A Broadway invade as telas
A Broadway invade as telas
Normalmente,
as peças da Broadway costumam ser associadas a coreografias de New York,
New York, maquiagens de Cats ou músicas de O Fantasma da
Ópera. Mas o circuito nova iorquino de teatro já teve dias de
genuíno Rock and Roll. Em 1970, o quarteto inglês The Who
invadiu a cidade com a turnê retumbante do disco Tommy, o primeiro
registro de ópera-rock da história. Hoje, muitas dessas idéias
inovadoras se encontram no chamado espaço "off-Broadway",
obras de baixo orçamento, produção inferior e conceitos arrojados.
Com uma trilha sonora cativante e uma ótima história, o ator e roteirista
John Cameron Mitchell e o músico Stephen Trask fizeram de
Hedwig and The Angry Inch um sucesso gigantesco - comparável
ao estouro de Tommy.
Depois
de conquistar público e crítica, a peça se expandiu para
o país todo. E virou filme. Hedwig - Rock, Amor e Traição
(EUA, 2000), dirigido por Mitchell, adapta todos os aspectos do palco para a
tela, de figurino e elenco à musica e roteiro. Hedwig (Mitchell)
nasceu na Alemanha Oriental em plena época de bipolaridade política.
Ao mesmo tempo em que ouvia David Bowie e Lou Reed pela estação
de rádio das Forças Americanas, o garoto desenvolveu uma sensibilidade,
digamos, apurada. Um dia, conhece Luther (Maurice Dean Wint),
um recruta dos EUA, e se apaixona (as balas de gelatina nunca mais serão
as mesmas depois dessa cena, pode confiar). Para poder se casar e viver com
o soldado na América, Hansel - seu nome de nascimento - precisa
trocar de sexo. Assim, depois de uma operação complicada, adota
o nome da mãe e parte para a sua nova vida de mulher.
Claro,
não demora muito até que Hedwig seja abandonada pelo marido. Anos
mais tarde, sozinha, enquanto assiste à queda do Muro de Berlim, ela
toma uma atitude brusca. Decide se dedicar à musica. Logo, Hedwig arruma
um fã ardoroso, o jovem Tommy (Michael Pitt), e lhe ensina
tudo aquilo que se refere a sexo e Rock. Um dia, o moleque também a abandona,
para seguir carreira sob o nome de Tommy Gnosis. Em meio à indignação
e à solidão, Hedwig junta alguns amigos e funda a "Hedwig
and The Angry Inch", uma banda "internacionalmente ignorada",
dedicada às letras autobiográficas e ao "Glam Rock"
de seus ídolos de infância.
Toda
essa salada narrativa ganha qualidade com o humor e o desempenho ímpar
de John Mitchell. Ao estilo de Priscilla, A Rainha do Deserto, o ator
monta o seu espetáculo e a sua mensagem de forma extremamente cativante.
Mas há uma diferença: enquanto Priscilla se notabilizou pelo resgate
dos clássicos de discoteca, Hedwig apresenta uma trilha sonora
roqueira. Graças a Trask, o compositor de todas as canções
do filme, qualquer preconceito machista se dissolve logo no primeiro número
musical. O que se vê na tela parece, realmente, uma grande atração
da Broadway. Mas com piadas inteligentes, Rock básico, roteiro engenhoso
e resultado empolgante.
Imagens © Fine Line Pictures
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