Liga da Justiça Sem Limites

Créditos da imagem: Warner Bros./Divulgação

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Universo Animado da DC é o universo compartilhado que toda franquia sonha ser

30 anos depois da estreia de sua primeira série, DCAU ainda é a melhor reinterpretação do mundo dos heróis fora dos gibis

Nico Garófalo
05.10.2021
13h19

Batman: A Série Animada pode não ser a produção televisiva de super-herói mais longa da história, mas seu legado é, provavelmente, um dos mais importantes da DC Comics fora dos gibis. A série de Bruce Timm e Paul Dini preparou o terreno para a construção do Universo Animado DC (DCAU), um universo compartilhado de estrutura invejável e que, mesmo quase 30 anos depois de sua criação, ainda é visto por muitos como padrão de excelência entre produções que adaptam gibis de super-heróis.

Formado ainda por desenhos como Superman: A Série Animada, Batman do Futuro, Super Choque, Liga da Justiça Sem Limites e mais meia-dúzia de longas-metragem, o DCAU nunca se limitou apenas a traduzir as histórias contadas nas páginas da DC. Ao longo dos anos, a franquia expandiu as histórias dos principais nomes da editora e criou alguns dos personagens mais memoráveis da mitologia da casa. Só na primeira temporada de Batman: A Série Animada, por exemplo, o público foi apresentado à Arlequina e viu o Sr. Frio, por anos apenas mais um “vilão temático” do Batman, se tornar a figura trágica e cheia de camadas que hoje é amada pelos fãs.

Muito da expansão proposta pelo DCAU acabou sendo incorporada pelos quadrinhos. Enquanto Arlequina, Renee Montoya e Terry McGinnis/Batman do Futuro migraram para as HQs poucos meses depois de estrearem na TV, Sr. Frio, Virgil Hawkins/Super Choque, Mulher-Gavião, John Stewart/Lanterna Verde, Zatanna e Supergirl se tornaram favoritos do público e causaram mudanças em suas contrapartes das páginas. A relação simbiótica entre TV e gibi formou toda uma geração de fãs da DC, que até hoje leem com carinho especial edições estreladas por personagens desenvolvidos nas animações.

Essa expansão, no entanto, nunca foi feita de uma maneira que traísse o que foi estabelecido por décadas nas HQs. Mantendo-se fiel à essência dos personagens que adaptavam, as animações destacavam a personalidade compreensiva de Wally West/Flash, a postura inspiradora da Mulher-Maravilha e o carinho de Bruce Wayne por seus companheiros de guerra contra o crime. Essa atenção especial ao espírito das histórias da DC permitiu que fãs da marca consumissem gibis e desenhos animados sem a necessidade de redescobrir cada um dos heróis quando transitassem entre as mídias.

Preferindo focar seus episódios em desenvolvimento de personagens ao invés de apenas prepará-los para sequências de ação grandiosas, o DCAU proporcionou momentos emocionantes, mas que dificilmente teriam lugar em blockbusters. Ver o reencontro do Super Choque com sua mãe, morta há anos, ou o Flash conversando tranquilamente com o Trapaceiro para convencer o vilão a voltar para seu tratamento psiquiátrico traz uma profundidade que nem sempre pode ser encontrada em grandes produções.

Explorar os rostos por baixo das máscaras também fez com que os longas da franquia sejam até hoje vistos por alguns como os melhores de seus respectivos heróis. De Batman: A Máscara do Fantasma a Liga da Justiça: Os Cinco Fatais, os filmes equilibram como poucos a exploração da personalidade de seus protagonistas e seus feitos grandiosos. A atenção dada aos traumas, glórias e laços dos heróis dá a todo o DCAU nuances que outros universos compartilhados, seja na TV ou no cinema, raramente têm espaço para desenvolver.

Chegando aos poucos na HBO Max, que já disponibilizou as séries animadas do Batman e do Superman e seus filmes derivados, o DCAU se sustenta em muito mais do que nostalgia. Atual mesmo depois de 30 anos, a franquia animada continua sendo a melhor porta de entrada para quem ainda não conhece o mundo dos super-heróis e uma reimaginação quase perfeita do universo fantástico introduzido nos quadrinhos.

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