Filmes

Artigo

Por que revisitar Amor, Sublime Amor? Ariana DeBose e David Alvarez respondem

Musical clássico ganhou nova versão pelas mãos de Steven Spielberg

Mariana Canhisares
14.12.2021
14h57
Atualizada em
16.12.2021
17h41
Atualizada em 16.12.2021 às 17h41

Entre tantos remakes, reboots e revivals, tem sido cada vez mais difícil encontrar projetos que justifiquem o resgate de personagens e histórias tão adoradas pelo público -- quer dizer, para além da nostalgia e da expectativa de uma boa bilheteria. Difícil, mas não impossível. Porque há, sim, algumas histórias tão fundamentais que você simplesmente não se cansa delas: ouvirá quantas vezes alguém estiver disposto a contá-las. Quer exemplos mais óbvios do que as peças de Shakespeare, encenadas e reencenadas há séculos? Logo, não é de se estranhar que, nas mãos do diretor Steven Spielberg, o clássico Amor, Sublime Amor tenha se apresentado como uma exceção ao projetohollywoodiano da vez.

“Sinto que [esta] é uma daquelas histórias que a humanidade precisa ser lembrada constantemente, geração após geração. É sobre amor e sobre não sucumbir ao medo, ao ódio e à divisão”, defendeu o ator David Alvarez, o intérprete do Bernardo, em entrevista ao Omelete. “Quer você tenha nascido há mil anos ou vá nascer daqui mais mil, é algo que a gente sempre vai viver”.

De fato, ainda que ambientada em outra era, Amor, Sublime Amor toca essencialmente nos mesmos temas que a obra que o inspirou, isto é, Romeu e Julieta. No entanto, há mais motivos que fazem valer um novo olhar ao musical. Basta lembrar que, em 1961, atores brancos tiveram seus rostos pintados para interpretar portorriquenhos. Havia, portanto, uma necessidade de reparação histórica.

Spielberg, então, escalou latinos das mais variadas origens para viver os Sharks -- Rachel Zegler, por exemplo, é descendente de colombianos, enquanto o próprio Alvarez tem origem cubana. Mas, mais do que isso, os integrou ao processo criativo do filme para representá-los em toda a sua diversidade, como contou ao Omelete a atriz Ariana DeBose.

“Trabalhar com Steven foi uma experiência incrível nesse sentido. Ele estava tão curioso todos os dias e queria que colocássemos nesses personagens algumas das nossas próprias vivências. Era bastante claro que ele, o Tony Kushner [roteirista] e toda a equipe criativa queria retratar essa comunidade, os latinos, com respeito”. Citando como exemplo “America”, música dessa vez performada nas ruas do bairro, ela continuou: “É um avanço e, honestamente, eu o aplaudo, especialmente quando é feito de modo tão brilhante e com esse senso de responsabilidade”.

Amor, Sublime Amor está em cartaz nos cinemas.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.