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Missão Madrinha de Casamento | Omelete Entrevista Paul Feig

Diretor fala das cenas deletadas e o improviso do elenco

Equipe Omelete
21.09.2011, às 21H45
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 17H14
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 17H14

Nesta sexta-feira (23 de setembro) estreia nos cinemas Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids), a nova comédia produzida por Judd Apatow (O Virgem de 40 Anos). O Omelete entrevistou com exclusividade o diretor Paul Feig (Menores Desacompanhados), velho comparsa de Apatow em suas séries de TV. No bate-papo com o nosso correspondente em Hollywood, Steve Weintraub, do Collider, o cineasta fala da liberdade que deu ao elenco na hora de improvisar, o que tem de sobras de material para a versão do DVD e como as sessões-teste ajudaram a moldar o filme. Leia abaixo a transcrição:

Como você está hoje?

Bem, e você?

Estou ótimo. Olhei a sua longa e brilhante carreira no IMDb. O que você acha que impactou mais e te trouxe até onde está hoje? Foi interpretar Ron em The Facts of Life ou o monitor de escola em Te Pego Lá Fora?

São dois papéis diferentes e importantes na minha carreira... Acho que vou escolher o Ron, de The Facts of Life porque é onde eu pude interpretar um nerd realista, usando um daqueles bonés com hélice. E as garotas me deram uma nota 3, eu acho. Esse era a nota que me davam. Elas iam às festas com os caras bonitos, e nós éramos os nerds, então...

E o que mudou na sua vida dessa última década para cá?

Depois disso foi ladeira abaixo. Eu fico tentando recapitular a mágica daquele momento.

Também percebi que você interpretou locutores de rádio em muitos filmes.

Sim. Eles sempre precisam de alguém com uma voz profunda então sempre acabam usando minha voz de locutor.

Exatamente. Mas vamos falar do motivo que nos traz aqui. Primeiro, eu amei o seu filme.

Fico feliz!

Parabéns por ele.

Obrigado.

Mas a primeira coisa que tenho que dizer: o trailer tem muitas coisas que não estão no filme. Toda vez que vejo um comercial percebo que alguma coisa não está no filme.

Sim.

Quanta coisa boa sobrou na sala de edição?

Sobrou muito. Temos muitas coisas boas. Isso que é o bom de se trabalhar com mulheres tão engraçadas. Temos um roteiro muito engraçado, para começar, escrito por Kristen e Annie. E aí demos liberdade para que elas improvisassem muito e tínhamos roteiristas no set escrevendo outras piadas e colocando no filme... Então tínhamos montes e montes de coisas engraçadas. O que é ótimo, porque normalmente você vê o trailer de uma comédia e parece ter visto todas as piadas engraçadas. No nosso filme você vê várias piadas engraçadas, mas tem outras mais engraçadas que você ainda não viu. Então é uma experiência completa.

Exatamente. Para alguém que ama fazer takes alternativos e para comediantes especialmente, o que vocês... - eu sei que isso é estranho, porque o filme está estreando no cinema -, mas o que vocês pensam em fazer para os fãs quando eles comprarem o filme e levarem para casa?

Na verdade nós já juntamos a maior parte dos extras do DVD. Terá uma versão estendida do filme de 7 a 10 minutos mais longa, e contém algumas cenas que não estavam no filme. Algumas sequências são muito engraçadas. Nos extras temos muitas cenas excluídas, muitos erros de gravação, e tem a minha coisa favorita no mundo chamada "line-o-rama", que já foi feito em vários DVDs de filmes de Judd Apatow em que, basicamente, todas as piadas de uma cena de um ator em particular vão passanso direto. Então é piada atrás de piada se alternando e é aí que você realmente vê o quão talentoso e engraçado é esse elenco. Só de ouvir algumas coisas que eles acrescentavam e continuavam criando. É muito emocionante.

Uma das piadas que eu adorei foi a do clube de luta. No trailer eu acho que elas falam isso no restaurante e no filme é dito no telefone.

Na verdade é ao contrário.

Erro meu.

Não tem problema. Eu também me perco porque já mudou tanto de lugar... O que gostamos de fazer é: temos tantas piadas e situações engraçadas que já que não sabemos como vai ficar até chegarmos à sala de edição... Temos uma ideia por causa do roteiro, mas não sabemos como vamos usar ou qual cena vai precisar de uma piada... Então, muitas vezes, em cenas diferentes, dizemos: "faz aquela cena de novo". "Vamos tentar a piada do clube de luta nesta cena também porque podemos usar aqui, ou usar no restaurante...". Isso nos permite ter mais flexibilidade para brincar com o ritmo do filme.

Qual foi o impacto das sessões-teste neste filme em particular?

Foi alto, foi alto. Adoramos fazer sessões-teste. Eu gosto muito porque é uma ferramenta que não me deixa me apaixonar por nada antes de testarmos. Então ao invés de gastarmos meses remoendo sobre um corte do filme, nós - o editor, seus assistentes e eu começo - começamos a trabalhar com algumas coisas que eu quero tentar. E então, umas 3 semanas depois de começarmos, nós fazemos a primeira sessão e vemos o que funciona e o que não funciona... e então tentamos reagrupar, tentamos fazer coisas novas e tentamos de novo. Então meio que cientificamente construímos as piadas que sabemos que funcionam. Por isso, quando terminamos o filme sabemos que tudo tem alguma risada.

Uma das piadas que eu gosto no filme é naquele lugar onde elas compram o vestido de noiva. Não quero falar nada especificamente, mas sobre fazer aquela cena... você pode falar sobre a edição e sobre encontrar o equilíbrio entre tudo aquilo?

Sim. Aquela era uma cena que podia ter ficado de vários jeitos diferentes. Tem uma comédia muito física e também um centro muito real, que é uma mulher que falha e não admite, mesmo com todas as evidências gritantes que aparecem. Então filmamos algumas coisas doidas que acontecem em certos lugares, que é o que gerou essa intoxicação alimentar nas meninas. Sabemos que na sala de edição podemos não usar nada ou usar tudo, ou só partes. Íamos ver como ficaria melhor, então tínhamos versões mais longas outras mais curtas, e dependendo da reação do público dizíamos: "acho que podemos ir mais longe aqui" ou "acho que fomos longe demais". Novamente, fizemos muitos ajustes, mas valeu a pena porque agora ficou com um ritmo bem legal.

É, eu adoro aquela cena. Tenho que encerrar, mas olha: parabéns pelo filme, eu realmente gostei.

Muito obrigado.

Missão Madrinha de Casamento tem roteiro de Annie Mumolo e acompanha Annie (Kristen Wiig), a dama de honra principal do casamento de sua melhor amiga, Lillian (Maya Rudolph). Ao lado das demais damas de honra (vividas por Rose Byrne, Melissa McCarthy, Wendi McLendon-Covey e Ellie Kemper) elas pegam a estrada a caminho da cerimônia, mas o peso da responsabilidade pode ser demais para Annie. Jon Hamm faz uma participação especial.

Paul Feig (Menores Desacompanhados), colaborador de Apatow desde os tempos das séries Freaks & Geeks e Undeclared, dirige o filme, que estreia no Brasil em 23 de setembro.

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