Montagem de vários filmes

Créditos da imagem: Divulgação

Filmes

Lista

20 filmes que marcaram os 20 anos do Omelete

No nosso aniversário de 20 anos, escolhemos algumas obras essenciais das últimas duas décadas

A cozinha
29.05.2020
16h10
Atualizada em
29.05.2020
16h00
Atualizada em 29.05.2020 às 16h00

Em 20 anos, muita coisa pode mudar: gostos, costumes e a cultura pop tiveram várias mudanças nas últimas duas décadas, desde que o Omelete começou suas atividades. Mas tem uma coisa que continua a mesma: a paixão pelo cinema.

Para celebrar nosso aniversário, reunimos abaixo os nossos 20 filmes essenciais das últimas duas décadas, incluindo produções dramáticas, de ação, fantasia e muito mais. Claro, há vários filmes que ficaram de fora e foi muito difícil chegar em uma lista de apenas 20 obras (tanto que demos um jeito para caber mais), mas a seleção abaixo representa bastante da evolução da sétima arte desde a estreia do Omelete na internet.

Confira a lista abaixo, por ordem de lançamento:

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel + O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

Os anos 2000 já começaram com uma franquia que revolucionou o cinema. Comandada por Peter Jackson, a trilogia O Senhor dos Anéis levou para as telas a história de J.R.R. Tolkien, classificada como “impossível de ser adaptada” no passado. Filmados ao mesmo tempo na Nova Zelândia e lançados com 1 ano de diferença, os filmes de O Senhor dos Anéis marcaram época e criaram toda uma nova geração de nerds que acompanham todas as novidades deste universo até hoje. 

Lançado em 2003, O Retorno do Rei marcou o encerramento da trilogia, levando aos cinemas a grandiosa Batalha de Minas Tirith e o encerramento emocionante da Saga do Anel. O longa venceu 11 Oscars e justificou a afirmação do diretor Peter Jackson, que disse anteriormente que fez A Sociedade do Anel e As Duas Torres apenas para chegar em O Retorno do Rei. Ele estava certo e os fãs não se decepcionaram.

Cidade de Deus

Não foi só o cinema de blockbusters que começou os anos 2000 com uma revolução. Em 2002, Fernando Meirelles lançou Cidade de Deus, longa que ganhou projeção internacional e é considerado um dos melhores da história da sétima arte até hoje. Com uma narrativa brilhante, contada pelo ponto de vista de Buscapé, um jovem da Cidade de Deus que quer viver honestamente como fotógrafo, o longa mostra o surgimento e evolução do crime organizado no local.

A Viagem de Chihiro

Vencedor do Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim e do Oscar 2003 de melhor longa animado, A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2001), de autoria de Hayao Miyazaki - o maior animador do Japão - é, sem exagero, um dos melhores desenhos animados de todos os tempos. De fato, é provavelmente a animação convencional de melhor qualidade de todos os tempos, um tributo ao enorme talento dos animadores do Studio Ghibli (do próprio Miyazaki), que se superam a cada nova investida.

Homem-Aranha 2

A nova adaptação do super-herói aracnídeo tem o mesmo humor inocente, o romantismo, aventura e o drama que transformaram o personagem dos quadrinhos na mais famosa criação de Stan Lee. Todas as ideias plantadas no primeiro filme (recapituladas na introdução através de pinturas do quadrinhista Alex Ross) foram potencializadas na continuação pelo diretor Sam Raimi, que encontrou o equilíbrio exato entre o tempo de tela do Homem-Aranha e de Peter Parker (Tobey Maguire). Absolutamente fiel ao espírito das HQs, o longa mostra também como um blockbuster pode ser relevante, inteligente e, de certa forma, autoral.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Para quem gosta de colocar rótulos nos filmes, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças é uma comédia dramática com pitadas de ficção científica, mas, principalmente, é uma história de amor. Só assim para definir este roteiro que mistura diversas influências e que faz rir (com inteligência), se emocionar (sem lágrimas fáceis) e pensar (muito). Quando você acha que está entendendo onde tudo aquilo vai dar, há uma reviravolta e a história muda de direção e até de estilo.

O Labirinto do Fauno

Realidade e fantasia se completam em O Labirinto do Fauno, em um verdadeiro banquete de cenas e personagens inesquecíveis. Visualmente, o filme é soberbo. A cor é extremamente carregada de um sombreado que transforma a narrativa em um livro antigo de fábulas. Inteligentemente, Guillermo Del Toro transporta seu argumento para o campo. Cercado de florestas, o público se sente confortável em aceitar que possa existir por ali um universo mítico. Envolvendo este universo estão as duras cercas do mundo real, característica que também marca o trabalho de outros diretores fantásticos, como Tim Burton e Terry Gilliam. O único ingrediente diferente no filme de Del Toro são os toques surrealistas herdados do cineasta espanhol Luis Buñuel, outro que utilizou sua obra para criticar os fascistas.

Onde Os Fracos Não Têm Vez

O filme é uma adaptação do romance homônimo de 2005 do estadunidense Cormac McCarthy, que ambienta a história no Texas de 1980. Não é, vale repetir, o mesmo Velho Oeste dos colonizadores. James Stewart representava em 1962 a vitória do “civilizador” sobre o “selvagem” - o tema da superação do homem sobre o ambiente, enfim, que percorre todo o faroeste em seu período clássico. Já Onde os Fracos não Têm Vez é a desconstrução niilista do herói mítico porque hoje a civilização perdeu, os heróis perderam, o ambiente venceu.

Batman: O Cavaleiro das Trevas

Lançado em 2008, a sequência de Batman Begins continua a história do Homem-Morcego interpretado por Christian Bale. O diretor Christopher Nolan, que assina o roteiro ao lado do seu irmão, Jonathan, criou um filme que algumas pessoas podem julgar longo, 152 minutos. Mas a verdade é que as mais de duas horas e meia de projeção parecem pouco em um filme que não diminui o ritmo e vai emendando um suposto clímax em algo ainda mais grandioso e dramático.

Up - Altas Aventuras

Se o mercado anseia por robôs gigantes, ação mutante descerebrada ou sextas partes de sagas, o estúdio de animação apresenta a mais inusitada Dupla Dinâmica que se tem notícia: Carl Fredricksen, 78 anos; e Russell, 8. O primeiro é um amargurado vendedor de balões aposentado e viúvo. O outro, um alegre e esforçado escoteiro. Na aventura, ambos voam inadvertidamente juntos ao sul, em uma casa içada por milhares de balões multicoloridos.

Pete Docter (Monstros S.A.) e Bob Peterson, os diretores e roteiristas de Up, conseguem fundir essas premissas longínquas - e o fazem com ação intensa e uma dose de emotividade que só encontra paralelo nos antigos clássicos Disney (a cena em que Carl encontra coragem para abrir o diário da esposa falecida produz lágrimas suficientes pra salgar o saco de pipoca).

Bastardos Inglórios

Tarantino, supernerd cinéfilo, apanha todas essas coisas que lhe são queridas, com as quais cresceu, e as transforma. Ele já fez isso antes muitas vezes, mas em Bastardos Inglórios busca uma certa organização sutil separando os gêneros que emula através de uma organização em capítulos. São quase todos excelentes (...). Inteligente, ainda que mantida rigorosamente simples, a trama investe nos atores - e a direção de elenco é a melhor da carreira já celebrada por essa característica de Tarantino.

Toy Story 3

Toy Story 3 é épico desde a primeira cena. A sequência de abertura já é um aquecimento para o que virá a seguir: muita aventura, humor na medida certa e uma gostosa nostalgia (...). Apesar de ser um filme em que a aventura dos brinquedos mais uma vez é o principal elemento, quando chega na hora de mostrar o lado mais pessoal, é impossível segurar as lágrimas que vão se agrupando no canto do olho. É a Pixar fazendo história. De novo.

O Lobo de Wall Street

O Lobo de Wall Street são três horas de drogas, mulheres, bebida, luxo e todo tipo de fantasia (com anões, carros, animais) que o dinheiro pode pagar. O diretor Martin Scorsese e o roteirista Terence Winter fazem seu comentário sobre a imoralidade da vocação especulativa de Wall Street como se estivessem realizando um Se Beber, Não Case! ou qualquer outra comédia de ressaca, e testando não necessariamente os limites do bom senso, mas acima de tudo os limites da realidade.

Whiplash: Em Busca da Perfeição

Whiplash fica sobre os dois personagens e suas trocas furiosas quase o tempo todo. Há poucos respiros na obsessão dos dois homens, que logo adquire contornos de insanidade. Uma versão demoníaca de Richard Dreyfuss em Adorável Professor, J.K. Simmons faz aqui um dos melhores trabalhos de sua carreira, alternando seus estados emocionais e mantendo o público eternamente incerto de suas intenções. E Miles Teller acompanha à altura, transformando-se ao longo do filme.

Mad Max: Estrada da Fúria

Em Mad Max: Estrada da Fúria, George Miller organiza as gangues em estratos econômicos e sociais aparentemente mais complexos, combinando industriais e religiosos messiânicos numa harmonia possível no caos (o mundo certamente vai acabar antes do capitalismo), mas a grande magia de Mad Max é que a arena os iguala.

Divertida Mente

Em Divertida Mente, interior e exterior coexistem perfeitamente. Toda a confusão criada por Alegria e Tristeza - perdidas dentro da consciência enquanto as outras emoções tomam conta do centro de comando - reflete a crise existencial de Riley. É como se dois filmes tratassem da mesma história com técnicas diferentes, arte realista e arte abstrata sob a mesma moldura. Essa é a balança clássica da Pixar, com temas complexos em embalagens singelas, cujo equilíbrio resulta em personagens multifacetados e extremamente fofos (com destaque para o amigo imaginário Bing Bong).

Corra!

Corra! funciona bem e não descamba para a paródia porque Jordan Peele consegue manter, por boa parte do filme, um equilíbrio ideal entre a comicidade e o estranhamento. O roteiro escolhe transformar a história de resistência de Chris em uma jornada sociomotivacional - no melhor estilo deixe-a-TV-e-vá-ler-um-livro - mas isso não tira sua eficiência e sua capacidade de provar, por conta dos absurdos que o filme nos desvela, como a realidade de jovens negros em qualquer sociedade, e não apenas a americana, pode se transformar em um filme de terror no dia a dia.

Vingadores: Guerra Infinita + Vingadores: Ultimato

Filmados ao mesmo tempo, Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato marcaram o encerramento da Saga do Infinito do MCU nos cinemas. Depois de uma década de preparação, os heróis finalmente encararam Thanos de frente e, surpreendentemente, perderam a luta. O final de Guerra Infinita é impactante com a perda de metade dos heróis e gerou ainda mais expectativa para Ultimato. O lançamento do segundo, em abril de 2019, bateu diversos recordes e entregou uma batalha final digna das maiores páginas dos quadrinhos.

Homem-Aranha no Aranhaverso

Homem-Aranha no Aranhaverso é o filme que a Sony precisava. A produtora não sabia mais como utilizar o personagem em live actions – tanto que fez uma parceria com o Marvel Studios que deu origem a franquia estrelada por Tom Holland – e, agora, acerta ao colocar o herói em uma animação, mudando o protagonista e nos dando um novo herói acompanhar: Miles Morales (...). O visual da produção é especial pois consegue equilibrar diversos estilos diferentes. Esse mundo animado conta com diversas referências aos quadrinhos – como barulho de sons e quadros de pensamento – e tudo acontece de uma maneira tão natural que faz deste o longa que melhor conversa com as HQs.

Bacurau

Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2019, o longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles está evidentemente usando essa premissa do apagamento para falar do desmanche, do loteamento do país, mas, ao invés de aderir ao discurso da célebre falta de memória do brasileiro, Bacurau toma o caminho inverso e faz na verdade uma celebração do folclore - da memória coletiva (...). Faz-se aqui cinema de resistência dentro de um filme de indústria, e em nenhum momento Bacurau deixa de ser um suspense narrativo para se tornar um filme-ensaio ou de panfleto, descolado de si.

Parasita

Se Parasita tem se revelado um sucesso de público e crítica, talvez seja muito pela forma como envolve o espectador numa troca que é vertical porém cheia de fair play: as viradas da trama não são antecipadas por pistas falsas ou previsíveis, e o elogio do engenho da contação não vem acompanhado de um pedantismo de "dono da narrativa". Na verdade, as viradas de roteiro e tom acontecem de formas tão harmônicas, engraçadas e imprevistas que até o próprio diretor Bong Joon-ho parece pego de surpresa pelo jogo anárquico promovido por seus personagens.