porque o Evan, o Seth e o Michel são tão colaborativos e abertos. Eles estão dispostos a mudar qualquer coisa, tanto faz se foi ideia do Jay ou minha, ou se eles pensarem em algo novo... Muitas pessoas, muitos escritores acabam se apegando às palavras e ideias e não querem mudar nada. Mesmo quando eles percebem que têm uma ideia melhor surgindo.

SR: É verdade.

CD: Então foi divertido trabalhar com eles porque o roteiro estava sempre evoluindo e mudando, até quando já estávamos filmando.

SR: É, e até depois disso.

CD: E até depois, exatamente.

Você poderia falar um pouco sobre Gondry? Ele é uma escolha interessante para o filme.

SR: Ele trouxe muito, sabe? Como escritores procuramos alguém que possa acrescentar muito ao que fizemos. Nós praticamente só trabalhamos com escritores/diretores para fazer nossos filmes. Então realmente procuramos alguém que possa adicionar sua própria sensibilidade. E Gondry tem muita sensibilidade. Então o encorajamos a tentar ter quantas ideias ele conseguisse. Acho que no geral as pessoas só dão crédito ao visual que ele acrescentou ao filme mas na verdade ele acrescentou tanto à história e aos personagens... Provavelmente tem coisas que as pessoas estão dando o crédito para mim e para o Evan mas a verdade é que sua influência foi além de...

CD: Mas não diga quais foram.

SR: Não vou porque quero ganhar os créditos.

CD: Sim, sim.

SR: Vai além das coisas parecerem legais.

Tenho que encerrar, mas parabéns pelo filme.

CD: Obrigada.

Tenham um bom dia.

SR: Muito obrigado.

Besouro Verde estreia nesta sexta nos cinemas.