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Entrevista

Cowboys & Aliens | Omelete entrevista Olivia Wilde

Atriz fala sobre faroeste, a relação com os colegas, seu futuro profissional e mais!

Érico Borgo
14.09.2011
18h19
Atualizada em
29.06.2018
02h35
Atualizada em 29.06.2018 às 02h35

Conversamos com a bela Olivia Wilde em Montana (EUA), em julho, durante as entrevistas de divulgação de Cowboys & Aliens. Durante 20 minutos a atriz, que interpreta a personagem Ella, falou sobre faroeste, a relação com os colegas, seu futuro profissional e muito mais!

Cowboys & Aliens

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Você é a única mulher entre um monte de caras machões. Como foi a experiência de atuar em um western?

Ser mulher em um faroeste é incrível. Ser atriz e participar de um faroeste é meio que um rito de passagem, é um momento muito especial. Eu sempre amei o gênero, mas o grande problema é que nunca tinha encontrado uma personagem com a qual eu me identificasse nesse tipo de filme. Sempre quis ser o Steve McQueen, ou o Clint Eastwood, mas nunca tive vontade de ser nenhuma das personagens femininas. Isso não significa que eu descarte as atuações das atrizes nos filmes desse gênero, mas não havia uma heroína dos faroestes com a qual eu me identificasse. Então, quando eu li o roteiro de Cowboys & Aliens, adorei Ella porque tínhamos a possibilidade de criar uma heroína icônica. Ela seria uma pistoleira que anda a cavalo, mas manteria o jeito contido que se vê nos cowboys de Clint Eastwood - que economiza nos movimentos e palavras, tudo é bem sutil. Aprendi bastante sobre isso nesse filme, principalmente porque acho que essa é a grande especialidade de Daniel Craig. Ele não precisa fazer muito enquanto filma, mas consegue transmitir uma sensação de poder muito intensa. A mesma coisa com Harrison Ford, que consegue se comunicar muito bem sem precisar fazer muita coisa. O arco emocional de Woodrow, personagem de Harrison, mexeu muito comigo, apesar de ele não ter exagerado na atuação. Ambos me ensinaram muito sobre atuação e foi incrível trabalhar com eles.

O que você mais gosta no processo de atuação?

Gosto do período de criação, a pesquisa e o desenvolvimento do personagem. Não importa o que vem escrito no roteiro, sempre há uma maneira de adaptar o que está ali. Então gosto de trabalhar com os roteiristas, criando a história da vida do personagem; gosto de criar a parte física, de trabalhar com o pessoal do figurino, maquiagem e cabelo para desenvolver a personalidade dessa nova pessoa. Consultar as pessoas que trabalham nesses áreas ajuda muito, principalmente pelo fato de algumas delas serem especialistas no que fazem. Antes de fazer os designs dos figurinos para esse filme, Mary Zophres trabalhou em Bravura Indômita. Então ela já havia adquirido um grande conhecimento sobre cultura do velho oeste. Foi assim que decidimos que Ella, por não ser a típica dama daquela época, não usaria um espartilho. Causa uma certa estranheza a falta do espartilho, ela usa um vestido bem simples. Ela não usa enfeites no cabelo, o mantém liso e solto, o que acaba dizendo que ela é uma pessoa estranha, que não se encaixa na sociedade. Ela usa um coldre, que também é estranho. Então a criação física de um personagem me interessa muito. Eu geralmente gosto de me transformar completamente, como por exemplo em Tron, mas essa personagem Jon [Favreau] fez questão que se parecesse comigo. Ele queria que eu usasse bem pouca maquiagem, então eu praticamente não usava nada. Só sujavam muito meu rosto. [risos] Mas fazer toda essa pesquisa e criação de lição de casa é muito importante. Assim, quando você chega no set e está ao lado de atores incríveis, pode somente reagir e existir naquele espaço não como você mesmo, mas como seu personagem. Pessoas como Daniel Craig, Sam Rockwell, Harrison Ford, Paul Dano... Essas pessoas são tão boas no que fazem que, pelo fato de eu já conhecer Ella tão bem, podia apenas reagir e me divertir com as cenas.

Você tem mais seis ou sete projetos já encaminhados, mas você gostaria de ser lembrada por que tipo de filme?

Eu adoraria ser uma combinação de vários gêneros e personagens. Me espelho em atrizes como Sigourney [Weaver] e Meryl Streep, que já fizeram comédia, drama e até teatro, o que planejo voltar a fazer ano que vem. Mas me inspirou muito saber que não era necessário escolher um gênero, que dava para experimentar de tudo. E é o que eu tenho feito! Antes de Cowboys & Aliens eu fiz Eu Queria Ter a Sua Vida, que são filmes completamente diferentes. Também fiz alguns filmes independentes, thrillers, um outro filme de ficção científica que será lançado mais para o fim do ano... Todo tipo de coisa, todo tipo de personagem. Não vejo razão para escolher. Então realmente espero que seja lembrada como alguém que consegue fazer um pouco de tudo... e bem.

Você gostou de todo o trabalho que dá realizar um faroeste? Andar a cavalo, mexer com armas...

Adorei! Passei minha infância andando a cavalo, o que pode ter sido um dos motivos pelos quais Jon [Favreau] me contratou, não tenho certeza. Mas tive que aprender a andar a cavalo como se fazia no velho oeste - eu só sabia como andar no estilo inglês pelo fato do meu pai ser irlandês, então vivia indo para lá...

E qual é a diferença entre um e outro?

A diferença é a sela, o modo como se lida com o cavalo. A técnica muda... Mas a questão é que eu estava muito confortável em andar a cavalo e adorava todos eles. Acabei ficando muito boa em montaria ao estilo do velho oeste. O mais incomum para mim é que trabalhamos com selas antigas, que são um pouco maiores, tem aquelas bolsas que eles usavam ultimamente e são bem diferentes das que usamos hoje em dia. Mas eu queria era ficar o mais confortável possível com meu cavalo, acho que todos nós queríamos, para que pudéssemos ter aquele tom faroeste que os cowboys tem. Eles parecem tão à vontade em cima de um cavalo que é como se tivessem uma relação telepática com o animal. Eles acabam passando a impressão de que nem percebem que estão montando, conseguem ficar virando para a frente e para trás com a maior simplicidade. Considero isso uma das melhores características nos cowboys. Sam Rockwell nunca tinha montado um cavalo! Harrison [Ford] e eu já estávamos acostumados com isso, Daniel [Craig] estava aprendendo - e obviamente se saindo muito bem pelo fato de ser Daniel... Cavalgávamos por desertos, não esperávamos por ninguém! Sam tinha que manter o ritmo, foi bem desafiador para ele. Ele foi bem valente.

Rockwell andou meio torto durante alguns dias?

Ele andou meio esquisito, sim. [risos] Ele perguntava para os outros caras como eles faziam pra ficar mais confortável, como eles não "se esmagavam". Mas ele está ótimo neste filme. Tenho certeza que aquele papel não teria sido tão interessante se não fosse ele.

Você consegue se lembrar qual foi o dia que mais te exigiu fisicamente?

Tiveram alguns. Acho que o melhor momento para mim foi a acrobacia que fiz na grande cena de tiroteio. Fui puxada por uma corda de um cavalo em movimento e impulsionada 12 metros para cima. Não era pra eu ter feito essa cena, era pra ser uma dublê. Quando tentamos pela primeira vez, fizemos com um cavalo mecânico, o que ficou ridículo. Usamos o cavalo que foi usado em Seabiscuit - Alma de Herói, então pensamos que ele pareceria rápido. Ao contrário, ele ficou bem lento. Me neguei a fazer a cena com aquele cavalo, não parecia real o suficiente. Então eu disse que conseguiria fazer a cena eu mesma. Foi aí que o coordenador de dublês entrou, dizendo que nunca havia puxado um ator de um animal em movimento, muito menos a uma distância maior que três metros. Então eu me animei mais ainda! Aí ele [o coordenador de dublês] foi falar com Jon [Favreau], que deu permissão. Deu um pouco de medo por alguns motivos - com Daniel [Craig] ao meu lado, eu tinha que cavalgar por entre duas gruas com a corda presa nas minhas costas e tomar cuidado para não colocar meus pés nos estribos e para não segurar as rédeas muito forte. Uma vez que eles puxassem a corda, não tinha como controlá-la. Então se eu ficasse com qualquer parte do meu corpo presa na sela, não tinha como impedir que eu fosse seriamente machucada. Era por causa disso que todos estavam preocupados. Eu tinha que cavalgar, sem cair, mas só levemente apoiada na sela. Mas quando eles me puxavam, eu ficava pendurada por alguns minutos enquanto eles arrumavam tudo de novo para mais uma tomada. Foi uma experiência linda e incrível. Fiquei bem feliz que decidi fazer aquilo eu mesma porque assim eles puderam colocar a câmera diretamente no meu rosto enquanto me puxavam, coisa que eles não poderiam ter feito se tivessem usado uma dublê. Isso também acabou motivando os outros dublês a realmente se esforçarem pelo resto do filme. "Se a Olivia fez isso, nós temos que fazer melhor", eles diziam. [risos] Então de repente estavam todos fazendo piruetas ao sairem dos cavalos e realmente se mostrando!

Quais filmes você gostava e assistia quando jovem?

Sempre gostei dos clássicos antigos - filmes com Katharine Hepburn, Bette Davis, Rosalind Russell e Lauren Bacall são mulheres que me inspiraram muito. Mas se eu tivesse que escolher um gênero, ficaria com os filmes de gângster. Os Bons Companheiros é provavelmente meu filme favorito, adoro O Poderoso Chefão, o primeiro e o segundo... Eu também assistia a muitos filmes de faroeste com meu pai. Filmes de gângster são basicamente faroestes ambientados na cidade. Dá pra ver as conexões temáticas ao longo da história. Também gosto de filmes mais modernos, isso fica aparente nos filmes que escolho participar. Aqui estou, fazendo um filme que é um tanto quanto clássico - misturado com ficção científica, mas ainda assim clássico - e Eu Queria Ter a Sua Vida, porque eu também gosto de ir ao cinema ver filmes como esse.

Você tem algum faroeste favorito?

Adoro Butch Cassidy. Algumas pessoas não consideram esse filme um faroeste clássico, mas eu amo! E aqueles [Paul Newman e Robert Redford] são os dois caras mais lindos que já existiram! [risos]

Você tem vontade de escrever algum roteiro?

Certamente! Vou dirigir meu primeiro curta, de um roteiro que escrevi, no começo do ano que vem. Curtas são um ótimo treino para ingressar nessa parte da indústria. Também estou desenvolvendo alguns longas... Mas o bom de estar em um estágio mais avançado na minha carreira é que posso ser bem criteriosa quanto aos filmes que irei participar, tenho dado mais respostas negativas do que positivas e posso começar a desenvolver meu próprio material, criar minhas próprias histórias. Isso se dá pelo fato de eu já ter trabalhado com tantas pessoas incríveis que posso pedir ajuda a eles. Aprendi tanto com todo mundo que agora posso chamá-los para trabalhar comigo em algo diferente. Recentemente produzi um documentário que foi exibido no festival TriBeCa, sobre a construção de um cinema em um campo para refugiados no Haiti. Passei bastante tempo no país com Paul Haggis, numa organização chamada Artists for Peace and Justice. Já fazemos isso desde 2008, vou ao Haiti a cada três meses e comandamos a única escola gratuíta de ensino fundamental do país... Tem sido uma grande parte da minha vida. Então esse documentário, que se chama Sun City Picture House é gigantesco para mim. Eu produzi ao lado de Maria Bello, que também está envolvida com a organização. Sempre gostei muito de documentários, minha mãe é documentarista. Mas em termos de escrever meus próprios roteiros; acho que isso é uma parte importante do sucesso nessa indústria. Reclamar sobre a falta de papéis é completamente desnecessário. Se você realmente quer trabalhar, faça acontecer.

Você pegou muitas dicas com Jon Favreau? Ele fez uma brilhante transição de ator a diretor.

Aprendi muito com Jon exatamente sobre essa transição que ele fez. Eu espero um dia ser uma diretora com Jon Favreau é - extremamente calmo, paciente e se importa muito com sua equipe. Ele também é mestre em manter o tom durante todo o filme, sempre avisando onde paramos e pra onde temos que ir - é muito difícil fazer isso. Também acho que ele consegue manter as coisas em um nível mais perto da realidade, mesmo que o filme se passe em um mundo fantasioso. Como por exemplo em Homem de Ferro - se dirigido por um diretor diferente, não seria tão interessante quanto foi. Ele também tem sucesso com seu elenco; contratou Robert Downey Jr. quando ninguém mais o queria. Ele pensa de uma forma original e está sempre conectado a tudo, prestando atenção no que funciona e no que não funciona. Ele usa o treinamento que teve como ator para nos guiar, e isso ajuda de uma maneira incrível.

Pode dar um exemplo de alguma cena que ele te ajudou?

Teve uma na qual Daniel [Craig] e eu estávamos andando através de umas cavernas, indo até uma que tinha os aliens e pelo fato de estarmos usando chapéus de cowboy e armas, pareciamos um pouco bobos. Foi aí que Jon nos puxou de lado e disse que estávamos prestes a nos sacrificar para salvar um povo. Nos disse que, de uma certa forma, eramos mais ou menos como os primeiros bombeiros que entraram nas Torres Gêmeas no 11 de setembro. Aquilo mudou um pouco o clima! [risos] Mas ele estava certo, sempre temos que comparar aquele momento com alguma coisa real e levar aquele sentimento à cena. Não sei como é entrar em uma caverna alienígena, mas posso imaginar como um bombeiro se sentiria ao ter que entrar em um prédio em chamas. Foi esse tipo de coisa que fez com que o filme - que era uma aventura divertida sobre cowboys e alien - ficar bem mais real. Algumas vezes não sabíamos ao certo o que ele estava falando - teve uma vez que ele chegou em mim, Sam Rockwell e Daniel, estávamos no navio que fica de ponta-cabeça no meio do deserto. Os personagens acabam se separando e estávamos, de novo, agindo meio como bobos. Foi aí que ele disse: "pessoal, a única coisa que vou dizer é que esse pode ser o último Natal da vovó", se virou e foi embora. Ficamos mais perdidos do que estávamos! [risos]

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SPOILER - Só leia a última pergunta se você já assistiu ao filme!

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Você perguntou a Jon Favreau sobre a verdadeira aparência de Ella?

Eu não posso falar sobre isso! [risos] Jon e eu criamos Ella junto com os roteiristas Bob [Orci] e Alex [Kurtzman]. Eu sempre gosto de me envolver bastante no processo da criação do roteiro de filmes, não importa se a equipe gosta ou não. [risos] Eu meio que apareço na sala dos roteiristas dizendo que tenho ideias e geralmente eles gostam - pelo menos até agora. [risos] Eu não tento mudar a estrutura do filme, não brigo para ganhar mais diálogo ou por um final melhor. Simplesmente me preocupo com meu personagem porque personagens femininos são constantemente deixados de lado. O foco principal permanece no herói principal e a mulher pode acabar se tornando apenas uma reação para aquele herói. Não é culpa dos roteiristas, mas isso tende a acontecer quando eles estão lidando com uma história mais complexa. Em Tron: O Legado eu já me envolvi bastante no processo de criação do roteiro. Me reunia com eles durante semanas desenvolvendo a Quorra, e a mesma coisa aconteceu com Cowboys & Aliens. Na verdade, quando fui chamada para participar do filme, os roteiristas receberam uma ligação dos caras de Tron avisando que eles passariam por longas reuniões comigo. [risos] Eles ficaram felizes com isso, adoraram que eu estava empolgada com o roteiro, pesquisando sobre o assunto, passava horas no museu Autry em Los Angeles, que é uma ótima fonte de informações sobre o velho oeste estadunidense - documentos, fotos, vídeos... Gostei bastante do processo de criação desse filme pelo fato de ser bem divertido pensar e imaginar coisas diferentes com Jon [Favreau]. Ele adora Ella e realmente queria que ela permanecesse forte e inteligente. Então nós a protegemos juntos e acho que ambos ficamos felizes com o resultado.

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