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"Estou acostumado a ser o número dois, o ator de apoio", diz Willem Dafoe

Indicado ao Oscar por Projeto Flórida, que estreia hoje (1º), o ator fala sobre sua forma de atuar

Rodrigo Fonseca
01.03.2018
11h04
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Principal rival de Sam Rockwell na briga pelo prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Oscar 2018, Willem Dafoe, no páreo por Projeto Flórida, confessou no Festival de Berlim que vê com estranheza convites para protagonizar filmes. Desde sua consagração com Platoon (1986), pelo qual recebeu a primeira de suas três indicações à estatueta hollywoodiana, ele se acostumou a ser o amigo, o parceiro, o apoio do protagonista. Foi a estrela principal em poucas produções, como A Última Tentação de Cristo (1988), que comemora agora seus 30 anos com uma cópia digital novinha em folha prestes a regressar aos cinemas de arte na Europa.

A24/Divulgação

"Foi algo redentor viver o Cristo de Scorsese, mas tô acostumado a ser o número dois, ator de apoio, o amigo do mocinho, depois de tantos anos que venho sendo escalado para esta função. E, nela, aprendo muito sobre a parceria com os colegas e sobre a maneira de buscar a atenção do público sem desrespeitar meus companheiros", disse Dafoe, ao ser homenageado com um Urso de Ouro honorário na Berlinale.

Lançado no circuito brasileiro nesta quinta (1º), carregado de elogios da crítica europeia, Projeto Flórida põe o ator no papel de Bobby, zelador de um motel à beira da estrada que leva à Disney World, cujo coração se amolece diante de Halley (Bria Vinaite), a mãe solteira da pequena Moone (Brooklynn Prince). Em Cannes, o filme de Sean Baker (Tangerina) fez sua estreia mundial, na Quinzena dos Realizadores, e Dafoe fez um balanço de sua trajetória artística na Croisette, ao fim de sua projeção.

"Venho trabalhando com muitos cineastas de verve autoral, de diferentes campos de atuação, seja alguém mais fabular como Wes Anderson ou um diretor mais realista como Spike Lee. Cada um exige de mim uma reação distinta, o que me traz diferentes formas de olhar o mundo. Hector Babenco, por exemplo, teve a generosidade de me deixar encenar experiências pessoais dele em O Amigo Hindu, que fiz no Brasil", disse Dafoe, escalado para dividir a cena com Robert Pattinson em The Lighthouse, de Robert Egger, do cult A Bruxa (2015). "Tento trazer traços de experiências pessoais a cada papel, com o cuidado de não me repetir".

Este ano, Dafoe será visto como Vulko em Aquaman, de James Wan, ao lado de Jason Momoa.