Por que a trilha sonora de Crepúsculo é tão boa

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Por que a trilha sonora de Crepúsculo é tão boa

10 anos depois, a seleção de músicas da franquia se provou memorável

Julia Sabbaga
21.11.2018
15h57
Atualizada em
21.11.2018
18h42
Atualizada em 21.11.2018 às 18h42

Críticos e haters podem dizer o que quiserem da saga Crepúsculo, mas há um elemento na história de Bella e Edward no cinema que deixa pouco espaço para reclamações: a trilha sonora. Os cinco filmes da franquia têm méritos não apenas na trilha orquestral – que reuniu nomes gigantes de Hollywood – como também foram marcados por uma seleção musical exemplar, que causou um fenômeno nas paradas americanas: todos os cinco álbuns da trilha sonora de Crepúsculo chegaram entre os mais vendidos na Billboard em sua época de lançamento.

A trilha orquestral de Crepúsculo tem nomes realmente lendários. No primeiro filme, assim como os dois últimos (Amanhecer – Parte I e II), quem carrega as composições é Carter Burwell, indicado ao Oscar duas vezes, por Três Anúncios Para Um Crime e Carol. Em Lua Nova, foi a vez de Alexandre Desplat, vencedor de dois Oscars, por O Grande Hotel Budapeste e A Forma da Água. No terceiro episódio, Eclipse, mantendo a tradição de aumentar ainda mais as credencias em relação ao filme anterior, o responsável foi Howard Shore, ganhador de três Oscars pelo seu trabalho em O Senhor dos Anéis.

Mas por mais que as composições sejam memoráveis, o legado musical de Crepúsculo é maior ainda por um quarto nome: Alexandra Patsavas. A supervisora musical dos cinco filmes é a responsável pela coleção de faixas de bandas como Muse, Radiohead, Death Cab For Cutie, Passion PitParamore, Grizzly Bear, Florence and the Machine, Ok Go, St. Vincent e por aí vai.

A estratégia de escolher bandas de rock e rock alternativo, em um misto de gêneros que acaba soando como uma mixtape de músicas independentes, rendeu duas indicações da franquia ao Grammy, por melhor seleção musical, e é um método tradicional de Patsavas. Sua impressão digital pode ser identificada em seus outros (também memoráveis) trabalhos, em trilhas sonoras de The O.C., Gossip Girl, Grey’s Anatomy e por aí vai. Em um artigo no The New York Times, o executivo de marketing Alain Sylvain descreveu muito bem a fórmula como “massclusive”: a ideia de distribuir um produto em escala massiva, mas usando a linguagem de subculturas, como o rock alternativo, e ainda incluir conteúdos exclusivos, como faixas compostas especialmente para o filme. O sucesso comercial da trilha tem ainda outro segredo: a saga de Crepúsculo sempre foi promovida e divulgada em premiações da MTV, o que causou uma associação clara com o mundo musical.

A ideia de incluir um grande número de faixas exclusivas na trilha sonora também permitiu que os artistas criassem uma composição baseada na personalidade e nos visuais do filme, o que criou um casamento certeiro entre música e filme. A ideia é algo importante para Patsavas: "Não há nada mais atraente para o público ou um espectador como ouvir uma música pela primeira vez em um filme ou série que é querido para eles. Ficará marcado para sempre, quando eles pensam no personagem, no filme, ou na voz" [via Chicago Tribune]. Mas a ideia de inclui-las acabou vindo mais tarde no projeto, motivo pelo qual a trilha sonora do primeiro filme é composta majoritariamente por faixas que já existiam, diferentemente dos filmes seguintes. Sobre isso, Patsavas relembra em entrevista à Vice: "Quando o primeiro filme saiu, nós percebemos que seria uma coisa anual, e que teríamos a oportunidade de entrar em contato com os artistas, criarem um material novo. Quase todo o resto da trilha sonora incluiu materiais exclusivos, que recebemos por artistas que submeteram trabalhos”.

Mas toda esta estratégia não seria nada se a seleção musical de Patsavas não fosse realmente exemplar, e funcionasse tão bem na franquia. Durante os filmes de Crepúsculo, há um peso maior nas cenas e nos personagens pelas faixas que embalam a trama. Definitivamente, se o estilo musical fosse mais pop, os filmes da franquia teriam uma energia muito diferente. O livro Hollywood Heroines: The Most Influential Women in Film History, que lista as mulheres mais relevantes de Hollywood, explica a tática da supervisora: "Através das suas escolhas musicais, Patsavas fornece profundidade e camadas aos climas e atmosferas. Na sua essência, música é como um personagem para Patsavas". Isto ficou bem claro em Crepúsculo. A escolha em enfatizar e investir na trilha sonora foi um dos maiores acertos da saga, que acabou deixando uma herança decididamente importante até hoje.