Pôster de Supergirl/CW/Divulgação

Créditos da imagem: CW/Divulgação

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Supergirl retorna com episódio vazio e vilã fraca na quinta temporada

Novo ano começa com crítica ao consumo de informação pela geração millennial

Nicolaos Garófalo
07.10.2019
20h39
Atualizada em
09.10.2019
13h53
Atualizada em 09.10.2019 às 13h53

Depois de uma quarta temporada que abordou abertamente a política de imigração aplicada pelo governo americano, Supergirl retornou sem a mesma ferocidade política, prestando-se apenas a falas desconexas sobre como os jovens de hoje estão “muito desligados do mundo real” e não comparecem às urnas. A crítica do quinto ano, pelo menos neste primeiro episódio, é sobre a maneira como o público hoje escreve ou consome o jornalismo.

[Spoilers de “Supergirl: Event Horizon” a partir deste ponto]

Retomando do ponto em que a quarta temporada se encerrou, “Event Horizon” mostra Kara Danvers (Melissa Benoist) prestes a receber um Pulitzer, um dos prêmios mais importantes do jornalismo americano, por sua reportagem expondo o escandaloso envolvimento do governo com os planos de Lex Luthor (Jon Cryer) no ano passado. Ainda assim, a kryptoniana se sente mal por ainda não ter revelado a Lena (Katie McGrath) sua identidade secreta, sem suspeitar que a amiga já sabe a verdade.

Enquanto Alex (Chyler Leigh), Brainy (Jesse Rath), J’onn (David Harewood) e Nia (Nicole Maines) seguem suas vidas normais, James (Mehcad Brooks) e Kara são pegos de surpresa quando descobrem que a CatCo foi vendida a Andrea Rojas (Julie Gonzalo), velha conhecida de Lena, que pretende transformar o veículo em um portal de click baits, afirmando que notícias reais não vendem. Aqueles que não concordarem e pedirem demissão terão que respeitar uma cláusula de não-competitividade de três anos prevista em contrato, tendo suas carreiras no jornalismo praticamente enterradas.

Muito focado nos confrontos interpessoais, “Event Horizon” tem seus momentos de pura diversão. Ver a Supergirl enfrentar um dinossauro ou Alex correr de vestido questionando como seus amigos conseguem vestir tão rápido seus uniformes chega a compensar a fraca vilã Midnight (Jennifer Cheon Garcia), que apesar de perigosa o bastante para ser trancafiada na zona fantasma, é despachada com facilidade pelos heróis.

No primeiro grande confronto da noite, Kara finalmente se abre e conta a Lena sobre sua identidade secreta, pedindo perdão pela desonestidade e pelo tempo que o segredo foi guardado. A irmã de Lex Luthor, aparentemente, aceita as desculpas e, em lágrimas incentiva a protagonista antes da batalha contra Midnight.

Na CatCo, James avisa Andrea que não pretende seguir na empresa e pede demissão - preparando assim o terreno para a saída de Brooks da série, já que o ator pretende focar em sua carreira no cinema. Já na casa de J’onn, descobrimos que o tiranossauro enfrentado por Kara mais cedo era, na verdade, irmão perdido do marciano, que nem sabia de sua existência. O Caçador até tenta enfrentar o invasor, mas, por um motivo desconhecido, ambos acabam desacordados sem nem ao menos se tocar.

Nos minutos finais, Supergirl e Lena têm uma nova conversa, com Kara entregando um comunicador da equipe para a empresária e prometendo que as duas não terão mais segredos. Na primeira reviravolta da temporada, a Luthor caçula espera pela saída da heroína para, em conversa com sua inteligência artificial assistente, afirmar que não pretende perdoar Kara, mas se vingar dela.

A última cena do episódio mostra Eve Teschmacher (Andrea Brooks) sendo raptada por um personagem desconhecido, provavelmente ligado ao grande vilão da temporada, Leviathan.

Sem o otimismo comum de Supergirl, a série retorna com um episódio relativamente vazio, preocupado mais em amarrar pontas soltas da quarta temporada – como o Pulitzer de Kara ou Lena descobrindo a identidade da kryptoniana - do que iniciar sua própria trama. Com o desenvolvimento nos próximos episódios e um maior aprofundamento nas verdadeiras intenções de Lena e Andrea, a série talvez possa entregar algo memorável.