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Créditos da imagem: Disney/Reprodução

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Aladdin | Como Robin Williams fez um dos personagens mais icônicos da animação

Will Smith terá a difícil tarefa de assumir o papel que foi de um dos gênios da comédia

Fábio de Souza Gomes
11.02.2019
13h02

Will Smith vai viver o Gênio da lâmpada no live-action de Aladdin. Originalmente o personagem foi dublado por Robin Williams, um verdadeiro mestre do improviso e com o live-action Smith terá uma missão quase impossível: igualar (ou superar) a performance de um dos maiores comediantes da história do cinema.

Williams e o Gênio são praticamente um. No início dos anos 90, os diretores John Clements e Ron Musker consideravam Eddie Murphy e Steve Martin, mas tinham apenas o ator na cabeça para o papel. Por conta disso, eles pediram para que o animador Eric Goldberg ouvisse todos os trabalhos de stand-up de Robin e desenhasse como se fosse o Gênio falando para tentar convencê-lo em embarcar no projeto.

Para o teste, o animador utilizou uma parte de um show de 1979 onde Williams fala sobre esquizofrenia e desenhou o Gênio clássico crescendo mais uma cabeça para conversar com si mesmo. “Robin entendeu totalmente o potencial da animação e como ela poderia utilizar seu talento”, afirmou Goldberg em entrevista ao LA Times  em 2014.

Ao longo de sua carreira, Williams ficou conhecido por conta de sua capacidade de improvisação. Em Bom Dia, Vietnã ele viveu um radialista com a função de animar as tropas americanas no país e, a cada participação, o ator apresentava novas ideias. Em Gênio Indomável, papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, Williams improvisou o monólogo onde conta histórias sobre sua esposa – um momento fundamental para a conexão de seu personagem e o de Matt Damon.

Sabendo que tinha nas mãos um dos maiores improvisadores do mercado, a Disney deu carta branca para ele brincar com o personagem como quisesse e, ao fazer isso, Williams expandiu os limites da animação, criando momentos não só para as crianças, mas também para os adultos que assistissem ao filme. “Ele virava um apresentador de televisão, um padre e, do nada, apareciam várias celebridades – Arnold Schwarzenegger, John Wayne... nós levamos isso para sala de animação e pensamos: “Meu Deus, isso é puro ouro... será que nos deixarão usar isso no filme?”, explicou Goldberg. A cada fala, ele fazia uma imitação diferente e dava novas camadas para os desenhistas trabalharem. 

O trabalho tornou-se um dos mais conhecidos de sua carreira e, na época, houve até um pequeno movimento para que ele fosse indicado ao Oscar. A capacidade de improvisação era tamanha que a Disney ainda conta com 16 horas de gravação e muito do que não foi utilizado é classificado pela empresa como genial. Antes de sua morte em 2014, cogitou-se utilizar essas gravações em uma nova continuação de Aladdin, porém em seu testamento o ator proíbe que sua imagem e voz sejam utilizados em qualquer filme. Então, sua participação em qualquer projeto póstumo está fora de cogitação.

Agora, o público espera uma performance à altura de Will Smith. O ator não tem a capacidade de improvisação de Williams, mas também conta com uma carreira longa dedicado ao humor e ao drama com duas indicações ao Oscar. Resta apenas esperar que sua atuação consiga resgatar a magia criada na animação.