Carey Mulligan e Bradley Cooper em cena de Maestro

Créditos da imagem: Divulgação

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Falta alma em Maestro, mais uma tentativa de Bradley Cooper de ganhar o Oscar

Omelete conferiu novo filme do astro no Festival de Veneza

Omelete
3 min de leitura
02.09.2023, às 18H11
ATUALIZADA EM 02.09.2023, ÀS 18H29
ATUALIZADA EM 02.09.2023, ÀS 18H29

Bradley Cooper está doido por um Oscar. Ele já concorreu nove vezes, quatro delas como ator, uma como roteirista e quatro como produtor. Depois de estrear na direção com Nasce uma Estrela (2018), que disputou nove estatuetas e ganhou o de canção original, sua nova aposta é Maestro. No filme, exibido neste sábado (2) na competição do 80º Festival de Veneza, Cooper é produtor, diretor, corroteirista (com Josh Singer) e ator principal.

Maestro é daqueles filmes com rabo, pé e focinho de Oscar. É uma cinebiografia do maestro e compositor Leonard Bernstein, um dos grandes nomes da música norte-americana. Em teoria, seu recorte é o casamento de Bernstein com a atriz Felicia Montealegre (Carey Mulligan), evitando a tendência desse tipo de filme de deixar a mulher em segundo plano. E tem até transformação física, com o já polêmico nariz prostético que Bradley Cooper utiliza para supostamente ficar mais parecido com Bernstein. Nicole Kidman, Gary Oldman e Meryl Streep ganharam Oscars com a ajuda da maquiagem prostética.

Sem entrar na controvérsia sobre ela reforçar estereótipos e preconceitos sobre os judeus, a maquiagem de Kazu Hiro (Planeta dos Macacos, O Destino de uma Nação) é bem-feita e não distrai tanto quanto poderia. Principalmente na fase da maturidade do maestro, ela é útil. Ao mesmo tempo, a pergunta que fica é: precisava? A obsessão com a semelhança física é fútil, porque na verdade Bradley Cooper continua não se parecendo nada com Leonard Bernstein.

Quanto ao filme em si, Cooper cai na armadilha de tentar abarcar décadas de uma vida em um único filme de cerca de duas horas. Mesmo com o foco do casamento, é muita coisa. Quem não sabe muito sobre a carreira do maestro vai sair na mesma – sua música para West Side Story, que revolucionou os musicais, é apenas citada. E quem sabe bastante sobre sua carreira e quer entender a importância de Felicia em sua vida e obra também vai continuar desinformado.

O diretor, que optou por usar preto e branco nas cenas da juventude de Leonard e Felicia, tem dificuldades nas cenas do casal, desde o momento em que eles se conhecem em uma festa até quase o final. O primeiro cartaz, com as costas de Felicia, dava a entender que o longa teria um enfoque nela. Mas não chega a tanto. Existem lacunas no retrato dessa mulher e desse relacionamento.

Em dados momentos, ele opta por filmar bem de longe, o que distancia o espectador do drama. Só no fim investe nas cenas mais emotivas, feitas sob medida para compor o clipe do Oscar. Nem a boa atuação de Mulligan, especialmente na parte final, consegue aquecer a história desse relacionamento.

Cooper se sai melhor nas cenas grandiosas sobre a carreira de Bernstein, que em teoria não é o foco aqui, como o momento em que ele, aos 25 anos, conduz a Filarmônica de Nova York pela primeira vez, ou em que ele executa sua obra "Mass".

Cooper começa o filme dizendo que a arte é para provocar perguntas e não dar respostas. Justo, porém os questionamentos que Maestro provocam não chegam a ser instigantes quanto aqueles de Tár, por exemplo, só para ficar no mesmo universo da música clássica.

O resultado é que Maestro não é profundo o bastante na vida, muito menos na obra. Nem faz um retrato interessante de Bernstein, nem de Felicia, nem do casamento. Tem bons momentos, é tecnicamente competente, mas lhe falta o essencial: alma.

O longa-metragem chega à Netflix no dia 20 de dezembro.

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