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Entrevista

Esquadrão Suicida | "Tinha muito mais Coringa no filme antes", diz Jared Leto

Em entrevista ao Omelete, o ator fala do seu processo e compara viver o vilão a uma Olimpíada

Marcelo Hessel
02.08.2016
18h57
Atualizada em
29.06.2018
02h35
Atualizada em 29.06.2018 às 02h35

O Omelete esteve em Nova York para entrevistar o elenco de Esquadrão Suicida, entre eles o novo Coringa. Jared Leto fala da sua composição para o personagem, do desafio de reinterpretar o ícone, da conversa que teve com Ben Affleck sobre o vilão - e conta que uma versão preliminar do filme tinha mais Coringa.

Você pode falar um pouco sobre seu processo? Essa coisa de permanecer no personagem e as histórias do set que se comentam bastante.

Eu só faço o que é necessário para ser o mais focado e compromissado possível. Digo, não gosto de usar o termo "método", acho que é uma expressão banalizada, cada um tem seu próprio processo de construir um personagem ou escrever uma reportagem - você faz o que precisa para realizar seu trabalho. Geralmente quando faço filmes eu vivo personagens que podem se enriquecer, não pela minha presença mas pelo que está no texto, papéis que me forcem a alcançar algum tipo de transformação. É como treinar para uma Olimpíada, você precisa transformar seu corpo, e para mim o Coringa certamente é uma Olimpíada de atuação.

Quando você termina de interpretar um personagem desse tipo, é fácil para você sair dele?

A parte física leva um pouco de tempo. Eu já ganhei muito peso para alguns filmes, perdi peso, e o aspecto psicológico meio que vai acompanhando isso. Com o Coringa, ele tem um senso de humor peculiar, tem o jeito que ele fala, anda... Eu tenho uma voz mais aguda que a dele, e às vezes muda rápido do mais grave para o mais agudo, e algumas dessas coisas se tornam um hábito [com a prática]. Mas elas desaparecem, mesmo que você não queira.

A responsabilidade de viver o Coringa pesou muito?

Eu não tinha uma ideia que o Coringa tinha sido escrito, reescrito e reinterpretado por 75 anos. Na verdade foi uma espécie de alívio quando eu descobri quantas versões diferentes desse personagem já existiram nas HQs, nos filmes, nas animações... Já tivemos performances sensacionais dos melhores atores que temos, e isso me deu tanto uma sensação de responsabilidade quanto de liberdade, porque me mostrou as direções que eu não poderia seguir. Eu já sabia que deveria tomar um rumo diferente com o personagem. Isso ajudou bastante.

E como é quando você chega em casa depois de um dia no set como o Coringa?

Você diz em relação a sair ou não do personagem? Eu não sou casado, mas imagino como deva ser isso. Você quer acordar na cama de manhã ao lado do Coringa? Creio que não. Talvez dormir com o Coringa, mas não acordar com ele [risos]. Em relação aos amigos? O Coringa não precisa de amigos... Eu acho que, pra mim, havia uma oportunidade tão grande aqui, é o papel da vida de alguém. Eu não ia deixar nada atrapalhar meu foco. Eu queria clareza completa para fazer o que fosse necessário. É uma questão de obrigação com os fãs do Universo DC, com os outros atores, diretor, roteiristas, estúdio... Se eu recebi o bastão, eu correrei o mais rápido que puder. Se eu falhasse ou tivesse êxito, ainda assim faria o trabalho que fosse necessário.

Você tem algum momento preferido do Coringa nos quadrinhos?

Eu não conseguiria dizer uma HQ específica favorita, mas o Coringa - e isso é fácil dizer - é o meu vilão favorito de todos os tempos, sim.

E como você concilia a música com isso?

Nós fazemos tanta turnê com a banda [30 Seconds to Mars] que é bom dar uma pausa para atuar. Eu acredito que quando você expande seus horizontes numa área você consegue aproveitar essas lições e colocar em prática em outras áreas. Descobri que isso é uma verdade pra mim.

Desde que a Arlequina surgiu na TV, ela quase sempre foi retratada como uma pessoa apaixonada pelo Coringa, mas o ponto de vista dele nem sempre fica claro. O seu Coringa demonstra ter sentimentos por ela, foi uma coisa intencional que você trouxe consigo?

Eu não sei se é amor ou loucura, pode ser os dois. Ele traz Harley ao mundo, é como a ideia do Deus criador, que sopra vida dentro dela, então temos um tipo de ligação, sim.

Ainda assim, seu Coringa é mais sensual que o normal, você não acha?

Bem, obrigado [risos]. Existe uma sensualidade, sim, que nunca vimos antes. O que eu notei em relação aos Coringas passados é que, quando alguém se torna o Coringa, não há sexualidade nenhuma abordada ou mostrada nesses filmes, embora isso possa estar em algum ponto da vida desses outros personagem. Em relação a isso eu acredito que Esquadrão Suicida seja provavelmente diferente, sim. Esse Coringa é intoxicante, porque ele é muito poderoso. Ele tem uma noção muito forte de quem é. Acho isso divertido. Os tipos imperfeitos são mais divertidos. Já tivemos muitos heróis.

Como foi seu trabalho com Margot Robbie no set para criar essa ligação?

Ela é terrível [risos]. Não, brincadeira. Ela é um doce, uma atriz incrível e muito paciente. Você precisa ser paciente com o Coringa. Consegue imaginar? Digo, eu estava tão louco, acho que eu nunca disse a mesma fala do mesmo jeito duas vezes...

Que tipo de papel você imagina para você a partir de agora, na sua carreira?

Tem que ser algo como o Coringa. Eu faria o Coringa mais umas duas vezes se eles precisarem. Faço mais duas e já posso me aposentar. Porque dá pra fazer tudo com o Coringa. Quem eu interpretaria depois dele? O Coringa é ótimo porque ele está sempre pensando, sempre examinando, sempre esperando uma oportunidade, ele é como um animal. A primeira coisa que ele faz é invadir seu espaço pessoal. Não sei se ele permanece em mim, mas sinto que ele sempre vai estar aqui se eu precisar.

E coisas pontuais da sua composição, como a risada, os trejeitos?

Eu tenho a tendência a ser mais reservado, quieto, nem dou muita gargalhada, e fiquei nervoso porque esse é o cara que é famoso pela gargalhada. O que fazer?

Como você encontrou a sua?

Você experimenta. Faz gargalhadas ruins, tenta um hihihi, um ha-ha-ha.

Você testava com pessoas?

Testei nas ruas de Nova York, com estranhos. Eu sabia que achava algo quando as pessoas reagiam [assustadas], ou fazia uma gargalhada mais alta e as pessoas ficavam meio ofendidas, como algo invasivo.

Você já chegou a conversar com Ben Affleck sobre Batman e Coringa?

Ele me procurou e foi muito gentil, depois de ter visto um corte preliminar do filme, que eu acho que tinha muito mais Coringa [do que na versão final do filme]. As coisas mudaram depois disso, mas tinha bastante Coringa e ele foi muito educado comigo. Disse coisas legais sobre a atuação, e foi bom para mim porque eu ainda não tinha conversado com ninguém que tivesse assistido ao filme. Ele deu um apoio então foi bem legal.

Esquadrão Suicida estreia em 4 de agosto no Brasil.

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