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Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto

Sidney Lumet volta a investigar o comportamento humano em drama com Phillip Seymour Hoffman e Ethan

Mario "Fanaticc" Abbade
05.06.2008
12h00
Atualizada em
21.09.2014
13h29
Atualizada em 21.09.2014 às 13h29

A consciência e comportamento humano diante de uma situação amoral. Esse é o tema preferido do veterano cineasta Sidney Lumet, como se pode ver em seu novo projeto, Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the devil knows you're dead, 2007). Um melodrama cheio de suspense, o filme traz a assinatura de Lumet no dilema de dois irmãos cujo "plano perfeito" tem um desfecho desastroso.

Ao ver sua carreira de executivo desmoronar, Andy convence seu irmão Hank, tão desajustado como ele, a assaltar a joalheria dos pais. O plano parece fácil, já que eles conhecem bem o funcionamento da loja. No dia da ação, os dois esperavam encontrar a loja vazia, mas uma visita-surpresa põe tudo a perder. O pai de Andy e Hank jura se vingar a qualquer custo dos culpados, sem saber que está à caça de seus próprios filhos.

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Entra em cena o talento narrativo de Lumet, que conta e reconta a trama pela visão de cada um dos envolvidos avançando e retrocedendo no tempo. A cada nova abordagem, uma peça nova do quebra-cabeças é apresentada. Assim, a cada retomada, o espectador vai entendendo os motivos de cada personagem. Pouco a pouco, eles vão experimentando sentimentos cada vez mais claustrofóbicos e passam a cometer atos cada vez mais descabidos e desesperados.

E o estilo enxuto do diretor vem afinado com interpretações hipnotizantes, a começar com Phillip Seymour Hoffman como Andy e Ethan Hawke como Hank. São atuações calcadas na combinação da cordialidade e agressividade. Albert Finney, que faz o pai dos dois, destila camadas densas de sofrimento sem cair no clichê. Marisa Tomei completa o quadro como uma mulher amargurada à procura de afeto sem medir as implicações de seus atos. Um misto de beleza e insegurança.

Ao final, o espectador pode sentir falta de uma conclusão convencional sobre alguns personagens. Propositalmente Lumet deixa isso de lado para evidenciar sua proposta e, por conseqüência, o alcance da cobiça, seja ela por dinheiro ou até por afeto.

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