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Cannes | Cold War, novo filme do diretor de Ida, põe festival no bolso

"Amar é superar obstáculos", diz o diretor de Cold War

RF
11.05.2018, às 08H24.
Atualizada em 29.06.2018, ÀS 02H37

Qualquer "já ganhou" que se grite em Cannes neste fim de semana, em relação à disputa pela Palma de Ouro, soará prematuro, pois ainda há oito dias de programação pela frente, mas foi difícil conter esse brado ao fim da sessão de Cold War. Centro nervoso do evento, o Palais des Festivals veio abaixo quando o novo filme de Pawel Pawlikowski - diretor polonês laureado com o Oscar por Ida, em 2015 - terminou, em meio a uma multidão de espectadores chorosos. Seu visual em preto e branco, de um requinte plástico singular, é um passaporte sensorial para uma viagem aos anos 1940, 50 e 60 de uma Europa em dias de Guerra Fria.

"Tempos difíceis são um convite para grandes histórias de amor, pois eles não comportam distrações, ao contrário do que vivemos hoje, imersos num mar de imagens, presos aos telefones celulares", diz Pawlikowski ao festival. "Amar é superar obstáculos".

Mais elogiado de todos os filmes em disputa pela Palma já exibidos até aqui, o longa-metragem é uma celebração da paixão como força incondicional. Sua trama se espalha por diferentes países, ao longo de duas décadas, saindo da Polônia e voltando a ela, atrás de um casal ligado pela música. Por quase 20 anos, o maestro e compositor Wiktor (Tomasz Kot, em sublime atuação) vai fazer de tudo para ficar ao lado de uma cantora, a jovem Zula (Joanna Kulig), que ajudou a revelar. Mas o Estado polonês vai atrapalhar os sonhos dos pombinhos.

Opus Film/Divulgação

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"Esta história, dedicada aos meus pais, está comigo há décadas, bem antes de eu ter feito Ida, e parte da percepção fatalista de que quase tudo na vida acaba mal. O amor é uma forma desafiar os obstáculos que nos atrapalham", diz o cineasta, que usa uma depuradíssima engenharia de som nas cenas de canto ou de espetáculos musicais do filme. "Não filme o passado por nostalgia, mas pelo incomodo de notar que as coisas simples de antes estão se perdendo, entre elas a arte de ouvir o próximo".

Ainda hoje, Cannes confere outro concorrente de peso à Palma de Ouro: o chinês Jia Zhang-ke, no páreo com Ash Is Purest White, thriller de amor no mundo de gangsters. O diretor, alvo de rígida censura política na China, foi objeto de um documentário feito por Walter Salles: O Homem de Feniyang.

Na mostra paralela Un Certain Regard, um filme argentino se candidata ao posto de "filme sensação" da América Latina no festival, El Ángel. Nele, o diretor Luís Ortega recria a história de um jovem de classe média que assombrou Buenos Aires nos anos 1970, com uma série de roubos e assassinatos. 

Para sábado, "a" atração de Cannes é a vinda do diretor inglês Christopher Nolan à cidade para ministrar uma masterclass sobre sua carreira e sobre a remasterização de 2001 - Uma Odisseia No Espaço (1968), que ele coordenou.

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