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Artigo

Festival de Cannes | Evolução dos cartazes

A história contada pelas artes da festa internacional do cinema

Natália Bridi
06.05.2013
16h23
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Parte da história do Festival de Cannes passa por seus cartazes. São 66 anos de cinema e design contados por ilustrações originais, musas, imagens conceituais, fotos de set ou simplesmente artes criadas sob encomenda por agências.

Para celebrar a edição 2013 do festival, que usa o beijo de Joanne WoodwardPaul Newman em Amor Daquele Jeito (1963) para ilustrar seu pôster (em uma composição criada pela agência francesa Bronx), separamos alguns dos cartazes que marcaram a trajetória de Cannes:

1946

Cannes

O primeiro cartaz do festival, criado por Leblanc, enquadra um pequeno casal ilhado para refletir o espírito do então pequeno evento cinematográfico no sul da França. A arte também revela a antiga data de Cannes, que acontecia entre setembro e outubro, no outono francês. Em 1951, depois de ser cancelado em 1948 e em 1950 por problemas de orçamento, o festival transferiu suas comemorações para a primavera para evitar o conflito de datas com o Festival de Veneza. Internacional desde o princípio, a primeira edição exibiu filmes de mais de 16 países e teve um eclético júri presidido pelo historiador Georges Huisman. O Grande Prêmio era então distribuído entre diversos filmes, não definindo apenas um vencedor. A Palma de Ouro, o mais cobiçado e prestigiado troféu do festival, seria criada apenas em 1955.

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1955

Cannes

Negativos de filme e bandeiras internacionais marcaram presença em diversas artes de Cannes. O pôster criado por Marcel Huet sobrepõe esses dois elementos para celebrar a oitava edição da festa e os 60 anos de cinema. O júri presidido pelo cineasta francês Marcel Pagnol entregou a primeira Palma de Ouro para Marty, filme de Delbert Mann, estrelado por Ernest Borgnine, que no ano seguinte levaria quatro Oscars.

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1960

Cannes

A segunda metade dos anos 1960 é feita de contornos mais sóbrios, focados na tipografia, mas os cartazes do início da década são marcados por ricas ilustrações assinadas por Jean-Denis Maillart, A. M. Rodicq e Jean-Claude Moreau. No cartaz de 1960, Maillart coloca gaivotas, flores e estrelas (três elementos que se repetem em diversas artes ao longo dos anos) dentro de duas mãos abertas. O júri presidido pelo escritor belga Georges Simenon deu a Palma de Ouro para A Doce Vida, de Federico Fellini. A Aventura, de Michelangelo Antonioni, e Alucinação Sensual, de Kon Ichikawa, dividiram o Prêmio do Júri.

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1974

Cannes

O surrealismo foi o grande destaque nos cartazes desenvolvidos na década de 70. Além do olho alado de Georges Lacroix, outras artes fantásticas foram criadas por Wojciech Siudmak e Folon. Em 1964, a Palma de Ouro precisou ser temporariamente eliminada por questões de copyright, sendo reintroduzida como o mais alto prêmio do festival em 1975. Na premiação de 74, o grande prêmio ficou com A Conversação, de Francis Ford Coppola, e o Prêmio do Júri foi para As Mil e Uma Noites, de Pier Paolo Pasolini.

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1985

Cannes

A década de 80 marca o início da tradição do festival de celebrar, em suas artes promocionais, a história do cinema. Começando com as Marilyns nebulosas de Michel Landi, em 1981 e 1982, passando por ilustrações assinadas por Fellini, Akira Kurosawa e Alexander Trauner, e chegando ao cartaz de 1985, em que a agência Information and Strategie criou um tributo a Eadweard Muybridge, o fotógrafo inglês famoso por seus experimentos em captura de movimento, para celebrar a evolução da sétima arte. Naquele ano, o júri presidido pelo cineasta Milos Forman entregou a Palma de Ouro para Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios, do iuguslavo Emir Kusturica.

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1992

Cannes

O cartaz da 44ª edição de Cannes dá início a outra tradição entre as artes do festival: o uso de fotografias de belas e icônicas atrizes. Na arte de 1992, o designer Michel Landi usa o retrato de Marlene Dietrich feito por Don English para homenagear a atriz, que falecera dias antes do início do festival. Gérard Depardieu era o presidente do júri, que entregou a Palma de Ouro para A Melhor das Intenções, a história dos pais de Ingmar Bergman dirigida por Bille August.

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2007

Cannes

Em sua 60ª edição, a organização do Festival de Cannes buscou inspiração no trabalho de Philippe Halsman, fotógrafo famoso por seus retratos que pregava que a verdade estava no pulo: "Quando você pede a uma celebridade para pular, a atenção dela está essencialmente concentrada nesse salto, as máscaras caem e sua verdadeira personalidade é revelada". Durante a edição de 2006, diversas celebridades pularam para as câmeras do fotógrafo Alex Majoli, da agência Magnum. O designer gráfico Christophe Renard então criou o cartaz, reunido os retratos de Pedro Almodovar, Juliette Binoche, Jane Campion, Souleymane Cissé, Penélope Cruz, Gérard Depardieu, Samuel L. Jackson, Bruce Willis e Wong Kar Wai em um arranjo similar ao de antigos cartazes do festival. Stephen Frears presidiu o júri, que deu a Palma de Ouro a 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu.

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2012

Cannes

Marilyn Monroe, musa mais uma vez, foi quem assoprou as velas nos 65 anos do festival. A agência Bronx escolheu a famosa foto de Otto L. Bettmann para marcar o aniversário. O italiano Nanni Moretti foi o presidente do júri, que entregou a Palma de Ouro para Amor, de Michael Haneke.

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