A Odisseia | Tradutora citada no filme detona obra de Nolan
"Eu teria vergonha disso", alfineta a tradutora Emily Wilson, que chama o roteiro de "péssimo" e critica a falta de cenas de sexo
Créditos da imagem: A Odisseia/Divulgação
O filme A Odisseia, de Christopher Nolan, recebeu uma crítica de peso de alguém já familiarizado com o universo de Homero. Emily Wilson, uma das mais reconhecidas tradutoras dos poemas épicos Odisseia e Ilíada, não poupou críticas à adaptação e expressou sua decepção com o resultado.
Wilson, que teve sua tradução de Odisseia citada pelo próprio Nolan anteriormente - incluindo a famosa frase de abertura “Fale-me sobre um homem complicado” - publicou uma análise na London Review of Books em que classificou o longa como uma mistura de grandiosidade visual e falta de profundidade.
Segundo a tradutora, o filme apresenta uma “combinação de grandiosidade e superficialidade”, sem conseguir explorar temas centrais da obra de Homero, como memória, guerra, tempo e as consequências do retorno de um guerreiro para sua família e comunidade.
Para Wilson, a adaptação de Nolan tem personagens pouco desenvolvidos e uma narrativa que não entrega a complexidade do poema original. Ela afirmou que o filme “carece de muitos dos elementos que tornam o poema grandioso” e criticou principalmente o roteiro, que chamou de “péssimo”: “Eu teria vergonha de ter escrito qualquer parte deste roteiro”, declarou a tradutora.
Entre as críticas mais inusitadas, Wilson também afirmou que a produção deixou de lado aspectos importantes presentes na obra de Homero, como cenas de sexo e até a representação da comida. Segundo ela, “não há cenas de sexo e toda a comida parece horrível”.
Apesar das críticas, Emily Wilson reconheceu que o filme pode aproximar novas gerações da literatura clássica. Ela afirmou que espera que a produção incentive mais pessoas a conhecerem A Odisseia e destacou que as traduções da obra, incluindo a dela, tiveram aumento nas vendas.
A tradutora também elogiou a tentativa de Nolan de levar uma história de quase 3 mil anos para o grande público e agradeceu o esforço do diretor em fazer mais pessoas voltarem a ler.
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