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Alvin e os Esquilos

Cuidado: roedores transmitem peste negra e leptospirose

Érico Borgo
03.01.2008
18h00
Atualizada em
08.11.2016
16h03
Atualizada em 08.11.2016 às 16h03

Assistir ao filme Alvin e os Esquilos (Alvin and the Chipmunks), baseado no esquecido (com razão) desenho Os Pestinhas, é provavelmente mais irritante que ter um trio de roedores correndo soltos dentro de suas calças. Ao menos os bichos na vida real não falam. Já os do filme, tagarelam o tempo todo com aquela vozinha esganiçada de Tico e Teco e, pior, cantam. Sucessos do pop mais chiclete que existe, ainda por cima. Quer mais? É um filme com "Espírito Natalino".

Ao menos o protagonista é Jason Lee - sujeito da turma de Kevin Smith e sucesso na telessérie cômica My Name is Earl. Não fosse a impagável cara de paspalho dele e um ou outro vislumbre da beldade Cameron Richardson (ah, as coisas em que nos apegamos pra passar 90 minutos de agonia), os adultos provavelmente explodiriam de tédio durante a sessão. Os normais ao menos... já que umas duas pessoas na sala gargalhavam com gosto. Mas isso atribuo ao ecstasy que devem ter servido no café da manhã da cabine de imprensa.

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Os pequenos, porém, devem sair satisfeitos. Os bichinhos são decentes (computação gráfica, claro), têm centenas de brinquedos legais e fazem bobagens o tempo todo (guerra de comida, sujeirada, soltam puns...). Além disso, a história segue na linha do igualmente chato Garfield 2, com a lição de moral básica sobre a importância da família. Nela, Alvin, Theodore e Simon, três esquilos falantes, têm sua casa derrubada e transformada em árvore de Natal e vão parar no saguão de uma grande gravadora. Lá entram na mala de Dave (Lee), um compositor fracassado. Já na casa dele, revelam-se e começam uma colaboração musical que imediatamente gera frutos. Mas conforme os esquilos ficam famosos, são seduzidos pela fama e posses e levados a acreditar que Dave, que os trata como filhos, não é um cara tão legal assim.

As semelhanças sutis com o segundo filme do felino não são mera coincidência. O diretor é o mesmo Tim Hill, veterano da genial e frequentemente psicodélica série Bob Esponja, novamente subaproveitado aqui. Outro que não diz a que veio é o roteirista Jon Vitti, colaborador de Os Simpsons, O Crítico e O Rei do Pedaço. É incrível como esses caras funcionam tão bem na TV e surgem completamente pasteurizados na telona. Não há uma molécula sequer do ácido que eles têm nas veias quando trabalham com o Calça Quadrada ou a família criada por Matt Groening.

A coisa toda só fica um pouco mais interessante quando se sabe a história da concepção dos bichinhos em 1958. Nesse ano, o compositor sem sorte Ross Bagdasarian empregou todas as suas economias num gravador novo - e experimentou as possibilidades do novo aparelho, gerando o hit "Witch Doctor" - que conhecemos por aqui pelo refrão que tocava no programa do Bozo ("OO EE OO AH AH TING TANG WALLA WALLA BING BANG", lembrou?). As experiências com gravações em velocidades distintas geraram mais tarde as vozes dos esquilinhos... e a insistência de seu filho em saber quando seria o Natal virou o sucesso que os bichinhos cantam no filme, vencedor até de três prêmios Grammy em 1959. O sucesso seguiu com desenhos, álbuns, bonecos... tudo que devia ter ficado lá na metade do século passado.

Mas se a história é até interessante, acredite, o filme não é. Uma hora e meia de vozinhas agudas cantando é dose - quer elas tenham uma certa dose de relevância na cultura pop ou não.