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1408

Adaptação de Stephen King deixa o gore de lado e se apóia no terror psicológico

Marcelo Forlani
01.11.2007
11h00
Atualizada em
21.09.2014
13h30
Atualizada em 21.09.2014 às 13h30

Stephen King, apesar de ser o mestre dos livros de terror, não é garantia de bons filmes do gênero. Tanto é que algumas das melhores adaptações de suas obras para os cinemas nada têm de sobrenatural, como Conta Comigo (Stand by Me, 1986), Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption, 1994) e o pouco conhecido O Aprendiz (Apt Pupil, 1998). Mas como exceções que confirmam a regra estão aí também Carrie, a Estranha (Carrie, 1976) e O Iluminado (The Shining, 1980). Correndo por fora, chega agora ao Brasil o muito bom 1408 (2007).

Indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro por Evil - Raízes do Mal (Evil,2003), Mikael Håfström retoma com este projeto os bons passos que o fizeram trocar a fria Suécia pela ensolarada Califórnia, depois de uma leve derrapada em Fora de Rumo (Derailed, 2005), quando pisava pela primeira vez no escorregadio terreno de Hollywood.

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Diferente da predileção pelo gore que se instalou no cinema de hoje, 1408 deixa um pouco de lado o sangue para causar o pânico de outra forma: instalando-se na cabeça do protagonista. A cada novo minuto que o escritor Mike Enslin (John Cusack) passa dentro do quarto 1408 do Hotel Dolphin, em Nova York, fica mais dicífil saber se o que ele vê ao seu redor é um possível simnal de demência, ou uma manifestação real dos espíritos que dominam aquele espaço.

Aumenta a dramaticidade o fato de Enslin ser uma pessoa cética. Ele ganha sua vida indo a lugares "assombrados" e quebrando suas míticas. Ex-novelista que trocou os romances pela literatura sombria, ele atualmente redige o livro "Dez Noites em Quartos de Hotel Mal-Assombrados" e por isso se interessa pelo quarto do hotel nova-iorquino onde suicídios constantes fizeram o gerente do hotel (Samuel L. Jackson) ordenar a interdição do local.

Apesar dos sustos fáceis do estilo vulto+som alto, é mesmo o clima sinistro e o terror psicológico que deixam 1408 acima da atual média de remakes orientais e filmes de tortura. Se Stephen King está preocupado com isso? Duvido muito. Para ele, o que deve valer é o cheque que bate na conta. Justo. Afinal, a parte dele está feita.