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Revolution | Da Frigideira

Série de J.J. Abrams e Eric Kripke copia Lost, mas tem potencial para ser tão pop quanto Supernatural

Marcelo Hessel
12.07.2012, às 14H35
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H35
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H35

De todas as séries de ficção científica que J.J. Abrams produziu na TV nos últimos anos, nenhuma se parece tanto com Lost quanto Revolution - ambiciosa novidade da NBC para este segundo semestre. O canal investiu pesado na divulgação, espalhou cartazes por todo o centro de San Diego e exibiu o episódio-piloto aqui na Comic-Con 2012.

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A premissa, assim como em Lost, envolve uma situação de pré-civilização: de novo um grupo de sobreviventes de um desastre tem que aprender a se reorganizar moral e socialmente em um mundo que regressou a um estado primal, onde novas regras (mesmo as leis da física) são estabelecidas a todo instante. Antes era uma ilha aparentemente deserta, agora é um planeta inteiro sem energia elétrica. No piloto, vemos Chicago 15 anos depois do blecaute mundial, com seus pontos turísticos (o Wrigley Field, o Chicago Theatre, a pizzaria Lou Malnati's) tomados pela natureza.

Candidata a musa e atriz esforçada, a canadense Tracy Spiridakos faz a protagonista, Charlie Matheson, que com seu irmão Danny (Graham Rogers) sai em busca de um tio perdido, Miles Matheson (Billy Burke), depois que seu pai é morto pela Milícia, uma organização paramilitar que parece mandar nesse mundo sem governos. A família Matheson tem a chave - na verdade, um pendrive - que pode explicar e resolver o problema da energia, e esse deve ser o macguffin da série pelo menos ao longo da primeira temporada. O fim do piloto, porém, que sacramenta o parentesco com Lost (que fixação por monitores de fósforo verde!), mostra que a teia é mais intrincada.

Embora a NBC jogue com o nome de Abrams na divulgação, o produtor principal de Revolution é Eric Kripke, o criador de Supernatural - e o sucesso da série vai depender, em boa medida, do talento já comprovado de Kripke para escrever ficção de apelo popular e misturar gêneros. Cabe a ele tirar de Revolution o estigma de "novo Lost". Supernatural ganhou seguidores ao longo dos anos com seu caldo de horror, comédia, ação e metalinguagem, e o piloto de Revolution mostra que também tem espaço para esse tipo de versatilidade.

Só neste primeiro episódio, por exemplo, que teve direção de Jon Favreau, há duelos de espadas em um hall de "castelo", no melhor estilo Errol Flynn, e mais tiroteios, caçada na mata (arco-e-flecha está mesmo em voga), alívios cômicos, conspirações e triângulos afetivos (a heroína é uma mistura de Katniss com Bella Swan, dividida entre o carinho fraterno do irmão e um amor latino perigoso). Embora a base da série seja a ficção científica, a premissa da falta de energia acaba dando a Revolution a oportunidade de pegar também carona na moda medieval (Game of Thrones, Once Upon a Time...), e o resultado é um "cospobre" de considerável potencial trash.

Some a isso um vilão carismático - Giancarlo Esposito, o Gus de Breaking Bad, com seu imbatível jogo de sobrancelhas - e temos aí um candidato a melhor prazer-com-culpa da temporada. Muita gente vai desprezar a vocação de produto B de Revolution, mas para se desprender de Lost (uma série que começou com o mesmo potencial pop mas terminou soterrada por suas pretensões) a melhor maneira é partir mesmo para a bagaceira.

Revolution | Trailer

Acompanhe a cobertura do Omelete da Comic-Con 2012

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