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ParaNorman | Omelete Entrevista Travis Knight, Sam Fell e Chris Butler

Produtor e diretores falam do desafio de fazer uma animação com zumbis.

Equipe Omelete
05.09.2012, às 14H05
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 17H17
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 17H17

Nosso correspondente de Hollywood, Steve Weintraub, conversou com o produtor, Travis Knight, e os diretores, Sam Fell e Chris Butler, de ParaNorman, nova animação da Focus Features.

Eles falaram sobre como começou a produção do longa, sobre o limite entre o que é assustador e o que é engraçado na animação, e o desafio em equilibrar os dois.

Como você está hoje?

Travis Knight: Eu estou bem, obrigado.

Eu vou começar dizendo: parabéns pelo filme. Eu realmente amei.

TK: Obrigado. Realmente agradeço.

Fale um pouco sobre... como este projeto começou e como virou uma prioridade para o estúdio.

TK: Sim. Nós estávamos produzindo "Coraline", quando o nosso roteirista chefe, Chris Butler, veio falar comigo sobre uma ideia que já estava na cabeça dele há um tempo. E a ideia era um filme de stop motion sobre zumbis para crianças. Que, para um cara como eu... Eu fiquei intrigado na hora. Eu cresci assistindo a filmes de zumbi de George Romero, e filmes das criaturas de Ray Harryhausen. E a ideia de pegar essas duas coisas e juntá-las em um filme de animação, foi algo muito profundo para falar. Foi uma coisa muito empolgante. Eu comecei a me aprofundar na história, para entendê-la realmente. Eu descobri que ela tinha uma parte muito bonita e profunda, que ia além dos efeitos visuais. Era realmente uma história que tinha algo para dizer.

Fale um pouco sobre... o desafio de fazer um filme para todas as idades, mas também com zumbis e coisas assustadoras nele. Onde vocês queriam que este limite entre os dois ficasse?

Sam Fell: Bom, muito é baseado nas coisas que amávamos quando... Que amávamos... Em filmes que amávamos quando crianças. E eles eram mais obscuros antigamente. Nós queríamos que fosse como "andar em uma montanha-russa". Então, nós tínhamos que "desenhar uma montanha-russa". Quando tínhamos alguma parte de dar medo, ou cenas intensas, nós colocávamos coisas engraçadas também. Coisas engraçadas para...

Chris Butler: É para torná-lo divertido. E ele o ajuda a lembrar de como era assistir a filmes quando criança. E é tão difícil fazer isso, porque, claramente, nós não somos crianças. Mas tentar tirar essa barreira, quando você... "Isto não é isto, e...."

SF: Sim.

CB: Você fica muito cauteloso com a idade. E estava tentando lembrar o que você ama em filmes, quando... E, para mim, eram filmes de medo.

SF: Sim, definitivamente. Eu acho que crianças gostam de um susto. Então, nós não queríamos ser muito tímidos.

CB: Certo.

SF: Nós realmente queríamos arriscar com os zumbis, nas cenas mais intensas. Porque é algo que chama atenção. É algo forte.

CB: Sim.

TK: É complicado acertar. Você tem que ser bem detalhista em um filme como este. Mas nós nos inspiramos nos contos de fadas clássicos da Disney, dos anos 30, 40, 50. Como Pinóquio e Branca de Neve. Filmes que tinham o equilíbrio perfeito entre obscuro e leve. De intensidade e carinho. É uma forma de fazer filmes para famílias, o que achamos que não existia mais actualmente. Mas era algo que existia nos anos 80, enquanto crescíamos. Coisas como "Os Goonies", "Os Caça-Fantasmas", "Gremlins". Filmes que tinham um equilíbrio incrível. Mas, sim, é complicado acertar isso. Com certeza, você não quer traumatizar o seu público. Mas, ao mesmo tempo, você não quer menosprezar o seu público. Você não quer... Você tem que respeitar a inteligência e sofisticação que trazem para um filme como este. E, eu acho que tendo esse equilíbrio entre obscuro e claro, você consegue contar uma história mais poderosa. Por não se encolher nos momentos mais obscuros e intensos, você tem uma experiência mais emocionante durante o filme.

Obviamente, muitas pessoas não percebem que você é chefe do estúdio, mas você também faz animação. Estou certo, não?

TK: Sim, está certo.

Bom! Porque você estava me olhando como...

TK: Não.

Só queria ter certeza...

TK: Parece loucura até quando outra pessoa fala.

Eu só queria saber... Obviamente, você animou um pouco do filme.

TK: Sim. 15 mil frames, para você saber.

Exatamente. Você escolheu a dedo as cenas, enquanto estavam escrevendo o roteiro? Como: "Eu vou fazer esta cena. Calma! Eu vou fazer esta também." Ou é um sorteio entre todo mundo?

TK: Nós contratamos animadores como em filme, como você contrataria um ator. Alguns animadores são muito bons nas partes emocionais. Alguns animadores são bons nas ações. Alguns animadores podem fazer praticamente qualquer coisa. Então, você tenta tomar cuidado em onde colocar os animadores. Para mim... Há coisas que são legais de animar. Coisas que são empolgantes para animar. E há coisas que são importantes para animar. E, para mim... A minha contribuição para este filme... Eu sabia que tinha que fazer aquelas partes mais importantes para a história, mesmo... Então, algumas coisas mais legais, algumas coisas que eu gostaria de ter animado, eu dei para outros animadores, só porque eu achava que precisava fazer as partes mais importantes para a história do filme.

Todo projeto muda durante a produção. Houve alguma mudança radical do princípio do projeto para o que vimos na tela?

SF: Eu não diria...

CB: Não. Não houve mudanças radicais não. Chris trabalhou na história por um longo período, todos os personagens estavam completos. E, na verdade, foi... Na produção do filme, era mais: como transformá-la em um ótimo filme. Em cima de um ótimo roteiro. Então... nós não tivemos crises ou nada. A coisa mais difícil foi arriscar, e sermos bastante ambiciosos. Simplesmente... tecnológica e fisicamente, nós queríamos que esse filme fosse o maior e melhor filme de stop motion que já fizeram. Então...

CB: Nós tivemos muito tempo para arredondar as arestas, eu acho. Porque, desde o início, nós sabíamos que filme queríamos fazer. É muito comum trabalhar em um filme de animação que, quando começa a produção, você não sabe como irá acabar. Você não sabe como será o terceiro ato. Então, você passa muito tempo "procurando" a história. E, porque sabíamos como iria acabar, tivemos tempo para realmente pensar, fazer uma história consistente.

SF: Sim. E simplesmente olhar para as imagens, para a edição, pensar em uma música, de uma forma diferente.

 


 

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