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Baila Comigo

Astro de Tudo ou Nada volta a dançar em filme independente

Marcelo Forlani
19.07.2007, às 16H10
ATUALIZADA EM 08.11.2016, ÀS 04H09
ATUALIZADA EM 08.11.2016, ÀS 04H09

Olha só a enrascada em que me meti nessa semana. No dia em que a maioria dos jornalistas que cobrem cinema estavam assistiam ao Transformers, eu entrava em outra sala para ver Baila Comigo (Marilyn Hotchkiss Ballroom Dancing & Charm School, 2005). Tudo bem que eu já tinha visto os robôs do Michael Bay, mas queria dar mais uma espiada nos Autobots, nos Decepticons e na Megan Fox. Mas não adiantou bater o pé, tive mesmo que me inscrever nas aulas de dança e etiqueta da tal Marilyn Hotchkiss do título original.

Logo de cara, uma surpresa. Veja na tela o escocês Robert Carlyle (Trainspotting, Ou Tudo ou Nada). Ele dirige um carro de padeiro e vê pelo retrovisor um carro chegando. Ao volante, John Goodman (Os Flintstones, Barton Fink), que dá uma olhada e segue em frente. Toca o telefone e é Sean Astin (Goonies, O Senhor dos Anéis).

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Epa! O elenco até que é legal, pensei. E ao terminar a frase vejo na telona um acidente de carro. É John Goodman, ou melhor, Steve Mills. Sem saber o que fazer, Frank Keane (Carlyle) vai chegando perto, enquanto pega o telefone e liga para o 911. "Ele está vivo?", pergunta alguém do outro lado da linha? "Parece que sim", responde o padeiro. "Então fique conversando com ele, que o resgate já está a caminho", ordena a voz.

Steve diz que não pode se atrasar. Ele tem um encontro. Que ele marcou há mais de 40 anos! E assim começamos a ouvir a sua história. Na década de 60, quando ele e seus amigos ainda estavam na fase de achar que as meninas não serviam para nada além de atrapalhar a brincadeira deles, uma coisa aconteceu. A Sra. Hotchkiss apresentou às mães de Pasadena, subúrbio Los Angeles, seu famoso curso de dança e etiqueta. Pesadelo generalizado! Um a um, lá foram eles aprender a se comportar, a bailar e a ver que as meninas têm, sim, algo de muito atraente.

Mas a história não é linear. Paralelo a tudo isso, acompanhamos o dia-a-dia de Frank, recém-enviuvado. O caminho para o hospital ao lado de Steve abre os olhos do padeiro, processo que se completa quando ele próprio chega ao local do encontro, para dar o recado. É quinta-feira, dia do curso da Sra. Hotchkiss, agora lecionado pela sua filha, Marienne (Mary Steenburgen). No lugar das crianças, estão adultos ávidos por aprender os passos do Lindy Hop e do chachachá - incluindo aí o astro das aulas, Randall Ipswitch (Donnie Walhberg), a bela Meredith Morrison (Marisa Tomei) e a latina-fogosa Tina (Sonia Braga).

E com o início das aulas de dança, o filme, (mil desculpas) dança. O realismo cru dá lugar a frases feitas sobre demônios interiores e cenários de cor magenta que apenas esta "poderosa droga chamada dança" consegue liberar. Lições de vida à parte, dava para este filme independente se manter mais à margem do tablado, onde casais se apaixonam, sim, mas também levam muito pisões nos pés.

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