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Doctor Who - 50 Anos | A Série Contemporânea

Depois do hiato, a reintrodução da série às telinhas com novos roteiristas e quatro novos protagonistas

Thais Aux
19.11.2013
16h20
Atualizada em
29.06.2018
02h36
Atualizada em 29.06.2018 às 02h36

Doctor Who já havia sido elevada ao status de representante da cultura britânica com as 26 temporadas da série clássica. De 1963 a 1989, os sete Doutores e seus companheiros derrotaram monstros como Daleks e Cybermen, mas a BBC decidiu que o programa deveria sair da grade por causa de uma série de fatores, entre eles, o fim da televisão para a família e o início dos programas separados por nichos; a queda da procura por ficção científica; problemas pessoais internos na BBC; e a decisão final de Michael Grade, então executivo do canal, que achava a série ruim, decidindo exterminá-la.

Doctor Who

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Após um hiato de 15 anos, em que proliferaram audiodramas, livros, quadrinhos e outros materiais do cânone e de fora do cânone, em 2005 a série voltou às telinhas da Grã-Bretanha após passar por uma repaginação no formato. Para que isso acontecesse, a BBC precisava ter a licença da série, que ainda estava nas mãos da Universal após o filme do oitavo Doutor. Como ele fez pouco sucesso nos Estados Unidos, não foi possível lançar uma nova temporada por lá. Em 1997, a emissora já detinha os direitos de volta e já tinha gente discutindo a melhor forma de executar o plano.

Russell T. Davies, roteirista que já tinha estabelecido sua carreira graças ao premiado Queer as Folk, vivia falando para a BBC que gostaria de encabeçar o projeto para a retomada de Doctor Who. Lá dentro, as produtoras Lorraine Heggessey e Jane Tranter também gostavam da ideia e assim, em 26 de setembro de 2003, a BBC anunciava o retorno de Doctor Who para a TV - para a alegria dos whovians (como são conhecidos os fãs da série). Em 22 de março de 2004, eram anunciados os nomes de Christopher Eccleston e Billie Piper como o Doutor e sua companheira.

A produção ficou a cargo da BBC Wales, do País de Gales - terra natal de Davies - e as filmagens começaram em Cardiff em 18 de julho de 2004. Foi Davies que definiu o novo formato da série, com episódios de cinquenta minutos de duração, centrados na Terra, tirando de cena os Senhores do Tempo de Gallifrey. Ele também queria arcos que durassem uma temporada inteira, com treze episódios. Embarcaram ainda nessa aventura roteiristas como Mark Gatiss, Robert Shearman, Paul Cornell e Steven Moffat, com Julie Gardner como produtora (curiosidade: J.K. Rowling, autora dos livros de Harry Potter, foi convidada por Davies para integrar o time de roteiristas. Ela recusou educadamente, alegando estar envolvida em outros projetos - podemos até saber quais eram). Murray Gold trabalharia o tema de abertura original, atualizando-o para os novos tempos.

Christopher Eccleston

O 9º Doutor - Christopher Eccleston (2005)

Em 26 de março de 2005 ia ao ar, pela BBC One, o episódio "Rose", inaugurando a era moderna de Doctor Who. Com seu jeito turrão mas brincalhão, sem as roupas espalhafatosas das regenerações anteriores (ele usava apenas calça, camiseta e jaqueta de couro pretas), Eccleston conseguiu dar um novo fôlego ao personagem. Rose Tyler, interpretada pela cantora pop Billie Piper, era uma garota londrina de 19 anos com quem as fãs conseguiam se identificar. A dupla gerou críticas positivas da imprensa e aceitação do público, e apenas quatro dias após a estreia foi anunciada a aprovação da segunda temporada. Assim, Doctor Who ganhou de volta o posto de queridinho da BBC, conquistando um novo público que nunca havia tido contato com a série clássica.

A escolha do protagonista partiu de Russell T. Davies, que havia trabalhado com Eccleston no drama The Second Coming, da ITV - e há boatos de que o próprio ator pediu para ser incluído na lista de possíveis nomes para viver o Doutor, já que Davies não achava que ele ia querer o papel. Outras fontes citam que ele sempre foi o primeiro nome na cabeça de Davies, embora alguns jornais tenham noticiado que Bill Nighy (Harry Potter e as Relíquias da Morte) era a primeira escolha do novo produtor principal.

A controvérsia não para por aí. A saída do ator foi anunciada na véspera de 1º de abril, por isso muita gente não acreditou que era verdade. A BBC disse que o motivo era porque Eccleston não queria ficar estereotipado pelo papel. A emissora voltou atrás e admitiu que o anúncio foi feito sem o consentimento do ator. Alguns anos depois, ele veio a afirmar que o ambiente de trabalho não era agradável, mas se sente eternamente grato pela oportunidade de ter trazido a série de volta e que adorava o contato com o público, principalmente com as crianças, já que seus outros trabalhos eram mais sérios. Diferenças à parte, sua contribuição para o legado de Doctor Who é enorme e não deve ser esquecida.

David Tennant

O 10º Doutor - David Tennant (2006-2009)

Depois de apenas uma temporada, Eccleston sai de cena e entra em seu lugar um dos Doutores mais queridos de todos os tempos: David Tennant. Ele já havia trabalhado com Davies e Gardner no especial Casanova e a princípio nem acreditou que o convite era sério. Aquele havia sido o sonho de toda uma vida, e a razão pelo qual o jovem Tennant havia escolhido a profissão de ator. Ele foi anunciado como o décimo Doutor em 16 de abril de 2005 e sua primeira aparição foi no último episódio da primeira temporada, "The Parting of the Ways", na cena da regeneração.

Em três temporadas, Tennant conquistou uma legião de fãs, que repetem até hoje seu bordão "Allons-y", apontando a sua chave de fenda sônica, com seu terno, sobretudo e tênis All-Star, tudo acompanhado por um corte de cabelo moderninho, conquistando garotas entre 8 e 80 anos de idade. Junto com Rose Tyler, a médica Martha Jones (Freema Agyeman) e a datilógrafa mais rápida de Chiswick, Donna (Catherine Tate), eles enfrentaram homens-gato; Daleks e seu criador, Davros; Cybermen; além de encontrar personalidades históricas, como Madame de Pompadour e William Shakespeare. Eles foram parar em Pompeia no dia da erupção do vulcão, no planeta dos Oods, e conheceram os Anjos Lamentadores no icônico episódio "Blink". O Doutor voltou a encontrar um dos seus maiores inimigos de Gallifrey, o Mestre, e até encontrou com uma de suas regenerações anteriores (Peter Davison, no especial "Time Crash").

Após três anos, Tennant decidiu, junto com Davies, que era hora de sair, afinal ele ainda tinha toda uma carreira pela frente. Assim acabava a era Russel T. Davies, com a fatídica frase pré-regeneração de David Tennant: "Eu não quero ir..."

Matt Smith

O 11º Doutor - Matt Smith (2010-2012)

Saem de cena Davies e sua equipe e, no lugar, entram o novo showrunner, Steven Moffat, com Matt Smith no papel principal. O nome do ator foi anunciado em 3 de janeiro de 2009 no Doctor Who Confidential, mas o público ainda teria que esperar mais um ano para ver o mais jovem Doutor em cena: ele tinha apenas 26 anos quando foi escolhido (Peter Davison tinha sido o mais novo até então, com 29 anos em 1981).

A era Moffat é marcada por um Doutor mais obscuro, mas ao mesmo tempo sensível, meio anti-social e excêntrico. Em sua TARDIS viajaram Amy Pond (Karen Gillan) e Rory Williams (Arthur Darvill), o casal que carregava um segredo inesperado. Uma personagem rouba a cena: River Song (Alex Kingston), cuja vida é construída em volta do Doutor, já que as suas timestreams andam de maneira oposta: ela conhece seu futuro, ele conhece seu passado.

O 11º Doutor inaugura um novo inimigo, o Silêncio, comandado por Madame Kovarian. Ele também conhece Van Gogh, Winston Churchill e Nefertiti, enfrentando dinossauros, vilões-ciborgue do Velho Oeste, piratas, entre outros - tudo acompanhado de ameaças alienígenas.

Com a saída dos Pond, o Doutor passa a viajar com Clara Oswald (Jenna Coleman), a garota impossível. O mistério de sua personagem é resolvido no final da sétima temporada, que termina com um gancho enorme para o especial de 50 anos da série, The Day of the Doctor, que irá ao ar em 23 de novembro com transmissão simultânea em vários países do mundo. No elenco, além de Smith e Coleman, juntam-se David Tennant, Billie Piper e John Hurt.

Peter Capaldi

O 12º Doutor - Peter Capaldi (2013-)

Pouco sabe-se ainda sobre o próximo Doutor, que entrará na série a partir do especial de Natal desse ano, ainda sem título. Há rumores de que ele ficará por apenas uma temporada, acompanhado de Jenna Coleman, e será "menos nobre" do que seu antecessor. Nenhum detalhe sobre suas roupas ou personalidade foi divulgado até agora.

Peter Capaldi é considerado um dos melhores atores da Grã-Bretanha e estrelou os sucessos The Thick of It e The Hour e tem uma extensa carreira no teatro. Para completar, é fã da série desde criancinha. Ele escrevia um fanzine nos anos 1970 e até já enviou uma carta para a revista Radio Times. Capaldi já havia feito um papel pequeno no episódio "The Fires of Pompeii" e também fez Torchwood, um dos spin-offs de Doctor Who.

Com 55 anos, ele foi escolhido para o papel com a mesma idade que William Hartnell, o primeiro Doutor, tinha em 1963. Muita gente acha que isso pode significar o fim da série, mas considerando o sucesso que o carro-chefe da BBC tem ao redor de todo o globo, além do fato de que ela pode se renovar sempre, não deveríamos ficar preocupados.

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