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Batgirl | DC cancela capa polêmica com Coringa a pedido de Rafael Albuquerque

Desenhista brasileiro se pronuncia a respeito da homenagem a A Piada Mortal

Marcelo Hessel
16.03.2015, às 23H57
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H35
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H35

Em comunicado oficial, o desenhista brasileiro Rafael Albuquerque disse que pediu que a DC Comics não publicasse a capa alternativa de Batgirl #41 desenhada por ele. A imagem, que presta homenagem à mais famosa história da Batgirl envolvendo o Coringa (as capas alternativas de junho da DC têm como tema o palhaço), tem sido objeto de debate.

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No fim de semana, leitores com opiniões divergentes ocuparam as redes sociais com as hashtags #changethecover e #dontchangethecover. Aqueles a favor da mudança da capa argumentavam que o desenho sugere uma violência contra a mulher que não condiz com o tom atual da série, sucesso de público e crítica voltado para o público feminino juvenil. Já quem pedia que a DC não mudasse a capa se posicionava, de modo geral, contra o excesso de correção política dos chamados "SJW" (sigla pejorativa para os defensores de minorias e direitos humanos nas redes sociais, os "social justice warriors").

"Minha capa foi desenhada para prestar homenagem a uma HQ que eu realmente admiro, e que sei ser uma das favoritas de muitos leitores", começa Albuquerque no comunicado, originalmente publicado em inglês no CBR e traduzido pelo Omelete. Ele se refere a A Piada Mortal, clássico de Alan Moore publicado em 1988 em que o Coringa leva Batman ao limite da sanidade depois de, entre outros atos hediondos, ter dado um tiro em Barbara Gordon, a Batgirl, que a deixou paraplégica. "A Piada Mortal é parte do cânone da Batgirl, e artisticamente eu não poderia deixar de retratar essa traumática relação entre Barbara Gordon e o Coringa."

O desenhista continua: "Para mim, foi uma capa assustadora que trazia algo do passado da personagem, e eu foi capaz de interpretar isso artisticamente. Mas ficou claro que, para outros, isso tocou em um nervo importante. Eu respeito essas opiniões e, sem entrar no mérito de quem está certo ou errado, acredito que nenhuma opinião deva ser desacreditada. Minha intenção nunca foi ferir ou desapontar ninguém com meu desenho. Por essa razão, recomendei que a DC não publicasse a capa. Fico incrivelmente grato que a DC Comics tenha ouvido minha preocupação e decidido não publicar o desenho de capa em junho como anunciado anteriormente".

Segundo fontes do Bleeding Cool, a capa foi objeto de discussão dentro da DC mesmo antes de ser mostrada online. A prática de publicar várias capas de uma mesma edição encomendadas a desenhistas diversos - uma das formas encontradas pelas grandes editora para engrossar as vendas junto ao público colecionador - envolve tanto equipes editoriais quanto comerciais, e teria havido "pressão editorial" contra essa capa específica que relembra a violência a Batgirl. Embora as tramas da atual HQ da heroína - a cargo dos roteiristas Brenden Fletcher e Cameron Stewart desde outubro - façam referências a traumas do passado, o tom geral é mais leve e divertido que versões anteriores.

Além do comunicado de Albuquerque, a DC também se pronunciou: "Nós publicamos HQs sobre os maiores heróis da Terra, e sobre os vilões mais malvados. As capas alternativas do Coringa para junho são feitas em reconhecimento ao aniversário de 75 anos do personagem. Independente de os fãs gostarem da homenagem de Rafael Albuquerque à graphic novel de Alan Moore de 25 anos atrás ou acharem inconsistente com o tom da HQ da Batgirl, ameaças de violência e abusos são erradas e não têm lugar nos quadrinhos ou na sociedade. Nós apoiamos nossos talentos e, por pedido de Rafael, a DC não vai publicar a capa alternativa de Batgirl".

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