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"Uma pessoa normal faz atrocidades", diz Lázaro Ramos sobre trama de Antártida

Ator é um dos destaques do elenco da superprodução dos Estúdios Globo

Omelete
2 min de leitura
23.08.2026, às 07H00.
"Uma pessoa normal faz atrocidades", diz Lázaro Ramos sobre trama de Antártida

Em Antártida, a estação brasileira de pesquisas isolada no gelo funciona como um espelho amplificado dos conflitos e estruturas da sociedade. Após a agressão sofrida por Inês (Marina Ruy Barbosa), todos os homens da base tornam-se suspeitos. Em bate-papo com a imprensa durante o Festival de Gramado 2026, os atores do elenco masculino trouxeram reflexões contundentes sobre a urgência de encarar a violência de gênero não como algo distante ou caricato, mas como uma presença cotidiana e perigosa.

Lázaro Ramos destacou que o principal desafio ao abordar seu personagem foi construir uma figura humana verossímil, longe dos estereótipos do "monstro" distante da realidade. Para o ator, a força da narrativa está justamente em expor a banalidade do mal no dia a dia. "A gente precisava aproximar isso, para mostrar como uma pessoa normal pode cometer atrocidades", afirmou ao comentar os debates no set sobre a tom da atuação.

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Essa busca pela sutileza também foi ressaltada por João Vitor Silva, intérprete do militar Josué. O ator pontuou que a violência nem sempre se manifesta de forma explícita no início, escondendo-se em atitudes veladas que a sociedade insiste em normalizar. Segundo ele, a experiência de dar vida ao personagem gerou um processo doloroso de autocrítica: "Quando o mais sutil convence, é aí que está o problema. Eu saio transformado dessa experiência."

Complementando a visão sobre a estrutura patriarcal, o ator Adélio Lima abordou o perfil de homens que reproduzem o machismo institucionalizado e militarizado, incapazes de aceitar a liderança feminina ou desconstruir condutas tóxicas. Por outro lado, Renan Monteiro ressaltou a importância de seu personagem, Gaspar, como um ponto de esperança. Para ele, a figura de Gaspar demonstra que o estudo, a escuta ativa e a empatia são caminhos fundamentais para reeducar e ressignificar a masculinidade em meio a uma cultura hostil.

Antártida estreia nos cinemas em 17 de setembro.

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