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A Última Hora

Leonardo DiCaprio ataca de Al Gore e lança documentário ambiental

Érico Borgo
18.10.2007
17h00
Atualizada em
02.11.2016
07h04
Atualizada em 02.11.2016 às 07h04

A Última Hora (The 11th Hour) é o mais recente integrante da onda de documentários panfletários que pretendem conscientizar - e em última instância mudar - nossa sociedade e planeta.

O filme tem produção do ator Leonardo DiCaprio, que também o narra, apresenta e assina o roteiro ao lado de Leila Conners Petersen e Nadia Conners, co-fundadoras do Tree Media Group (instituição especializada em assuntos ecológicos) e diretoras estreantes. O tema é basicamente o mesmo de Uma Verdade Inconveniente: como a raça humana está sistemativamente destruindo sua própria existência ao minar os combalidos ecossistemas terrestres.

A Última Hora

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Trata-se de um competente alerta, seguido pelo relevante e inevitável "o que podemos fazer pra melhorar", que reúne - juntamente com um belo mosaico de imagens, gráficos e trilha sonora -, entrevistas com cientistas, pensadores e líderes mundiais. É impossível deixar a sala de cinema impassível perante o destino do planeta.

Como cinema, o filme é manco. Não oferece pontos-de-vista contrários e todos os que acreditam que o aquecimento global é um exagero (ou mesmo uma farsa) não ganham espaço a não ser como vilões. Mas, sinceramente, pro inferno com isso. Quem vai fazer filmes depois que estivermos extintos? As baratas? O tom tem que ser esse mesmo.

Porém, não dá pra deixar de racionalizar como filmes como A Última Hora, por um lado, são absolutamente inúteis... quem tem 20 reais pra pagar um ingresso de cinema, especialmente para ver um documentário ecológico, é alguém já consciente desse problema. OK, há os que precisam "pegar no tranco", mas a maioria vai mesmo é ver meramente reforçadas suas opiniões a respeito. Usá-lo para levantar fundos para instituições selecionadas é um pensamento inercial - e comprovadamente pouco impactante.

Há, portanto, uma falta de ousadia na distribuição. Se DiCaprio quer ajudar a mudar o mundo, como eu creio que ele queira, que divulgue o filme de graça e de maneira maciça, não apenas sob um link (na internet e em inglês) de "requisite uma exibição na sua cidade" (de qualquer maneira, faça isso!). Que autorize cópias, o coloque na internet, o mande para escolas, associações e governos. Que conscientize não apenas quem já recicla, compra produtos orgânicos, prefere o metrô e tem suas lâmpadas fluorescentes instaladas em toda a casa; mas quem realmente precisa ser informado. Afinal, o trabalho é impecável dentro das suas intenções e tem alcance quase universal, fora um ou outro detalhe mais técnico.

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