Monstro do Pântano começa distante das HQs e aposta no horror psicológico

Créditos da imagem: Divulgação/DC Universe

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Monstro do Pântano começa distante das HQs e aposta no horror psicológico

Série do DC Universe reimagina os personagens sob uma nova perspectiva

Gabriel Avila
03.06.2019
17h50
Atualizada em
03.06.2019
17h49
Atualizada em 03.06.2019 às 17h49

Graças a histórias fortemente influenciadas pela literatura de horror gótico, o Monstro do Pântano se tornou um dos personagens mais queridos da DC Comics. A criatura passou a ganhar cada vez mais camadas e importância através do tempo, se firmando como parte fundamental do núcleo sobrenatural da editora, a ponto de influenciar na criação da Vertigo, um selo dedicado a histórias adultas graças à celebrada e influente fase em que a revista foi escrita por Alan Moore. Décadas (e algumas adaptações duvidosas) depois, o herói ganha uma nova série de TV que aposta na ambientação e no horror psicológico para cativar a audiência.

Na trama, a médica Abby Arcane (Crystal Reed) é chamada de volta à Marais, sua cidade natal, após o aparecimento de uma misteriosa epidemia que, de alguma forma, está relacionada à vegetação local. Para salvar seu lar, localizado na pantanosa região da Luisiana, Arcane conta com o cientista Alec Holland (Andy Bean), misterioso botânico que nos quadrinhos está destinado a se tornar a criatura que dá nome ao seriado.

Em seu episódio piloto, Monstro do Pântano se afasta bastante das HQs. A série está claramente mais preocupada em reimaginar seus personagens e a dinâmica entre eles sob uma nova perspectiva. Se antes sua origem evocava o gótico em uma trama de vingança, redenção e melancolia, essa versão é conduzida pela ciência. Essa mudança poderia ser negativa se não fosse pelo roteiro que soube fazer essa transição interessante, mirando tanto no espectador que não conhece os quadrinhos, quanto no fã que esteja aberto a uma nova versão da história que já leu várias vezes.

A maior atualização é sem dúvidas a protagonista Abby Arcane. Embora caia em alguns clichês, como o fato de voltar à sua cidade natal anos após deixá-la por conta de um terrível segredo, a personagem é desenvolvida com cuidado para que não seja previsível. Ela agora tem uma posição que a liga ao pântano de uma forma que ultrapassa seu relacionamento com o Monstro. Outro ponto positivo é sua dinâmica com Alec Holland, que juntos têm os melhores diálogos do piloto e ajudam a definir o tom da série, que transita entre um humor sutil e os dramas de cada um.

Divulgação/DC Universe

Deixando os quadrinhos de lado, a série busca criar sua identidade com base na atmosfera gerada em torno do pântano, que ganha vida através de uma fotografia escura e surpreendentemente nítida. O episódio explora a área em diversas oportunidades, percorrendo o cenário com certa reverência. Tal admiração entende o potencial do lugar para esconder ameaças, causando a sensação de que algo está sempre espreitando atrás das árvores ou embaixo d’água. Essa atmosfera é potencializada graças aos efeitos práticos, que proporcionam outro instrumento para causar medo: o horror corporal, que resulta em grotescas mutações que impressionam por sua riqueza de detalhes.

Ainda é cedo para tirar grandes conclusões sobre quais caminhos a trama vai trilhar. O piloto é quase inteiramente focado na ciência, mas a investigação de Abby e Alec em torno das mutações no pântano deixa pequenas pistas de que o lado sobrenatural pode aparecer em breve. O primeiro episódio dá um pequeno vislumbre da Madame Xanadu, personagem mística conhecida no Universo DC. Além dela já estão confirmados os vilões Homem-Florônico e Demônio Azul, personagens que abrem inúmeras possibilidades que remetem diretamente à outra característica clássica do Monstro do Pântano: a discussão sobre a humanidade e a busca para recuperá-la (ou abandoná-la de vez).

Monstro do Pântano é transmitida nos Estados Unidos pelo serviço de streaming DC Universe. Ainda não há previsão de chegada ao Brasil.