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Filmes
Entrevista

Anima Mundi | Ficção científica da ilha de Martinica é revelação no festival

Conversamos com o diretor de Crônica de Battledream

Atualizada em 27.10.2016, ÀS 20H00

Comparado a cinematografias centenárias como a brasileira, o histórico da Martinica no cinema é microscópico em termos de volume de produção e de longevidade em circuito, com apenas quatro décadas de experiência na feitura de filmes.

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Mas isso não impediu que este canteiro insular de colonização francesa no Caribe produzisse um longa-metragem sci-fi de animação que vem ganhando fãs pelo mundo, tendo se consolidado – até agora – como o filme-revelação do Anima Mundi 2016Crônica de Battledream. Premiado em festivais no México e na Argentina, o filme, dirigido por Alain Bidard, lotou sua primeira projeção em solo carioca e terá nova sessão neste domingo (30), às 19h30, na Cinemateca do MAM-RJ. Em São Paulo, o longa terá duas sessões no Caixa Belas Artes, no dia 2, às 21h30, e no dia 4, às 22h.

Em sua trama futurista, as plantações da ilha caribenha se tornaram videogames. E é em meio de um jogo virtual que a escrava Syanna vai brigar por sua liberdade.

“Crônica de Battledream se alinha, desde sua gênese, com questões exploradas pela ficção científica no clássico Metrópolis, de Fritz Lang, como a exploração do trabalho, a mobilização dos sindicatos e o controle da sociedade pelas elites: esta analogia era o melhor caminho para que eu representasse a história da Martinica e como a nossa nação foi moldada a partir dos abusos da escravidão negra”, diz Bidard em entrevista por e-mail ao Omelete. “Até hoje, a nossa elite é composta pelas mesmas famílias que lideravam a nossa aristocracia escravocrata. Aqui, não se fala mais em chibata ou em senzala, mas a exploração do trabalho não mudou muito. E como não somos uma pátria autônoma, não aprendemos sobre a nossa História na escola. Por isso, é importante que o nosso cinema leve à população o conhecimento que falta na educação institucional”.

Para alcançar seus objetivos, o cineasta investiu em uma abordagem tensa de filme de aventura, com uma narrativa que simula o ambiente dos games. “A partir do momento em que eu represento nossos canaviais como um jogo, no qual os escravos precisam passar de fase, eu alcanço uma forma simples, mas não simplória, de expor as maiores contradições da Martinica para o mundo”, diz o cineasta, lembrando que seu país investe mais na produção de documentários e épicos históricos, sempre de olho no público adulto. “Não existe um conteúdo local para jovens e, diante desse quadro, a animação surge como uma boa opção para que os nossos adolescentes se sintam representados em nosso cinema”. 

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