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A Vida Secreta de Walter Mitty | Omelete Entrevista Ben Stiller

Ben Stiller não joga futebol

Equipe Omelete
20.12.2013, às 14H14
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 17H22
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 17H22

Ben Stiller, diretor e protagonista do filme A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty), fala sobre a Islândia, decisões sobre o remake, a revista Life, Peter Sellers, Forrest Gump e o futuro.

 

Primeiramente, obrigado pelo seu tempo.

Ben Stiller: De nada.

Na realidade você ou o Sean Penn sabem jogar futebol?

BS: Na verdade não. Não, eu não sou nada bom, nada bom, eu... Foi um desafio o simples fato de acertar a bola quando estávamos lá, foi divertido fazer, mas... meu filho joga melhor do que eu.

Você estava mesmo no Himalaia naquela cena?

BS: Não, não, nós filmamos aquilo na Islândia, na verdade.

Era a primeira vez que você foi à Islândia?

BS: Sim, sim.

Parece o lugar mais lindo do mundo.

BS: É, é incrível, eu pude ir lá algumas vezes no decorrer da produção do filme, sabe, fomos pela primeira vez, mais ou menos um ano antes de começar as filmagens. São tão dramáticas as paisagens, tão diversas e tão pequenas, também, considerando o tamanho do país. Você pode percorrer uma distância muito pequena e ver uma geografia incrivelmente diferente, e o clima é extremo, e sabe, pra mim aquele lugar tem uma energia especial para o filme que realmente o enriqueceu e realmente se tornou, para mim, a experiência de fazer o filme em ir lá e descobrir aquilo.

Você passou muito tempo fazendo esse filme, o que mudou em todos esses anos?

BS: Bom, a primeira vez que eu vi um rascunho do filme foi há uns 8 ou 9 anos, que queria mais fazer um remake da comédia musical original e e ela eu achei que não podia ser superada, pois eu sinto que aquele filme é um clássico e não havia um motivo para refazer aquela versão e então Steve Conrad, que é um escritor muito bom, veio com essa versão do filme que eu achei muito mais... me pareceu muito moderna eu me identifiquei com ela e decidiu explorar o personagem, fazer o filme mais sobre o personagem, em oposição a ser sobre sonhar acordado, mas realmente sobre o porquê de uma pessoa sonhar acordada e como esse cara está tentando se conectar com essa versão melhor dele mesmo e autodescoberta, e isso não estava no outro rascunho nem nada assim.

Na vida real a revista Life, eles começaram na internet em 2009, certo? Como você abordou eles para colocá-los dentro do filme?

BS: Nós só ligamos pra eles, mandamos o script e falamos que estávamos fazendo esse filme e se eles estariam interessados em aparecer nele e cooperar, e eles foram ótimos, tem um cara chamado Bill Shapiro lá que basicamente foi o responsável pela transição da mídia impressa para a internet e ele foi muito atencioso porque ele abriu o arquivo de fotos pra gente e ele falou de suas experiências e de como foram as mudanças, sabe, foi uma coisa bem pesada e triste que aconteceu, visto que uma revista icônica teve que ser fechada dessa maneira então eu realmente me senti muito sortudo por poder olhar todos os arquivos deles, e ter a experiência de ir ao prédio Time-Life onde filmamos, filmamos muitas das cenas do lobby lá e é um lugar incrível que meio que define aquele período.

Você tem, claro, Shirley MacLaine nesse filme e tem uma foto de Peter Sellers dentro do escritório da Life. Isso está na minha cabeça e eu não pude evitar pensar em "Muito Além do Jardim", esse é um filme importante pra você? Você pensou nele?

BS: É um dos meus filmes favoritos, com certeza, e Hal Ashby é um dos meus cineastas favoritos, Sim, a essência do que ele fez naquele filme pra mim foi algo que me influenciou muito em querer fazer filmes, e eu o vi logo que saiu, eu acho que ele saiu quando eu tinha uns 14 anos... sabe, é um filme que realmente desafia qualquer tipo de gênero de filme e a atuação dele é incrível, então... Essa é uma capa da revista Life real dele, e quando encontramos eu pensei que iria encaixar e eu queria fazer um pequeno tributo a ele.

Legal, tem muita gente comparando Walter Mitty com Forrest Gump e tem muita correria nesse tipo de filme, sabe, um filme de autodescoberta independente. Porque tem tanta correria?

BS: Eu sei, eu... eu não sei, sabe, tem algo sobre correr, correr para algum lugar, sabe, o indivíduo, o homem contra o ambiente, sabe, e eu acho... digo, eles fizeram aquilo incrivelmente bem em "Forrest Gump", e aquilo foi... aquele tom singular que eles tinham naquele filme. Para mim foi a noção de que Walter precisa, sabe, o ciclismo, as corridas e o skate, é tipo, são todos atos físicos que não são alguém sentando na frente de um computador, mas alguém saindo mundo afora e fazendo algo. Sabe, na verdade correr naqueles caminhos e fazer aquilo, tem um sentimento real de "estou aqui fora na natureza", e sabe, e você sente o quanto somos pequenos no mundo, também, isso é algo que eu ganhei daquela experiência também.

Você faz 48 anos esse mês, certo?

BS: Sim.

Você se vê fazendo comédias físicas, comédias pastelão, como um cinquentão?

BS: Eu não sei, eu não tenho muitas regras, sabe? Eu acho que vou fazer o que me interessa e o que parece certo na hora, e se eu sentir que é certo no momento, mas, digo... nesses últimos anos eu sinto como se eu, meio que, fiz menos, mas eu sempre acho que isso é uma parte do que eu faço, e se é algo que parece engraçado e certo eu vou fazer.

O que seu pai fala, ele te dá algum conselho sobre fazer comédia aos seus 50, 60 anos?

BS: Não, ele fala só pra fazer o que eu amo, só faça algo que você ama fazer, o conselho dele é mais sobre pegar leve, não trabalhar demais e passar mais tempo com a minha família, que eu acho que é um bom conselho.

E Zoolander 2, você acha que talvez esteja muito velho para fazer o Zoolander?

BS: Claro, provavelmente, eu acho que já estava muito velho quando eu comecei. Eu não sei, sabe, eu amo o filme e estou muito feliz com ele mas não acho que todo filme precisa ter uma sequência talvez tenhamos um script que gostamos, mas, sabe, precisamos ver tudo amarrado pra começar.

E eu gosto do "O solteirão", eu acho que é um dos seus melhores trabalhos.

BS: Obrigado.

E você está fazendo o novo filme de Noah Baumbach.

BS: Sim, sim.

O que você pode falar sobre ele?

BS: Nós acabamos de terminar as filmagens, o nome do filme é "While we're young"e ele é um pouco mais leve que "O solteirão", eu acho, e é sobre dois casais, um nos seus quarentas e outro nos seus vinte anos eles se encontram e têm uma conexão, e o casal mais jovem revigora o casal mais velho e os anima para seu relacionamento novamente, e então, tem essa nova subtrama sobre fazer filmes, porque o personagem principal, que eu faço, é um documentarísta. Então, é uma comédia, e é bem leve para o Noah.

Muito obrigado.

BS: Ok, cara, obrigado, foi bom conversar com você.

 

A Vida Secreta de Walter Mitty estreia 20 de dezembro nos cinemas.

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