Morre Béla Tarr, diretor de Satantango, aos 70 anos
Cineasta húngaro também assinou Danação e O Cavalo de Turin
Créditos da imagem: Béla Tarr (Reprodução)
O cineasta Béla Tarr, mais conhecido por seu épico de 7h de duração Satantango (1994), morreu aos 70 anos de idade. A agência de notícias húngara MTI confirmou a notícia [via Deadline], citando somente "uma longa e séria doença" como a causa da morte.
Tarr começou sua carreira trabalhando no Balázs Béla Stúdió, berço seminal do cinema húngaro experimental, onde realizou o seu primeiro longa-metragem: Ninho Familiar (1979), um drama tenso sobre o fim do relacionamento de um casal.
Após completar os seus estudos na Academia de Teatro e Filme de Budapeste, o cineasta estabeleceu seus próprios estúdios (Társulás Filmstúdió), onde dirigiu O Outsider (1981), Pessoas Pré-Fabricadas (1982), Almanaque de Outono (1984) e Danação (1988).
Este último filme foi a sua grande introdução ao público internacional, estreando no Festival de Berlim e vencendo prêmios por toda a Europa. Seis anos depois, ele voltaria com Satantango, considerado por muitos a sua obra-prima.
Com 7h14 de duração, o filme acompanha os moradores de uma vila dilapidada no interior da Hungria, que enfrentam dificuldades financeiras e consideram abandonar seus lares. Considerado um dos melhores filmes dos anos 1990, e uma pedra fundadora do "cinema lento", Satantango ganhou status de cult.
Nos anos seguintes, Tarr ainda dirigiu Jornada na Planícia (1995), A Harmonia Werckmeister (2000), O Homem de Londres (2007), O Cavalo de Turin (2011), Muhamed (2017) e Missing People (2019). O cineasta deixa a esposa, Ágnes Hranitzky, também editora da maioria de seus filmes.