A Odisseia | Diferenças entre o filme de Christopher Nolan e o poema de Homero
Um dos longas mais esperados do ano finalmente chegou aos cinemas
A Odisseia, novo filme de Christopher Nolan, estreia hoje (16) nos cinemas e adapta o poema homônimo de Homero. Mas como toda adaptação, o diretor de A Origem e Oppenheimer fez algumas mudanças com relação ao texto original.
Algumas dessas mudanças são sutis, enquanto outras alteram algumas passagens do poema de Homero. Entre elas, algumas se destacam mais, como a falta dos deuses gregos. A presença das divindas na história de Nolan é limitada a Atena (Zendaya), que surge como uma manifestação do estresse pós-traumático de Odisseu (Matt Damon) após a Guerra de Tróia.
Abaixo, o Omelete lista todas as principais diferenças entre A Odisseia de Christopher Nolan e o poema de Homero:
O início da jornada
No poema, ao deixar Tróia, Odisseu e cia. se perdem no Reino dos Lotófagos, os comedores de flor de lótus. Essa parada é suprimida no filme e as flores são incorporadas ao “feitiço” que mantém Odisseu na ilha de Calipso (Charlize Theron).
A ligação entre Sinon e Antínoo
O flashback do longa que associa a entrada de Sinon (Elliot Page) na Guerra de Tróia a uma trama de Antínoo (Robert Pattison) é criação do filme. Originalmente, Sinon é apenas descrito na Eneida, de Virgílio, como o grego vira-casaca que entrega o cavalo de madeira aos troianos.
Confronto com Polifemo
A ilha do ciclope Polifemo tem outros ciclopes no poema, e é a eles que Polifemo pede ajuda quando Odisseu o cega; o herói desarma os ciclopes com um jogo de palavras. No filme, Odisseu e Polifemo não debatem, apenas lutam, e o fato de o ciclope ser filho de Poseidon é apenas sugerido, nunca confirmado.
Ilha de Éolo
Todo o trecho em que os gregos visitam a ilha do deus Éolo e ganham suprimentos para voltar a Ítaca (viagem em seguida frustrada pela cobiça dos comandados de Odisseu) não aparece no filme. Nolan faz a viagem saltar de Polifemo direto para os Lestrigões.
Hermes
Hermes, deus grego do comércio e mensageiro dos deuses, não está no filme. Esse deus auxilia Odisseu no poema com um antídoto para não ser transformado em porco por Circe. No filme, Odisseu descobre o feitiço de Circe (Samantha Morton) por astúcia própria.
Viagem ao Inferno (Hades)
O propósito da viagem ao Hades permanece o mesmo: consultar o cego Tirésia para descobrir o caminho a Ítaca. No filme, porém, apenas os espíritos de Sinon e Agamemnon (Benny Safdie) falam a Odisseu, enquanto no poema os heróis mortos da guerra de Tróia (Aquiles, Ajax) e a mãe de Odisseu também se manifestam para o itácio.
Ilha de Calipso
Odisseu passa sete anos na ilha de Calipso, que o seduziria com a vida eterna se Atena e Zeus não intervissem pela libertação de Odisseu. No filme, Calipso salva Odisseu do naufrágio e o acolhe fazendo uma vontade do herói, que então esquece seu passado comendo as flores de lótus.
A narrativa de Odisseu
No poema, Odisseu reconta as paradas fantásticas da sua viagem em retrospecto aos feácios, reino onde ele desembarca depois de deixar a ilha de Calipso. No filme, os feácios não aparecem e Odisseu relembra sua aventura ainda na ilha de Calipso, quando ela insiste que ele reconte seu passado.
O atentado a Telêmaco
No poema, Telêmaco é avisado por Atena do plano para assassiná-lo. No filme, é com o auxílio do Odisseu disfarçado que o filho (Tom Holland) consegue sobreviver ao complô assim que retorna a Ítaca depois de visitar Esparta.
O fim da história
O filme termina pouco depois de Odisseu se revelar para Penélope (Anne Hathaway) e matar todos os pretendentes. No poema, o último canto ainda reserva um episódio em que as almas chegam ao Hades, enquanto o pai de Antínoo anseia por vingança e conclama os itácios à guerra, conflito que é impedido por Atena para restabelecer a paz.
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