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Já vimos A Piada Mortal! Animação mantém a ambiguidade da HQ

O texto abaixo contém spoilers!

Marcelo Hessel
20.07.2016, às 14H13
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H35
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H35

O Omelete teve a oportunidade de assistir nesta quarta-feira a A Piada Mortal, animação da Warner Bros. baseada na HQ de Alan Moore e Brian Bolland, que terá um dia de exibição nos cinemas brasileiros, em 25 de julho (leia mais). A expectativa era grande não apenas por se tratar de uma das histórias mais importantes do Batman mas também por conta do controverso desfecho, que deixa margem a interpretações.

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O texto abaixo contém spoilers.

O longa-metragem mantém a estrutura e as principais viradas da HQ de 1988 - a trama cruzada com flashbacks para contar a origem do Coringa, o disparo contra Barbara Gordon, a tortura de Jim Gordon - mas adiciona uma interessante trama para mostrar por que Barbara deixou de atuar como a Batgirl e voltou a ser apenas a filha do comissário de polícia. É um episódio de caçada a um gângster que demonstra ter predileção pela Batgirl.

Essa trama, escrita por Brian Azzarello, abre o filme e não se limita a registrar os dias de vigilante da adolescente e sua relação de mentor e aprendiz com o Morcego (elemento importante para ampliar o impacto sobre Batman do ataque de Coringa a Barbara). Não é também apenas pensada para engrossar a duração do filme e render um longa-metragem. O que Azzarello faz é cruzar um limite que poucas HQs de super-heróis se permitem (não vamos falar explicitamente aqui o que acontece), mas que está em sintonia com o que Alan Moore propõe no seu revisionismo do gênero dos super-heróis nos anos 1980.

Se essa adição à história tira ou não de A Piada Mortal seus sentidos originais, é uma discussão que pode surgir a partir de agora. Uma discussão que não se encerrará, porém, e que já persiste desde que a HQ saiu, é se o Batman realmente mata o Coringa no final. O filme não elucida nada e preserva a ambiguidade com que os quadros foram publicados originalmente: o Morcego coloca as mãos sobre os ombros do palhaço, eles riem juntos, a risada do Coringa se interrompe. No filme, não há a luz dos faróis das viaturas nem o barulho da sirene, apenas a risada do Batman, que permanece por mais alguns intantes depois que o palhaço se emudece. Então a câmera se vira para baixo, enfocando reflexos numa poça d-água.

Em alguns pontos, a HQ é mais clara em relação à morte do Coringa (a mão aberta, inerte, e a simbologia da luz que se apaga na poça d-água), e em outros é o filme que parece mais claro (fica evidente que a risada do Coringa é interrompida). De qualquer forma, no posfácio da edição recolorizada de 2008, Bolland dá mesmo a entender que Coringa é morto, elemento que não consta literalmente do roteiro original de Moore, diz a lenda, porque a DC não aprovaria a história se a cena estivesse descrita com todas as letras.

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Agora nas telas, e com a firme colaboração de Azzarello, A Piada Mortal deve gerar ainda mais discussão.

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