Quem é a Batwoman?

Créditos da imagem: Divulgação/CW;Divulgação/DC Comics

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Quem é a Batwoman?

Criada para salvar o Batman da censura, heroína se tornou uma das principais personagens LGBTQ+ do Universo DC

Gabriel Avila
08.10.2019
13h25
Atualizada em
09.10.2019
13h36
Atualizada em 09.10.2019 às 13h36

Em 2018, o tradicional crossover entre as séries da DC Comics apresentou a primeira versão live-action de uma das mais celebradas heroínas desse universo: a Batwoman. Nesse universo, o Batman desapareceu misteriosamente, então Kate Kane assumiu seu lugar no comando das Indústrias Wayne e no combate ao crime em Gotham. A personagem fez tanto sucesso que a CW, emissora responsável pelo Arrowverso, anunciou um seriado próprio para a heroína, que estreou nos quadrinhos em uma versão bem diferente, criada originalmente para salvar o Homem-Morcego da censura.

Kathy Kane, a Batwoman original

Divulgação/DC Comics

Pouco mais de um ano após estrear nas HQs, o Batman passou a contar com a ajuda de Robin, um jovem órfão que passou a auxiliá-lo em sua cruzada contra o crime em Gotham. Criado para promover uma ponte entre o público infanto-juvenil e as aventuras do Homem-Morcego, o Menino Prodígio é responsável por estabelecer o arquétipo do parceiro mirim, figura que passou a aparecer em boa parte dos quadrinhos de super-heróis. A parceria funcionou muito bem até 1954, quando o psicólogo alemão Fredric Wertham publicou o livro Sedução do Inocente, que utilizou informações incorretas e exageradas para ligar as revistas em quadrinhos à delinquência juvenil. Com os títulos de terror como principal alvo, a publicação atacou também os super-heróis, em especial Batman e Robin, dupla que era acusada de manter uma implícita relação homossexual.

Para evitar que um de seus heróis mais populares sofresse o mesmo destino das HQs de horror, que praticamente sumiram, a DC Comics decidiu dar um par romântico para o Cavaleiro das Trevas, dando origem à Kathy Kane, a primeira Batwoman. A heroína se tornou uma personagem recorrente nas revistas do Batman durante a década de 1950, agindo também como vigilante. Porém, Kathy saiu de cena em 1964, quando o editor Julius Schwartz, decidido a renovar as HQs do Homem-Morcego removeu parte do elenco de apoio que não considerava essencial das histórias. Com exceção de pequenas aparições, o posto ficou vago por mais de 30 anos até a editora apresentar uma nova vigilante que não só vestiu o manto, como também ampliou a mitologia - e a diversidade - na cidade de Gotham.

Kate Kane - nome que homenageia sua antecessora - surgiu em 2006 na saga 52, em que fez uma curta participação como uma socialite que combatia o crime durante a noite. A personagem só ganhou destaque três anos depois, quando a DC publicou o evento Crise Final, em que o Batman é morto por Darkseid. Sem a figura de Bruce Wayne, a editora cedeu o título Detective Comics para Greg Rucka e J. H. Williams III contarem a origem da nova Batwoman. A heroína é filha de Jacob Kane, primo de primeiro grau de Martha Wayne, a mãe do Homem-Morcego. Apesar da herança dos Kane, uma tradicional família de Gotham, Jacob seguiu uma bem-sucedida carreira no exército, onde conheceu sua esposa, Gabriele, com quem teve Kate e Beth antes de se aposentar como coronel. Anos depois, a família Kane foi vítima de um sequestro que terminou com a morte de Gabriele e o desaparecimento de Beth. Inspirada pelo luto, a futura vigilante se alistou e seguiu uma curta carreira até ser expulsa da instituição por ser homossexual.

“Don't ask, don't tell” (“Não pergunte, não conte”, em tradução livre) foi uma política real do exército americano que proibia soldados homossexuais declarados de assumir cargos militares. Na HQ, Kate é dispensada logo após ser vista com Sophie, outra cadete recém-formada. Exonerada do serviço, ela retorna a Gotham e leva uma vida normal até sofrer uma tentativa de assalto. Kane reage e, graças a seu treinamento, vence o assaltante poucos segundos antes de se deparar com o Batman, que vinha em seu auxílio antes de perceber que ela poderia se defender sozinha. Sem saber que o Homem-Morcego é na verdade Bruce Wayne, seu primo de segundo grau, ela se inspira na figura do herói e passa a agir em Gotham como justiceira mascarada. Kate agiu sozinha por um tempo até ser descoberta por seu pai, que ao perceber que não conseguiria convencer sua filha à largar a vida de vigilante, decide colaborar com seu treinamento e a enviando para missões não oficiais com seus ex-colegas de exército. Após dois anos se aprimorando no exterior, ela volta para casa, onde Jacob criou uma espécie de bat-caverna e um traje para que ela possa operar pela cidade.

Design original da Batwoman por Alex Ross

Divulgação/DC Comics

Desde sua apresentação, a Batwoman se tornou um dos membros mais queridos na Batfamília. Tanto pelo visual desenvolvido por Alex Ross, que mistura o design da heroína criada nos anos 1950 com os traços mais sombrios que o Batman recebeu na era moderna, quanto por sua trajetória cheia de conflitos próprios. No núcleo de Gotham, a heroína é uma das poucas aliadas que o Batman trata como uma igual, não subordinada, a ponto de confiar a ela o comando de uma equipe responsável pela segurança na cidade durante a fase Renascimento DC. A personagem chamou tanta atenção que em pouco tempo chegou a outras mídias, sendo uma personagem jogável em Lego Batman 3 e uma das protagonistas da animação Batman: Sangue Ruim, que apresenta uma série de aliados do Batman. Fora das HQs, a personagem ganhou seu próprio seriado, que equilibra boas cenas de ação e o drama típico das produções da CW.

Ainda sem data para chegar ao Brasil, a série da Batwoman fez sua estreia nos EUA em 6 de outubro. Além de contar a origem de Kate Kane, a produção fará parte de Crise nas Infinitas Terras, novo crossover das séries da DC que vai ao ar entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020.